Giuliano De Luca/OP

Marilene, a pequena Taiane Vitória e o sargento Jairo Kaiser se conheceram ontem (06), um dia depois dele ajudar a salvar a vida da bebê
Ele, pra mim, é um anjo, diz a dona de casa Marilene Pereira, de olhos marinados com lágrimas de felicidade. Ele se refere ao sargento do Corpo de Bombeiros de Marechal Cândido Rondon, Jairo Kaiser, que no domingo (05), por telefone, ajudou a salvar a vida da filha dela, a pequena Taiane Vitória Pereira Mota, de dois meses de vida. A menina engasgou com o leite materno e parou de respirar, mas foi salva após a mãe e os avós da bebê realizarem os procedimentos indicados por Kaiser em uma chamada do 193. Ontem (06), o Jornal O Presente promoveu o encontro dos três. Foi pura emoção.
Fico até sem palavras, não tenho o que falar. Só tenho a agradecer. O trabalho de vocês é abençoado por Deus. Vocês são instruídos por Deus, diz Marilene, sentada ao lado de seu herói no sofá da sala, na casa simples em que ela mora com a família, no Bairro São Francisco. Ela olha para o sargento e reitera: Você é um homem abençoado. Que Deus abençoe sua família, frisa a mãe de Taiane.
Tem coisas que não têm preço. Isso (salvar uma vida) é uma delas, revela o bombeiro com o aval de seus 20 anos de experiência. Para nós, bombeiros, poder ajudar é muito gratificante, diz Kaiser, também emocionado com o encontro. Ele pegou a bebê nos braços, fez carinhos e até arrancou um lindo sorriso da pequena.
Marilene lembra como tudo aconteceu. Eu estava na casa dos meus pais. A Taiane estava mamando e de repente parou. Logo o olho dela não mexia mais. Eu tentava brincar e ela não respondia. Ela começou a ficar roxinha ao redor da boca e dos olhos. Me desesperei, rememora. O que mais me assustava é que ela tentava puxar o ar e não conseguia, frisa a mãe da criança.
A bebê estava mamando no peito da mãe e parou de respirar após vomitar parte do leite materno. Coube ao sargento Kaiser atender a chamada de emergência, feita para o Corpo de Bombeiros por volta das 18h25. De um lado da linha, uma mãe apavorada. Do outro, o profissional. Ela estava muito nervosa. A primeira coisa que fiz foi falar para ela retomar a calma. Eu disse que só assim conseguiria ajudar. Ela se acalmou e começou a fazer os procedimentos indicados, relembra o sargento. Realmente eu tava muito nervosa. Só por Deus o jeito que você conseguiu me acalmar, diz Marilene ao sargento.
A senhora vai fazer o seguinte: vai estender o braço, deitar a criança em cima do seu braço com a cabeça para baixo e dar um tapinha nas costas, fraquinho, para não machucar, disse o sargento ao telefone. Pedi se a bebê tinha voltado a respirar e ela disse que não. Então pedi para ventilar as vias aéreas da bebê, assoprando com calma. Perguntei mais uma vez como ela estava e a Marilene me disse que a bebê tinha soluçado, amplia. Era o sinal de que a criança havia retomado o fôlego.
Kaiser manteve a mãe ao telefone até a chegada de uma equipe à casa dos avós de Taiane, no Bairro Higienópolis, que deu continuidade ao atendimento. Ao chegar ao local, cinco minutos após acionada, a equipe dos bombeiros constatou que Taiane estava sã e salva. Mesmo assim, a criança recebeu oxigênio e foi encaminhada pela abunlância até a Unidade de Saúde 24 Horas para os atendimentos necessários e exames para saber se o leite havia entrado para os pulmões, o que não ocorreu.
Para Marilene, casada com Telmo Mota Silva e mãe de outros dois filhos, as orientações e procedimentos indicados por telefone pelo sargento do Corpo de Bombeiros salvaram a vida da pequena. Se não fosse você, minha filha não estaria mais aqui, diz a mãe, ao olhar com extrema gratidão ao bombeiro.
De acordo com Kaiser, a ligação para o 193 é fundamental em casos como o da pequena Taiane. Pode ser a diferença entre a vida e a morte. Sempre recomendamos buscar orientação, diz.
Mais um abraço apertado e a mãe se despede do profissional que ajudou a salvar a vida de sua filha. Não antes de Kaiser colocar o Corpo de Bombeiros à disposição. Esperamos que não aconteça de novo, mas, se acontecer, estamos prontos para ajudar, frisa o sargento. Disso, ninguém duvida.