O setor industrial é uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que é o que mais emprega, também é um dos que mais sofre com a falta de mão de obra.
Na Frimesa, cooperativa que tem duas plantas industriais em Marechal Cândido Rondon, também faltam trabalhadores, mas há outras variáveis que impactam nas atividades.
“Nossos principais gargalos são a falta de mão de obra para a área industrial e falta de pessoas capacitadas e preparadas para os nossos processos. Temos também um custo alto com logística e energia. O grande desafio das (indústrias que processam) proteínas animais é enfrentar o alto custo de produção causado pela elevação dos preços do milho e da soja. Na ponta do varejo o desafio é conseguir repassar preços devido ao poder aquisitivo achatado”, comenta ao O Presente o diretor-executivo, Elias Zydek.
Efeitos da quebra do agro
Ele pontua que o recuo das indústrias em nível de Brasil se deve a outros ramos que não os de processamento de alimentos. “A indústria de bens duráveis sofreu com as inovações vertiginosas nessa área. Também a indústria automobilística reduziu por falta de componentes. Todavia, a indústria de alimentos cresceu nos últimos anos. Toda indústria voltada ao agronegócio cresceu e vai crescer mais ainda. Desde a produção de insumos, máquinas e equipamentos até alimentos processados e tecnologias aplicadas estão em pleno desenvolvimento na região Oeste”, assegura.
A região Oeste sofreu com perdas de safras do milho e da soja, mas tem apresentado grande resiliência devido à agregação de valor nas cadeias produtivas da proteína animal, avalia o diretor-executivo da Frimesa. “A quebra da safra anual de 2021/2022 significa uma redução de valores na ordem de R$ 8,5 bilhões que deveriam circular no Oeste do Paraná. Afetará mais o comércio do que as industriais, porque essas garantirão a produção dos integrados. Terão redução de margens devido ao aumento dos custos, entretanto não haverá redução dos empregos, nem das receitas nas cadeias produtivas”, considera.

Com projeção de 20% de crescimento, Frimesa deve contratar mais funcionários em 2022
De acordo com Zydek, a Frimesa tem projeção de crescer em médio e longo prazo na produção e processamento de carne suína no Oeste paranaense. “Deverá crescer 20% em 2022 e avançar em média 12% ao ano nos próximos dez anos. O fundamento é a integração no sistema cooperativista que faz a gestão de toda a cadeia produtiva. É evidente que essa evolução dependerá do aumento do consumo interno e externo”, pondera.
O frigorífico de suínos da Frimesa em Marechal Rondon abate 1,2 mil cabeças/dia e, conforme o diretor-executivo, esse número deve aumentar para 1,5 mil/dia em 2022. A indústria de lácteos, por sua vez, foi ampliada nos últimos dois anos e tem capacidade para operar 800 mil litros/dia. “Naturalmente, vamos crescer nessas unidades com inovação e tecnologias constantemente. Acreditamos no grande potencial da região Oeste e por isso estamos investindo nas atividades do agronegócio”, enaltece.
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O Presente