O médico Wesley Giovani Stantowtz Pereira, diretor do Hospital Municipal Dr. Cruzatti, esteve na tarde de hoje (04) na Delegacia de Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon para prestar declaração sob a acusação feita pelo vereador Ronaldo Pohl, de que teria ameaçado o edil e sua família na noite de 25 de setembro passado. O caso ganhou repercussão na imprensa e tornou-se mais comentado depois que foi divulgado, pelo vereador, um vídeo em que o médico estaria de posse de um facão. Contudo, na presença de seu advogado, Luciano Caetano, o médico rebateu as acusações, afirmando que ele é quem foi ameaçado, acusando o vereador e outros dois homens de terem cometido os atos. A defesa do médico ainda apresentou dois vídeos à polícia.
Segundo a defesa, nos vídeos é possível ver que um homem desce de um veículo, possivelmente um Corsa Sedan, e aborda o médico, que estava caminhando pela Rua Ari Branco da Rosa. Na sequência, ocupantes de um veículo branco, possivelmente um Honda Civic, teriam avançado com o automóvel para cima do pedestre. No contexto, pessoas que estavam em um terceiro veículo, possivelmente um Honda City, acompanham todos os atos e, inclusive, conversam com o homem que estava no Corsa. Por fim, os três automóveis seguem pela Avenida Rio Grande do Sul, enfileirados, e o médico desaparece.
O médico contou, como havia dito o vereador, que a confusão começou no estabelecimento localizado na esquina da Avenida Rio Grande do Sul com a Rua Darlei Bregoli. Wesley narrou que após a discussão, sentindo-se ameaçado, resolveu sair do estabelecimento, na expectativa de que o vereador também saísse, e ele (médico) pudesse retornar para buscar o lanche que tinha encomendado. No mais, explicou que não embarcou em seu veículo, que estava estacionado do outro lado da rua, porque estava com receio de não conseguir dar a partida, pois o automóvel apresentava problemas mecânicos naquele dia. Diante disso, saiu a pé do local, seguindo pela Av. Rio Grande do Sul em direção a Pato Bragado, entrando na Rua Dalla Vechia, chegando até a Rua Santa Catarina, onde foi surpreendido pelos três veículos, cujos ocupantes teriam lhe ameaçado e ironizado. Após, declarou ter entrado na Rua Ari Branco da Rosa, onde diz que os fatos foram flagrados (vídeos). Depois, foi até um lote baldio, ao lado da empresa Suitec, onde ficou escondido por certo tempo. Por fim, acreditando que seus desafetos não sairiam da Avenida Rio Grande do Sul, onde estavam com os carros, acabou indo até seu veículo e, ciente de que poderia ter problemas na partida do automóvel, sentindo-se acuado, pegou o facão, momento que a polícia apareceu e ele se sentiu seguro, abandonado o utensílio.
Desta forma, o médico admitiu que estava com o facão, como dito pelo vereador, contudo, disse ter tomado posse do objeto por causa das abordagens que sofreu anteriormente (vídeos).
Na delegacia, a defesa do médico requereu diligências para identificar o ocupante do Corsa, bem como obtenção de possíveis imagens do monitoramento do estabelecimento da Rua Darlei Bregoli.
A defesa do médico esclareceu que obteve as imagens (vídeos) mediante notificação, pois o proprietário do estabelecimento, na Rua Ari Branco da Rosa, não tinha qualquer relação com os fatos, até porque a empresa estava fechada naquela ocasião, preferindo não se envolver.
Confira os vídeos:
Defesa
Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (04), o médico reiterou o que havia dito em seu depoimento ao delegado e disse que estava aguardando conseguir elementos que dessem qualidade a sua defesa para se pronunciar novamente. “Os vídeos esclarecem claramente os fatos. As imagens são nítidas e mostram que fui abordado na rua por quatro homens. Infelizmente as imagens não possuem som, casos contrário poderiam ser ouvidas claramente as ameaças de morte e, por isso, eu tendo que me evadir do local”, afirmou Stantowtz.
Como declarou em seu depoimento à polícia, o médico admitiu que estava com o facão, contudo, para sua própria segurança. “Se vê pelas imagens muito claramente que eu me dirijo até meu carro, depois de ser muito perseguido, e de fato tento me defender, pois eram quatro homens adultos contra um homem que estava tentando o tempo todo fugir”, destaca, acrescentando: “Em nenhum momento ele (vereador) e os seus lacaios pensaram em deixar aquilo para trás. Ele está usando toda essa situação para aparecer na mídia, mas não percebe que está prejudicando a imagem dele e a de um profissional que já trabalha desde 2011 no município”, expõe o médico.
Stantowtz também rebate a afirmação que sua reação teria sido gratuita e covarde diante da aprovação de uma lei que havia sido votada na noite em que os fatos ocorreram. Para isso, ele afirma que não sabia de absolutamente nada sobre a determinada lei. “E digo que a lei dele é uma lei perdida, sem sentido, porque no Hospital Municipal isso já vale há três anos e meio, uma recomendação feita pelo Ministério Público e que nós viemos cumprindo desde então”, ressalta.
O médico ainda reforça que realmente quer recuperar sua imagem perante a sociedade, que foi muito afetada devido a situação. “Espero que tudo isso fique esclarecido e que o vereador tenha a hombridade de vir à mídia e se retratar publicamente perante a mentira que ele pregou na cidade, através das mídias sociais”, finaliza Stantowtz.
Resposta
Após a divulgação dos vídeos e do depoimento de Stantowtz, o vereador Ronaldo Pohl procurou o jornal O Presente para afirmar que permanece com a mesma versão dos fatos relatada desde o início.