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Marechal

Em dez meses de operação, frigorífico de suínos dobra capacidade de abate

calendar_month 6 de novembro de 2018
6 min de leitura

 

Cerca de dez meses após o início da operação da planta industrial da Frimesa para o abate de suínos em Marechal Cândido Rondon, localizada na BR-163, próximo ao distrito de Novo Horizonte, o diretor-presidente, Valter Vanzella, considera que os resultados estão “praticamente acima de 90% do esperado”. “Neste período já chegamos a abater 1,4 mil cabeças ao dia, que é o potencial máximo da planta industrial, mas hoje estamos no patamar de 1.250 suínos/dia, que resultam na produção de 120 mil quilos de produtos por dia e 2.400.000 quilos de produção mensal”, afirma ele.

Em fevereiro deste ano, quando a empresa completava 100 dias de operação, o número de animais abatidos estava na casa dos 600. “Um dos grandes complicadores que ainda temos é a mão de obra despreparada. Mas à medida em que fomos contratando, treinando e fixando os colaboradores, pudemos aumentar a nossa produção diária”, ressalta Vanzella.

Apesar de considerar a falta de mão de obra um dos principais problemas no funcionamento do empreendimento, o diretor-presidente considera que o frigorífico rondonense já comporta um bom volume de suínos abatidos ao dia. “Já estamos industrializando produto. São cerca de oito toneladas de linguiça toscana ao dia, cinco toneladas de linguiça calabresa ao dia, desossando bastante carne e transferindo carne e carcaças para o frigorífico de Medianeira, o que é bastante razoável para uma planta frigorífica modesta como é a de Marechal Rondon”, pontua.

Para funcionar em sua capacidade plena de 1,4 mil suínos/dia, Vanzella observa que ainda existem alguns gargalos e dificuldades que estão tentando ser superados. “A área de frio, por exemplo, não é adequada para comportar o abate de 1,4 mil animais ao dia, por isso estamos fazendo alguns trabalhos para adequar essas questões, mais do que já foi investido para deixar o frigorífico apto a abater essa quantidade máxima”, comenta.

Neste período, ele salienta que também houve questões acerca de doenças de animais, resultando em bastante trabalho para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) durante a inspeção. “Isso fez com que o ministério exigisse uma velocidade menor das nórias (transportador aéreo para evisceração), resultando na manutenção do número de 1.250 cabeças abatidas ao dia”, expõe.

Apesar disso, o diretor-presidente da Frimesa afirma que o abate e a produção atuais do frigorífico rondonense não estão fora do escopo, levando em conta que o número de funcionários já está em 527.

 

Mão de obra

Com colaboradores não apenas de Marechal Rondon, mas também dos municípios de Mercedes, Nova Santa Rosa, Entre Rios do Oeste e Pato Bragado, o funcionamento do frigorífico – que estava há quase dez anos construído, mas sem utilização – apresentou oportunidade de emprego e consequente geração de renda para muitas pessoas.

Todavia, Vanzella reforça que a falta de mão de obra qualificada continua sendo um dos maiores problemas, contribuindo com os números altos da rotatividade. “Tirando aqueles que foram transferidos de Medianeira, que já contam com 20, 30 anos de atuação nesta área, os demais colaboradores não têm nem um ano de experiência, então isso é um desafio grande para nós”, menciona.

Aos poucos, relata, os colaboradores são treinados na realização de suas atividades e consequentemente o turnover vai reduzindo com o passar do tempo, resultando na amenização deste problema, à medida em que as pessoas são treinadas e melhor ambientadas nos locais de trabalho. “Mas aquele grupo de funcionários que começou no início da operação já está estabilizado e bastante motivado, então conseguimos produzir bastante pelo maior rendimento”, considera Vanzella.

 

Ano difícil para a suinocultura

Com a suspensão da importação da carne suína brasileira pelo maior importador, a Rússia, desde o início de dezembro de 2017 (a retomada aconteceu ontem, 1º), o diretor-presidente da Frimesa avalia que 2018 é um dos piores anos para a suinocultura e para as indústrias de processamento da proteína. A demora da Rússia em voltar a importar, segundo ele, gerou um excedente de ofertas para outros países e queda nos preços.

Além disso, Vanzella acrescenta que a crise brasileira diminuiu o poder aquisitivo da população pela redução na renda das famílias e, somado ao significativo número de pessoas desempregadas, o consumo interno do produto também diminuiu. “Essa redução do consumo também fez com que houvesse a sobra de oferta”, ressalta.

Ele aponta, também, problemas com os custos de produção. “As frustrações das safras de milho e o alto custo de produção resultaram em um suíno com custo elevado nos últimos tempos. Agora as coisas estão começando a dar sinal de que vão se alinhar. Mas eu penso, por exemplo, que o milho vai se alinhar a partir da safrinha do ano que vem, se Deus ajudar que tenhamos uma produção normal de milho”, declara.

Vanzella comenta que mesmo agora, com o preço do milho em um patamar melhor, há poucas semanas o valor do cereal estava muito alto. “Precisamos ter uma balança. O milho a R$ 20 para o produtor não viabiliza, mas a R$ 40 ou R$ 45 para o suinocultor também é fora da realidade”, destaca. “Tivemos problemas de doenças na atividade que também trouxeram custos, então a somatória de todos esses fatores está trazendo um ano extremamente difícil para a atividade, especialmente para as empresas que trabalham com isso”, evidencia.

O resultado dos grandes players da suinocultura e da avicultura, de acordo com o dirigente, foram extremamente negativos. “Apesar disso, graças à estrutura enxuta, a Frimesa segue equilibrada, mas vamos chegar em 50% do planejado em termos de resultados”, anuncia. “Está sendo um ano difícil, mas conseguimos manter a cadeia produtiva viável, sem onerar muito o produtor. Dificuldades existiram muitas. Foi o pior ano dos últimos tempos, mas estamos sobrevivendo e trabalhando com as duas plantas cheias na expectativa para o final de ano”, complementa.

 

Incógnita

Diretor-presidente da Frimesa há 20 anos e parte do grupo há 30, Vanzella diz que, por sua experiência no setor, historicamente no fim de ano há uma boa reação do mercado de carne suína, tanto de produtos industrializados como da carne in natura. “Neste ano, no entanto, não há sinalização de que isso aconteça, por isso temos muitas dúvidas sobre o final de 2018”, afirma.

Já as expectativas para 2019 são voltadas aos questionamentos acerca do novo governo. “Temos grandes expectativas acerca das medidas que serão tomadas, o que vão realmente fazer. Porque até agora o que existiu foi bastante discurso de campanha. Temos que ser honestos que vamos passar pelo fim de um ciclo, de uma linha partidária e o início de outra, por isso existirão sempre muitas expectativas. A gente está sempre otimista, na esperança de que as coisas melhorem”, enfatiza.

 

Com O Presente

 
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