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Marechal

Empresários rondonenses reivindicam melhorias aos parques industriais

calendar_month 16 de junho de 2017
13 min de leitura

Unindo forças em busca de melhorias para o setor industrial de Marechal Cândido Rondon, empresários dos mais diversos segmentos se reuniram, na última segunda-feira (12), para discutir reivindicações aos parques industriais 2 e 3. Entre as principais pautas discutidas na reunião estavam a possibilidade da compra dos lotes, através de avaliação de área atual, e a adequação dos acessos, com aplicação de camada asfáltica sobre as ruas com pedra irregular.

Conforme os empresários Fabiano Lamb e Maikel Liotto, as reuniões visando discutir essas melhorias são realizadas desde 2015. No entanto, neste ano houve um engajamento maior por parte dos empresários dos dois parques, que decidiram unir as reivindicações em prol de maior desenvolvimento do setor industrial no município. “Os encontros eram ocasionais, agora a intenção é fazer um trabalho mais planejado e com reuniões mais frequentes. Com isso, começamos a nos organizar e vamos realizar alguns encontros mensais para buscar junto ao Poder Público o atendimento dessas demandas nos parques industriais. Ainda estamos fazendo um levantamento, mas há demandas de alguns empresários que já são antigas, como galerias pluviais, recape asfáltico e viabilização de escrituras dos terrenos de concessão, onde os empresários estão há anos operando e não conseguem documentar”, destaca Liotto, proprietário da empresa MM2 Industrial, localizada no Parque Industrial 2.

Ainda conforme ele, o intuito é juntar o máximo de empresários e criar uma linha de reivindicações que seja comum entre os dois parques, e de forma organizada poder cobrar melhorias.

Para o empresário Fabiano Lamb, que tem sua empresa no Parque Industrial 3, a união faz aumentar as chances de se conseguir as melhorias solicitadas. “O setor industrial acaba ficando um pouco esquecido, mesmo diante de tudo o que ele traz para o município. Queremos mais atenção, fomento e incentivo para estarmos investindo mais e, consequentemente, aumentando a produção e gerando mais empregos e impostos para o município”, declara, argumentando que o setor, além de gerar empregos e impostos para o município, realiza as vendas não somente em nível local, mas também para todo o Estado e país.

 

Reivindicações

De acordo com os empresários, hoje uma das principais reivindicações é a compra dos lotes visando à expansão da atividade e aumento da produção. “Como nos lotes nós temos uma concessão de uso, ele é e ao mesmo tempo não é de quem tem sua empresa ali instalada. Desta forma, sempre pensamos se irá compensar investir ou ampliar o negócio, e isso acaba inibindo o crescimento”, expõe Lamb, afirmando que seria o contrário caso tivessem a possibilidade de comprar e investir em algo que é realmente deles. “Podíamos estar ampliando, tendo mais pessoas alocadas, gerando mais empregos e aumentando a produtividade”, ressalta.

Além da questão dos lotes, o rondonense ainda destaca que algumas outras solicitações foram colocadas como mais urgentes. “Buscamos também a possibilidade de pavimentação asfáltica nos locais onde tem pedra irregular, e no Parque Industrial 2, nos locais que não contam com galerias pluviais, fazer a instalação das tubulações”, conta. “Até já conversamos entre os empresários do parque para fazermos essa obra, porém primeiro precisamos que o Poder Público nos dê um aporte com o projeto adequado”, acrescenta Liotto.

Outra solicitação se refere à sinalização indicativa das indústrias, pois, segundo eles, muitos não sabem como chegar aos parques industriais, principalmente os fornecedores e, por conta disso, são necessárias placas que orientem, visto que a que existia foi derrubada pelos ventos durante o tornado que atingiu o município em 2015.  “Decidimos então que iremos realizar um rateio de custos e nós mesmos colocaremos uma sinalização indicativa dos industriais em pontos estratégicos”, informa.

 

Pedidos conjugados

Lamb e Liotto afirmam que o grupo está buscando conjugar as reivindicações dos dois parques industriais. “No Parque 3, quando foram colocadas as pedras irregulares, também foram instaladas as galerias pluviais, já com o Parque 2 não ocorreu o mesmo e isso era algo que nós não sabíamos. Eles têm alguns pontos que são pavimentados com asfalto e outros que são somente pedra irregular, então além da camada asfáltica em alguns locais também é necessária a instalação das tubulações”, salienta Lamb.

Pavimentação asfáltica em locais com calçamento é uma das reivindicações dos empresários

Transtornos

Na visão de Liotto, a questão do asfalto gera transtornos não só para os empresários, mas principalmente para os trabalhadores que fazem o percurso diariamente, a maioria, inclusive, de bicicleta. “Além do mais, a zona urbana do município está chegando muito próximo aos parques, quase contornando-os. Então se tem uma área asfaltada em volta e no parque não”, relata, segundo o qual, um bom asfalto iria facilitar a viabilidade, melhorando o transporte, a entrega e a coleta de mercadorias e o próprio deslocamento dos trabalhadores.

Para Lamb, o município fazer o recape asfáltico e a implantação das galerias pluviais é uma forma de fomento ao setor industrial. “Não queremos ganhar tudo. Se precisar alguma participação de quem atua nos parques, iremos fazer uma pavimentação comunitária, na qual as empresas ajudarão a custear as melhorias. Todos estão de acordo”, adianta.

Estrada de chão no Parque Industrial 3 gera transtornos aos empresários: “Quando tem sol é muito pó, e quando chove, vira lama”

Anel Viário

Outro pedido do grupo é a reconstrução do Anel Viário, que, conforme os empresários, hoje não serve somente para desviar veículos de grande porte, como caminhões e carretas, do centro da cidade, mas também para o próprio deslocamento da população que, por exemplo, sai do bairro Vila Gaúcha em direção a Toledo ou mesmo para o interior do município, e que poderia estar utilizando este caminho, evitando a grande movimentação no centro da cidade. “Além disso, nós temos muitos fornecedores de produtos que vêm de outros Estados e o GPS os orienta a passar pelo Anel Viário da cidade. Já tive fornecedores que me ligaram quando chegaram no Anel Viário e não sabiam por onde seguir”, revela Lamb. “Soubemos que já há projetos para que no ano de 2018 o trecho seja recuperado, e nós, empresários, apoiaremos e também cobraremos essa promessa que não é somente para nós, mas sim para todos os rondonenses”, completa.

 

Novas reuniões

Segundo afirmaram os empresários, na última segunda-feira ainda foi estipulado um cronograma mensal de reuniões, sendo que os encontros serão realizados todas as segundasfeiras de cada mês. Inicialmente serão mensais e passarão, em seguida, a serem realizados a cada dois meses.

Ainda durante a reunião, os empresários destacam que foi elencada a possibilidade da criação de um Núcleo das Indústrias. “Desta forma, instituindo uma diretoria, poderemos trabalhar nossas reivindicações de forma mais organizada”, concluem.

Para Fabiano Lamb e Maikel Liotto, intuito é juntar o máximo de empresários e criar uma linha de reinvindicações que seja comum entre os dois parques

“Muitas das reivindicações estão contempladas no diagnóstico”, diz Marcucci

Após a mobilização do setor industrial, a reportagem de O Presente procurou o secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Marechal Cândido Rondon, Sérgio Marcucci, o qual informou não ter recebido ainda o teor das reivindicações por parte dos representantes das indústrias. “As reivindicações ainda não chegaram até mim e até onde sei eles fizeram uma reunião nessa semana. Sobre o Contorno Sul (Anel Viário), o prefeito (Marcio Rauber) disse na audiência pública do Contorno Oeste que é prioridade do governo municipal reformá-lo, nem que seja por uma questão de trafegabilidade. Isso é ponto consolidado inclusive com a palavra do prefeito, sendo que essa reconstrução será realizada”, garantiu.

Outros pontos levantados pelos empresários estão relacionados à possibilidade ou não de adquirir lotes para obter a escritura, melhorias através da pavimentação asfáltica, implantação de galerias de águas pluviais, expansão do Parque Industrial 2, instalação de placas indicativas e de entrada nas empresas.

“Com relação à infraestrutura, estamos fazendo um levantamento completo da situação dos três parques. Não para ter isso apenas em quantificação, mas, sim, para mostrar a força dos parques industriais do nosso município para que tenhamos acesso a verbas do Governo do Estado e federal para contemplar essas empresas que estão gerando cerca de 900 empregos. Portanto, esse levantamento está sendo realizado para que tenhamos dados, mesmo porque hoje ninguém investe nada se não tiver números e dados”, esclarece.

 

Concorrência

Marcucci salienta que em breve deve ser aberto processo licitatório para inúmeros serviços. “Saiu uma licitação para instalar em torno de 400 placas de sinalização do trânsito. Farei um pedido por meio da Secretaria de Indústria e Comércio à Secretaria de Segurança e Trânsito para analisar a possibilidade de instalar placas de sinalização nos parques industriais”, acrescenta, enaltecendo que uma parceria pode ser estudada em nível estadual e federal para disponibilizar as galerias de águas pluviais, além da questão da pavimentação asfáltica.

“Paralelo a isso, estamos trabalhando no Parque Industrial 4, procurando saber o que e como fazer para ceder os lotes. Antes era através de concessão, porém agora os empresários (dos parques atuais) desejam comprar os lotes em definitivo porque não podem construir em cima. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal tem muita coisa que é proibida, por isso estamos nos informando. Essas reivindicações vêm ao encontro do que nós já estamos trabalhando na Secretaria, pois muitas estão contempladas no diagnóstico”, salienta.

O secretário expõe que o caso recebe atenção especial, tanto que a equipe segue analisando leis de outros municípios. “Toledo fez um processo de venda dos lotes, mas teve que voltar atrás e agora está verificando como vai se organizar. Tem empresário que pagou o lote e brecou no Cartório de Registro, que não está conseguindo registrar em nome das empresas. Aqui os casos estão na assessoria jurídica para analisar a maneira correta de se realizar isso. O BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e a Fomento Paraná só podem liberar investimentos se estiverem dentro da lei 8.666, através da forma legal que é de concorrência pública. Além do mais, quem está no lote pode ter concorrente para competir com ele. Não existe outra forma legal de se fazer isso”, revela, ressaltando que este assunto já foi esclarecido a alguns empresários que estiveram na prefeitura.

 

Núcleo

Outra indicação dos empresários é de que seja criado um Conselho de Desenvolvimento ou Núcleo das Indústrias nos moldes do Núcleo da Rua Santa Catarina. Sobre este apontamento, Marcucci enaltece que os núcleos são formados através da Associação Comercial, podendo inclusive contar com apoio do Sebrae. “Nós já temos o Codemar (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) com vários braços. Existe a câmara técnica de educação por ser um tema interessantíssimo para atender a parte empresarial e industrial, assim como todo o município. O que pode ocorrer é a criação de outras câmaras técnicas. Nós sugerimos a criação da Lei de Ciência, Tecnologia e Inovação, que deve contar com incentivo do município”, reitera.

Secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Sérgio Marcucci: “Toledo fez um processo de venda dos lotes, mas teve que voltar atrás e agora está verificando como vai se organizar (…). Aqui os casos estão na assessoria jurídica para analisar a maneira correta de se realizar isso”

Parques industriais em números

Os três parques industriais em funcionamento contam com 108 empresas que são responsáveis pela geração de 892 postos de trabalho no município, seja através de indústrias e empresas instaladas nas incubadoras.

O Parque Industrial 1, criado no fim da década de 1970 pela então Companhia de Desenvolvimento de Marechal Cândido Rondon (Codecar), tem dez empresas, nove ativas e uma inativa, e gera 49 empregos.

O segundo parque soma 66 empresas ativas e 659 vagas de trabalho, além de três terrenos em construção. Já o Parque Industrial 3 soma 24 empresas, das quais 21 ativas e três inativas, com 157 postos de trabalho viabilizados. Ele também abriga um clube (Associação da Polícia Militar).

Duas incubadoras existentes abrigam 14 salas e oportunizam trabalho a 27 profissionais. A incubadora antiga tem seis salas, cinco delas ociosas, e conta com cinco empregos. A incubadora nova tem sete salas utilizadas de um total de oito e gera 22 vagas de emprego.

 
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