O setor de vacinação da Unidade de Saúde 24 Horas tem passado nas duas últimas semanas por dias intensos de trabalhos para a aplicação de vacinas contra a febre amarela. Apesar de as doses estarem fixadas no calendário de vacinas do município, o fato de o Brasil estar vivendo o maior surto de febre amarela silvestre das últimas décadas, segundo o Ministério da Saúde, tem assustado diversos munícipes que buscam a imunização.
Mesmo não sendo possível fazer um levantamento dos dados comparativos com o mesmo período do ano passado, a responsável técnica pelas vacinas da Secretaria de Saúde, Carla Trentini, ressalta que é perceptível o aumento no fluxo de rondonenses no setor de vacinação da unidade.
“Alguns dias parecia período de campanha de vacinação tamanha a fila de pessoas aguardando para receber a dose da vacina. Muitas delas, no entanto, já haviam sido imunizadas e estavam apenas preocupadas com o momento que estamos vivendo no Brasil e buscaram se prevenir”, explica.
Em muitos casos, Carla explica que foram necessários apenas esclarecimentos após a verificação da carteirinha de vacinação – já que não há mais a necessidade de reforço da dose no Brasil.
“Como há cerca de dois anos era preconizado o reforço a cada dez anos, muitas pessoas que fizeram a vacina em 2008 queriam o reforço agora em 2018, então fizemos a orientação de que não é mais preciso. Apenas uma dose imuniza para toda a vida”, ressalta.
A maioria das pessoas que se aglomeraram no setor de vacinação nas últimas semanas foram adultos. “Muitos acabaram só tirando a dúvida com a conferência da carteirinha, outros alegaram que perderam o documento e acabamos fazendo a dose. Alguns, porém, realmente não estavam imunizados e nós aplicamos”, ressalta, enfatizando que a vacinação da febre amarela é feita para crianças a partir dos nove meses, jovens e adultos até os 59 anos.
Carla ressalta que apesar das doses extras aplicadas, não há alteração no estoque das vacinas tanto na Unidade 24 Horas quanto nas Unidades de Saúde dos bairros.
O Ministério da Saúde atualizou na terça-feira (23) as informações repassadas pelas secretarias estaduais de Saúde sobre a situação da febre amarela no país. No período de monitoramento (de 1º de julho de 2017 a 23 de janeiro de 2018), foram confirmados 130 casos de febre amarela no Brasil, sendo que 53 vieram a óbito. Ao todo, foram notificados 601 casos suspeitos, sendo que 162 permanecem em investigação e 309 foram descartados.
No ano passado, de julho de 2016 até 23 janeiro de 2017, eram 381 casos confirmados e 127 óbitos. Os informes de febre amarela seguem, desde o ano passado, a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão.
Fora de Risco
A região de Marechal Cândido Rondon, contudo, assim como o Paraná, não deve temer a ocorrência da doença. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o último caso de febre amarela autóctone confirmado no Paraná foi em 2008, em Laranjal, região central do Estado. Com relação a óbitos, os últimos também ocorreram no mesmo ano nas cidades de Maringá (caso importado) e Laranjal.
O Estado também realiza a vigilância do óbito de macacos e coleta de mosquitos. Apenas em 2017, foram investigados 182 pontos em 89 municípios, o que corresponde a 22,3% do território estadual. O último inquérito foi realizado no mês de dezembro e, até agora, todos os resultados foram negativos para a presença do vírus.
Diferente de outros Estados, o Paraná não está fracionando as doses da vacina contra a febre amarela e é necessária apenas uma dose para garantir a imunidade por toda a vida. A vacinação está disponível em todas as cidades paranaenses nas principais unidades de saúde. “A região de Marechal Rondon não é uma região endêmica, ou seja, não há casos de febre amarela registrados aqui, porém somos uma região de fronteira então essa, assim como outras vacinas, estão disponíveis nas Unidades de Saúde”, enfatiza a coordenadora da atenção básica da Secretaria de Saúde, Andreia Guissardi.
Atualmente, reforça ela, não há mais necessidade de fazer o reforço da vacina, por isso receber apenas uma aplicação da dose faz com que a pessoa esteja imunizada pelo resto da vida.
“Tanto o Ministério da Saúde quanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comprovaram este fato por meio de estudos e pesquisas e quem já tomou uma dose, independente da idade, está imunizado pelo resto da vida e não precisa refazer”, enfatiza.
No calendário de vacinação preconizado pelo Ministério da Saúde ao município, a dose contra a febre amarela deve ser aplicada em bebês ao completarem os nove meses de idade. A partir daí, a criança está livre da doença. “Mas nós também atendemos pessoas de outras localidades onde a vacina não é disponibilizada e que vêm para o município”, expõe.
O alerta principal da Sesa é para pessoas que residem em áreas de matas e rios ou que fazem atividades como trilhas, pesca e acampamentos. Quem for visitar esses locais ou áreas endêmicas deve procurar a unidade de saúde pelo menos dez dias antes da viagem.
“Esse é o tempo necessário para garantir a devida imunização contra a doença. Por isso a pessoa precisa de um planejamento e dez dias antes da viagem fazer a vacina”, pontua Andreia.
Além de se programar com a vacinação dez dias antes de visitar alguma área endêmica, viajantes internacionais precisam comprovar a imunização com o Certificado Internacional de Vacina ou Profilaxia. O documento é fornecido pela Anvisa e a Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém uma lista dos destinos que exigem a documentação.
Transmissão
Transmitida pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, a forma silvestre da doença é a variedade que ainda provoca surtos no Brasil – como o que está ocorrendo nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, na Bahia e algumas localidades de Goiás.
Todavia, também há a ocorrência da febre amarela urbana, transmitida pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. Apesar de não terem sido registrados casos da febre amarela urbana desde 1942 no país, é de extrema importância eliminar o criadouro do mosquito, já que evita tanto a ocorrência da dengue quanto da febre amarela.
“A população deve eliminar qualquer recipiente que acumule água, especialmente entulhos em terrenos baldios e nos próprios lotes das residências”, enfatiza Andreia, enaltecendo que são apenas os mosquitos Aedes aegypti infectados com o vírus da febre amarela e da dengue que transmitem as doenças aos seres humanos.
O ciclo silvestre presente no Brasil ocorre pelos macacos, que podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus sufi ciente para infectar o mosquito Haemagogus ou Sabethes. A transmissão aos seres humanos ocorre quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina é picada pelo mosquito. Ao contrair a doença, a própria pessoa pode se tornar fonte de infecção ao Aedes aegypti em meio urbano. Entretanto, uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra e nem o macaco transmite a febre amarela diretamente aos humanos.
Diferente do Aedes aegypti, não há forma de prevenção a proliferação dos mosquitos Haemagogus e Sabethes, já que estes são do meio silvestre e fazem parte da natureza, dependendo apenas deste meio para sua reprodução. “Para os rondonenses que já estão imunizados e querem prevenir a doença, deve-se eliminar os criadouros do Aedes aegypti, porque ele também pode ser um risco, tanto por conta da dengue, que é recorrente no município, quanto pela febre amarela, que pode ocorrer por esse vetor em meio urbano”, orienta Andreia.
Atenção gestantes e idosos
Alguns grupos, como gestantes, lactantes, idosos a partir dos 60 anos, pessoas em tratamentos como quimioterapia ou outras doenças que deprimem o sistema imunológico, como a Aids, além de bebês abaixo dos nove meses, não devem receber a vacinação sem passar pela avaliação médica por conta dos riscos de reações graves. As mães lactantes que tomarem a vacina antes de o bebê completar os nove meses também devem permanecer dez dias sem amamentar.
“A vacina é um vírus atenuado vivo e ao injetá-lo em uma pessoa que está com o sistema de defesa mais fraco, ela acaba não conseguindo combater as células por estar com o sistema de defesa suprimido. Pela carga viral ser muito pequena, o corpo vai entrar em contato com o vírus e ter as células para se defender dele, porém, para alguém que está com o sistema imunodeprimido, não vai conseguir combater o vírus e pode vir a desenvolver a doença ao invés de combatê-la”, alerta Andreia.
A proteção, tanto para esses grupos quanto para o restante da população, é eliminar o criadouro do mosquito e fazer o uso de repelentes. “Quem já foi vacinado não precisa fi car preocupado em tomar outra dose. Se quer fazer algo para não contrair febre amarela e dengue, o melhor é eliminar os criadouros do Aedes aegypti da sua residência e região em que mora”, conclui.
Cronograma de vacinas contra febre amarela
As Unidades de Saúde dos bairros e distritos funcionam das 07h30 às 11h30 e das 13 às 17 horas. Já a Unidade de Saúde 24 Horas está aberta das 08 às 18 horas para vacinação.
Segundas-feiras – Unidades de Saúde dos bairros Primavera e Vila Gaúcha
Terças-feiras – Unidade de Saúde 24 Horas
Quartas-feiras – Unidades de Saúde dos bairros São Lucas e Líder
Quintas-feiras – Unidades de Saúde dos bairros Alvorada e Augusto, e nos distritos de Porto Mendes, São Roque, Iguiporã, Bom Jardim e Novo Horizonte
Sextas-feiras – Unidades de Saúde 24 Horas, do bairro Marechal e dos distritos de Margarida e Novo Três Passos
