Além do corte de árvores, outro ponto que também está gerando debates no projeto de revitalização da Avenida Rio Grande do Sul, em Marechal Cândido Rondon, é o possível fechamento dos retornos. Por conta disso, o assunto também será alvo de discussão na audiência pública que será realizada no próximo dia 05, no auditório Ecos da Liberdade, a partir das 18h30.
Em meio a controvérsias e polêmicas, que até mesmo viraram motivo de debates nas redes sociais entre os rondonenses, está um ponto a ser analisado: a segurança do trânsito no município. Para isso, a reportagem do O Presente buscou ouvir autoridades do setor.
Na opinião do comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar, capitão Valmir de Souza, é preciso, antes de tudo, analisar que o trânsito rondonense vem crescendo há muito tempo e que a Avenida Rio Grande do Sul, além de ser uma via da própria cidade, também faz a transição entre outros locais da região. “O trânsito das cidades em geral é dinâmico e no caso específico da Avenida Rio Grande do Sul temos um trânsito regional e não somente local. Pessoas de outros municípios, como Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Santa Helena, Foz do Iguaçu, entre outros, transitam pela avenida para alcançar cidades como Guaíra, Toledo, Cascavel, Assis Chateaubriand, dente outras”, aponta Souza.
Para ele, levando em conta que o trânsito vem aumentando e se modificando mais a cada dia no município, são necessárias algumas alterações. “Acredito que com os retornos sendo fechados haverá menos transtornos aos usuários da via. Pelas próprias características do trânsito do município e do aumento do fluxo de veículos, há necessidade que essa mudança seja realmente efetivada”, declara o capitão, acrescentando que a questão precisa ser avaliada e a comunidade deve participar da discussão.
Contornos representam perigo
Na visão do comandante, não há viabilidade na permanência dos retornos, visto que há fluxo de veículos nos dois lados da via. “Se verificarmos grandes cidades que têm a engenharia de tráfego nesse sentido, elas não permitem esse retorno no canteiro central, justamente pelo perigo que representam”, argumenta.
Como a avenida contempla, em sua grande extensão, estacionamentos oblíquos, Souza ainda aponta que eles, aliados aos retornos, colocam ainda mais em xeque a segurança dos usuários da via. “Do lado direito da avenida é estacionamento, então as pessoas saem e entram nesses espaços a todo momento, e isso diminui a velocidade do fluxo no trânsito e ainda exige uma atenção redobrada. Se tiver um retorno do lado esquerdo, isso é mais um ponto de atenção, porque o fluxo de veículos deste lado acaba sendo prejudicado”, destaca Souza, reiterando que as pessoas precisam entender que o lado esquerdo da via necessita de um fluxo livre. “Mesmo assim, ainda terá que ter muita atenção por parte dos usuários da via, mas não na mesma proporção de quem trafega pelo lado direito, por exemplo”, completa.
Risco de acidentes
Outra questão levantada acerca dos retornos é de como estes podem ser potencializadores no risco de acidentes de trânsito. Segundo o capitão, muitas pessoas que vêm de outras cidades imaginam que terão no lado esquerdo da via um trânsito livre, no entanto, não é isso que elas encontram. “Na nossa cidade isso não acontece por conta dos retornos, visto que a pessoa terá que parar, consequentemente atrapalhará o fluxo para quem está na mesma via e ainda assim poderá causar um acidente para quem vem no sentido oposto”, observa Souza. “Em vista disso, é necessário o fechamento dos retornos para termos mais segurança no nosso trânsito”, complementa.
O comandante da PM ressalta ainda que somente o fato de potencializar o risco de acidentes já seria um motivo para eliminar os retornos, até por conta da mudança das vias e do fluxo de veículos. “Se pensarmos em Marechal Rondon há 15 ou 20 anos, os retornos eram plenamente aceitáveis, mas hoje essa é uma realidade que não é mais aceita. Temos números razoáveis de acidentes nos retornos e assim conseguimos perceber que eles atrapalham a visão, visto que, na maioria das vezes, o condutor de um veículo não consegue perceber uma motocicleta se deslocando pelo lado esquerdo da via e ao fazer o retorno acaba ocasionando uma colisão”, exemplifica.
Importante para alguns, nem tanto para outros
Indagado sobre a questão da retirada das árvores no canteiro central da cidade e o que isso influenciaria na questão da segurança no trânsito, Souza afirma que a questão da arborização precisa ser discutida junto à comunidade, que é quem recebe as mudanças. No entanto, ele faz uma ressalva e analisa que não se pode olhar apenas para os condutores dos veículos, mas sim para o trânsito em sua totalidade. “Não estamos falando somente dos motoristas, mas sim de todos os moradores da cidade, das pessoas que precisam, às vezes, ficar no sol o dia todo, por vezes trabalhar, além daquelas que não utilizam um carro como meio de transporte, apenas uma bicicleta. Tudo isso aliado ao próprio clima da cidade, que também deve ser levado em consideração. Para essas pessoas as árvores podem ser importantes”, enfatiza.
O comandante da PM diz que essa discussão precisa ser levada a efeito, visto que o fechamento dos retornos já seria uma forma de, talvez, evitar o corte das árvores. “A comunidade precisa se organizar e se posicionar de alguma forma. A discussão será forte e a polêmica é grande, mas nosso posicionamento é que os retornos devem ser fechados, por conta da própria segurança pública. Já a retirada das árvores deve ser algo amplamente debatido entre a comunidade e o Poder Público, afim de se chegar a um consenso”, entende.
O problema não são as árvores
O capitão salienta que se as pessoas respeitassem especificamente os limites de velocidade, acidentes da proporção e da natureza que foram registrados nos últimos dias, alguns, inclusive, com mortes, não aconteceriam. “Se as árvores são um problema, então também teríamos que tirar os carros, os pedestres e os prédios da via, porque em uma avenida onde em alguns trechos a velocidade permitida é 60 km/h e outros 40 km/h, acredito que isso não deveria acontecer”, ressalta Souza.
Segundo ele, em uma via de 40 km/h não é preciso tirar árvores, placas de trânsito ou os pedestres da via para que acidentes sejam evitados. “São argumentos que não podem ser justificados pelo simples fato das pessoas não conseguirem respeitar os limites de velocidade”, pontua.
Uma visão mais ampla
Na opinião de Souza, na maioria das vezes, as pessoas que discutem a questão do trânsito têm somente uma visão: a do motorista, sendo que a abrangência, segundo ele, deveria ser maior. “Hoje, por exemplo, em uma reunião sobre trânsito, a maioria das pessoas que participam utilizam veículos para a sua locomoção. Não temos pessoas que andam a pé ou de bicicleta, ou se andam, é por hobby e não por necessidade”, menciona. “Há muitas pessoas falando que os pedestres, ciclistas e os motociclistas não respeitam o trânsito, mas isso porque essas pessoas veem o mundo apenas pelo lado do veículo”, conclui o capitão.
Problemas do trânsito
O comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Tiago Zajac, diz que, além dos retornos, uma grande parte dos acidentes que acontecem na Avenida Rio Grande do Sul são decorrentes da má sinalização das rotatórias, aliada aos problemas de estacionamento, principalmente os oblíquos, que tiram totalmente a visão dos motoristas. “O fechamento dos retornos é algo que estará impactando diretamente na segurança do trânsito, visto que não vamos mais ter veículos parados em fila dupla, sem sinalização adequada, e isso reduzirá o número de acidentes, no entanto volto a frisar que o maior problema hoje no trânsito rondonense e que resulta em acidentes é o mau uso das rotatórias, além dos estacionamentos oblíquos que, muitas vezes, são utilizados por veículos de grande porte e acabam tirando a visibilidade dos outros motoristas”, enfatiza Zajac, salientando ainda que pessoas de outros municípios também usam a Avenida Rio Grande do Sul e algumas não conhecem a dinâmica da via. “Essa questão, aliada a toda essa conjuntura citada anteriormente, vem a favorecer o risco de acidentes de trânsito naquele perímetro”.
Em relação aos acidentes que envolvem colisões contra as árvores ou outros anteparos, Zajac comenta que acidente em si normalmente é ocasionado por um terceiro motivo, geralmente a imprudência do motorista, a alta velocidade, falta de sinalização ou até mesmo a falta de respeito à sinalização, tanto horizontal quanto vertical. “O acidente contra um anteparo é consequência de uma falha anterior, não dá para culpar somente e diretamente as árvores”, frisa.
Ainda sobre os retornos ou as árvores ofertarem riscos de acidentes na avenida, Zajac entende que não cabe ao Corpo de Bombeiros fazer uma investigação profunda após o acidente, buscando a causa do mesmo. “Em um acidente nós iremos fazer o resgate da vítima ou retirada das vítimas presas, caso tenha. No entanto, não podemos afirmar que a responsabilidade dos acidentes é a falta de visibilidade por conta das árvores ou por conta dos retornos. O que na maioria das vezes acontece e é algo visível para toda população é que os carros acabam bloqueando a passagem de outros, por vezes sem a sinalização adequada, e isso acaba gerando os acidentes”, aponta.
Ciclovias
Outra questão bastante discutida nos assuntos relacionados à revitalização da Avenida Rio Grande do Sul são as ciclovias. “Muito se debateu que utilizariam a Rua Santa Catarina para desviar o fluxo de bicicletas na avenida, mas, na minha opinião como cidadão rondonense, ninguém vai deixar sua bicicleta na Rua Santa Catarina e ir a pé até a avenida. Devido a isso, o fluxo de bicicletas vai continuar o mesmo na avenida e os acidentes continuarão acontecendo, podendo até aumentar por conta, novamente, do estacionamento oblíquo e da má utilização da via pelo próprio ciclista”, ressalta Zajac.
Além disso, o comandante declara que os cruzamentos também são perigosos e palcos de constantes acidentes. “Muitas das vezes as pessoas atravessam apenas uma parte da avenida e ficam paradas no meio do canteiro, bloqueando as duas pistas e colocando em risco quem está trafegando pela via”, menciona.
Zajac reitera ainda que atualmente, para o Corpo de Bombeiros, o que se faz necessário é uma melhor sinalização das rotatórias, visto que as pessoas que trafegam pela avenida acreditam que estão na preferencial. “A preferencial é de quem está no giro da rotatória e, além disso, temos a questão do estacionamento oblíquo, que hoje é o causador de grande parte dos acidentes de trânsito em Marechal Rondon”, ressalta.