
Em comemoração à data, amantes dos clássicos se reúnem domingo (22) na Associação Atlética Banco do Brasil, em Marechal Rondon
Ele está presente na memória afetiva de grande parte dos brasileiros. O fusquinha foi um dos carros mais populares do século 20 e, até hoje, possui uma legião de adoradores. Em Hollywood, foi personagem principal em filmes da franquia Herbie, os mais famosos Se Meu Fusca Falasse, de 1968, e, mais recentemente, em Meu Fusca Turbinado, que apresentou, através da atriz Lindsay Lohan, a paixão pelo veículo para crianças e adolescentes da geração 2000.
Nesta sexta-feira (20) é comemorado o Dia Nacional do Fusca. A data foi criada pela Volkswagen, fabricante do automóvel, na década de 80. O carro se tornou popular pela praticidade e fácil manutenção, o que resultou em preço baixo. Por isso, ele conquistou o título de carro mais vendido no mundo, com 21 milhões de unidades comercializadas nos 75 anos de existência.
Somente no Brasil, o automóvel foi líder de mercado por 24 anos seguidos e vendeu 3,1 milhões de unidades. Amado por muitos, o primeiro Fusca foi fabricado oficialmente pela Volkswagen a pedido de Adolf Hitler, em 1935. O compacto chegou ao Brasil somente 15 anos depois, conquistando a admiração de várias pessoas. Este é o caso do rondonense José Carlos dos Santos, de 23 anos, que trouxe de berço o gosto pelo Fusca. Meu pai tinha um Fusca ano 65 antes mesmo de eu nascer, depois ele trocou por um mais novo, ano 80, logo e seguida veio, também, uma Kombi, lembra.
Para o jovem, crescer ao lado do veículo reforçou o interesse e a fascinação pelo Fusca. Muitos tiveram ou ainda têm o Fusca como o primeiro carro da vida, principalmente os homens, que gostam de carros antigos e começam a ganhar gosto pela coisa, comenta.
Hoje o rondonense guarda não somente na garagem, mas também em seu coração dois modelos de Fusca: um ano 1963 e outro 1973. Ele diz que começou a se apaixonar por esse mundo no ano de 2011, quando ingressou no grupo Amigos do Fusca, em Marechal Cândido Rondon. Eu comprei o Fusca 1973 em março de 2011, ele estava feio e mal pintado, então, para, deixá-lo mais bonito esteticamente, mandei pintá-lo, conta.
De acordo com José, a influência de seu pai foi decisiva para despertar esse gosto pelo automóvel. Fui convidado, na época, pelo namorado de uma prima para conhecer e participar do grupo. Como meu pai já tinha Fusca e Kombi, eu cresci nesse mundo e aprendi que todos os veículos têm sua história, relembra José, que ainda declara que todos conhecem o Fusca por onde ele passa. Podem não gostar, mas conhecem, diz.
Investimentos
Se engana quem acha que essas relíquias não custam mão de obra e despesas para seus donos. José menciona que comprou o Fusca ano 73 pelo valor de R$ 2,2 mil, enquanto que o Fusca 63 custou R$ 5,4 mil, sem o motor. Minhas despesas com o Fusca 73 chegaram a somar a quantia de R$ 10 mil, contando que fiz troca de rodas e pintura, declara.
O Fusca ano 63 por ser mais antigo tem suas peças a um valor mais alto. Mesmo não reformando ele, o que já gastei em manutenção passa de R$ 12 mil, ressalta.
Em 2014, porém, o Fusca ano 73 de José pegou fogo, restando apenas o motor, rodas e chassi. Mas paixão pelo veículo é tamanha que mesmo após todo o investimento anterior, ele resolveu restaurar o veículo. Comprei carroceria nova e comecei a montá-lo novamente. Fiz toda parte elétrica e mecânica, troquei os pneus, coloquei bancos novos e originais, enfim, foi uma restauração completa, destaca.
Somente no Fusca ano 73, se contado todo o dinheiro gasto quando José o adquiriu, mais o valor da reforma após o incêndio, o valor investido somou cerca de R$ 13 mil.


Valor sentimental
Após tanto investimento e dedicação aos veículos, fica difícil abrir mão de algum deles. Indagado sobre a possibilidade de vender os Fuscas, José diz que até venderia, caso achasse outro Fusca ou uma Kombi mais antiga, mas que de forma alguma conseguiria ficar sem um Fusca. A ferrugem desses carros já entrou no sangue, brinca.
Para o rondonense, há pessoas que compram o carro para faturar em cima do valor que está em alta no mercado, enquanto outros compram porque realmente gostam do veículo. Quem, assim como eu, cresceu ao lado desses veículos, não quer que eles virem sucata, afirma.

Encontro
Em comemoração ao Dia Nacional do Fusca ocorre no domingo (22) um encontro entre os adoradores e colecionadores do veículo, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em Marechal Cândido Rondon.
O organizador do evento, Ronie Peres Peres, estima que em torno de 60 pessoas irão participar do evento, que contará com a presença de outros municípios como Foz do Iguaçu, Cascavel e São Miguel do Iguaçu. Nosso intuito é fazer um encontro para reunir os amigos para conversamos sobre os veículos e viagens que fizemos ou que planejamos realizar, declara.
Segundo Ronie, a partir das 09 horas haverá a concentração no local, ao meia-dia será servido o almoço e após as 14 horas será aberto à visitação do público que queira conferir os modelos mais clássicos e tradicionais, não somente de Fuscas, mas também de Kombis e Brasílias.
O lucro arrecadado com o evento será revertido ao Asilo Lar Rosas Unidas.

Primeiro da história
O Volkswagen Fusca foi o primeiro modelo de automóvel fabricado pela indústria alemã Volkswagen. Também foi o carro mais vendido no mundo, ultrapassando em 1972 o recorde que pertencia até então ao Ford Modelo T. O último modelo do Fusca foi produzido no México em 2003.
A história do Fusca é uma das mais complexas e longas da história do automóvel, e tem muitos mistérios. Seu projeto envolveu várias empresas e até mesmo o governo de seu país, e levaria à fundação de uma fábrica inteira de automóveis no processo.
Em 1931, a Alemanha era assolada por uma dura recessão e tinha um dos piores índices de motorização da Europa. A maioria de suas fábricas produziam carros de luxo, montados à mão, e muito caros.
Por isso a ideia de um carro pequeno, econômico e fácil de produzir. Era o conceito do Volks Wagen, expressões alemãs que traduzem a ideia do carro popular.
Em 1950, o Fusca começou a ser importado para o Brasil. Em 11 de setembro daquele ano, 30 Volkswagen chegaram ao porto de Santos. O modelo importado era o Split Window. Daí em diante o carro se tornou um sucesso, até 1986, quando a Volkswagen desistiu de fabricá-lo no Brasil.
Em 1993, o então presidente Itamar Franco sugeriu e a empresa voltou a fabricar o modelo. Surgiu assim a Lei do Carro Popular, com isenção de impostos para os carros com motor 1.0 e refrigeração a ar.
Em 1996 foi fabricada no Brasil uma série especial denominada Série Ouro, e a partir daí ele só seria produzido no México.
Hoje, em todo o Brasil, o Dia do Fusca é comemorado com eventos e festas realizadas por amantes e colecionadores do modelo.
