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Polícia aponta redução no número de homicídios na comarca rondonense

calendar_month 10 de outubro de 2017
7 min de leitura

Marechal Cândido Rondon e os outros quatro municípios que integram a comarca registraram queda de 61% no número de homicídios em comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a setembro de 2016 foram registrados 13 homicídios, enquanto que no mesmo período deste ano o número caiu para cinco.

Conforme o relatório divulgado pela Polícia Civil, até dezembro de 2016, 16 homicídios foram registrados na comarca rondonense, sendo Marechal Cândido Rondon o município com a maior taxa (11), seguido de Nova Santa Rosa, com três, Mercedes, um, e Quatro Pontes, também um. Já neste ano, até o mês de setembro, foram contabilizados três homicídios em Marechal Rondon, um em Nova Santa Rosa e um em Quatro Pontes.

Para o delegado de Polícia Civil de Marechal Rondon, Diego Valim, a comparação entre os dois anos evidencia uma queda acentuada no número de homicídios consumados registrados da comarca. O motivo, segundo ele, seria o êxito das investigações por parte da polícia, bem como a união das forças de segurança atuantes na comarca. “As investigações bem-sucedidas dos homicídios ocorridos no ano passado fizeram com que os criminosos repensassem antes de cometer algum crime, e isso devido ao fato de estarmos dando uma resposta rápida com as investigações”, destaca Valim, acrescentando: “Além disso, o auxílio do trabalho ostensivo da 2ª Companhia de Polícia Militar e do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), que se fizeram mais presentes na comarca, inclusive com a realização de operações, ajudou a coibir a criminalidade”.

Dos 16 homicídios registrados no ano passado na comarca, a maioria tinha envolvimento direto com drogas e a disputa de território para o tráfico. “Grande parte dessas ocorrências podem ser atribuídas a dois grupos rivais que estavam em conflito por conta do tráfico”, diz Valim.

 

Casos isolados

Os três homicídios registrados neste ano ocorreram nos meses de fevereiro, março e julho e, diferentemente de 2016, não foram motivados pelo tráfico de drogas. “Foram casos isolados, motivados por brigas e desentendimentos e que acabaram resultando nos homicídios”, conta o delegado.

O primeiro crime, no dia 04 de fevereiro, vitimou um homem de 40 anos. A vítima foi morta com um golpe de faca após uma discussão em uma lanchonete no centro da cidade. Cinco pessoas suspeitas de envolvimento no crime foram detidas.

O segundo caso também envolveu um homem de 40 anos que foi encontrado morto e com o corpo em estado de decomposição em uma plantação no Loteamento Avenidas, no dia 08 de março. Após investigações, a polícia prendeu dois suspeitos de serem os autores do homicídio, sendo um jovem de 22 anos e um homem de 30 anos.

Já o terceiro homicídio teve como vítima um jovem de 20 anos, que morreu após ser espancado e esfaqueado em frente à residência onde morava, na madrugada do dia 24 de julho. Um jovem de 19 anos foi preso suspeito de ser o autor do crime. A motivação do crime, de acordo com a polícia, seria passional.

Em relação aos demais crimes, o delegado afirma que grande parte já está elucidada e com os autores indiciados.

Embora os números sejam positivos, Valim afirma que, com o crescimento da população, a tendência é o aumento da criminalidade. “Em diversas outras cidades do Paraná os números de homicídios foram maiores, então isso comprova que aqui na comarca vem sendo executado um bom trabalho, em conjunto com todas as forças de segurança, e que acarretou nessa diminuição acentuada”, enaltece, emendando: “Mas não quer dizer que isso ocorra no Estado todo, até mesmo porque em algumas cidades vemos que houve aumento significativo nos casos de homicídios”. 

 

Trabalho eficaz

Na visão do comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar, capitão Valmir de Souza, a ação efetiva das forças de segurança empenhadas em rapidamente atuar no combate aos crimes contra a vida, no sentido de realizar as prisões em flagrantes quando possível, é um dos fatores responsáveis pela diminuição no número de homicídios. “Além disso, buscar identificar os criminosos que perpetraram os delitos, por meio das investigações, é a maneira mais adequada de darmos uma resposta e conseguirmos a diminuição desses índices”, diz.

Para Souza, o trabalho da Polícia Militar nesses casos específicos é identificar pontos que possam trazer riscos às pessoas. “As abordagens realizadas pelos policiais militares na tentativa de encontrar pessoas armadas também é um fator recorrente para que possamos diminuir os índices de criminalidade, principalmente os homicídios”, afirma.

 

Tipificação dos crimes

O comandante menciona que a maioria dos casos de homicídios registrados no município são relacionados a desavenças pessoais, muitas vezes por conta do uso de drogas ou até mesmo com o envolvimento em crimes de furtos e roubos. A associação a estes crimes potencializa as chances de uma pessoa ser vítima de homicídio, mas, segundo Souza, há ressalvas por parte da Justiça. “A policia traz uma resposta dizendo por qual motivo o crime ocorreu, mas em alguns casos a motivação pode ser entendida pelo Tribunal do Júri, por exemplo, como legítima defesa, e se assim for, não pode ser considerado um crime”, explica.

De acordo com capitão, depois das investigações a tipificação de um determinado crime pode mudar ou até mesmo comprovar a inexistência do mesmo. “Já tivemos situações no município que deixaram de ser consideradas como roubos e passaram a ser uma falsa anunciação do crime ou até mesmo uma contravenção”, relata.

 

Sensação de insegurança

Mesmo com a taxa de homicídios baixa, Souza diz que os crimes dessa natureza não refletem necessariamente uma sensação de insegurança, pois, dependendo da cidade, essa insegurança é menor que a gerada com a prática de roubos, por exemplo. “Porque em uma determinada cidade, num plano real, para morrer em uma situação de homicídio, somente se a pessoa estiver envolvida com tráfico de drogas ou até mesmo contrabando. As estatísticas mostram que pessoas vítimas de homicídios em sua grande maioria estavam envolvidas com tráfico de drogas, roubos ou demais crimes”, salienta.

“A percepção que a comunidade tem nesse local é que não estando envolvido com roubos, trafico e contrabando a possibilidade de morrer é muito pequena, mas a de ser roubado é muito maior’, complementa.

O comandante embasa seu argumento no alto número de roubos de caminhonetes ocorridos nos últimos meses no município. “Nesse sentido, para quem tem esse tipo de veículo, a sensação de segurança vai ser menor do que para aqueles que possuem veículos mais populares”, enaltece.

Comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar, capitão Valmir de Souza: “As abordagens realizadas pelos policiais militares na tentativa de encontrar pessoas armadas também é um fator recorrente para que possamos diminuir os índices de criminalidade, principalmente os homicídios”

 

 
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