Nas últimas semanas, os casos de assaltos com reféns registrados em Marechal Cândido Rondon voltaram a assombrar a comunidade. A exemplo do que já aconteceu no mês de abril deste ano no município, assaltantes estão roubando veículos, entre eles caminhonetes, e, durante a ação, levando os proprietários como reféns, os quais são posteriormente deixados em alguma estrada rural, no interior do munícipio ou da região.
Três casos como este foram registrados na semana passada, sendo que o primeiro assalto ocorreu na noite do dia 13, quando um agricultor foi levado como refém e amarrado nas proximidades de uma estrada rural que dá acesso ao distrito de Novo Horizonte, no interior de Marechal Rondon. Conforme a vítima relatou à Polícia Militar, ela estava se dirigindo para a sua residência, no interior do distrito de Iguiporã, quando observou um veículo Honda Civic com o porta-malas aberto e parou imaginando que os ocupantes estariam precisando de ajuda. No entanto, quando abaixou o vidro de seu veículo para perguntar o que havia acontecido, o agricultor acabou sendo rendido por dois elementos armados, que embarcaram no veículo e o levaram como refém. Enquanto isso, um terceiro integrante saiu do local com o Civic utilizado durante a ação criminosa.
Os assaltantes levaram o agricultor até uma estrada rural, no interior do distrito de Novo Horizonte, onde o deixaram amarrado e vigiado por um quarto integrante da quadrilha. Aproximadamente uma hora após o início do assalto, a vítima foi liberada a pé e o homem que a vigiava fugiu em uma motocicleta.
Além do veículo Kia Sorento, os assaltantes roubaram em torno de R$ 450 em dinheiro e o celular da vítima. No dia seguinte, uma equipe do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) encontrou o veículo incendiado entre Mercedes e Guaíra. A polícia acredita que o incêndio tenha sido proposital, como forma de os bandidos despistarem as forças de segurança, com medo de que fossem identificados ou localizados.
No dia seguinte (14), mais um assalto mobilizava a Polícia Militar de Marechal Rondon. Desta vez, a ação criminosa aconteceu enquanto um casal saía de uma residência, localizada na Rua Alecrim, com um veículo Ecosport, de cor vermelha e placas de Quatro Pontes. Eles foram surpreendidos por dois indivíduos, um deles encapuzado, que anunciaram o assalto. Segundo informaram à polícia, o homem teria sido obrigado a dirigir em direção a Guaíra e, após alguns quilômetros, o bandido que estava encapuzado ordenou que ele parasse o veículo e assumiu a direção. Posteriormente, o casal foi deixado em uma estrada rural, nas proximidades de Guaíra, enquanto que os assaltantes retornaram para a BR-163. Mesmo estando com seu celular, o homem não conseguiu ligar para pedir ajuda. Sendo assim, o casal caminhou até a rodovia, onde avistou uma viatura policial e foi conduzido até a Polícia Militar de Guaíra.
Após os dois assaltos praticados em sequência, criminosos voltaram a agir no último domingo (18). No entanto, desta vez o crime foi praticado por seis homens armados, que invadiram uma residência localizada no Loteamento Lajeado Bonito, próximo ao Jardim Primavera.
Durante a ação criminosa, um casal foi rendido por dois elementos armados, enquanto os outros quatro comparsas reviravam a casa e também furtaram dois automóveis e foram até um posto de combustível para abastecer. Na sequência voltaram para pegar os outros dois assaltantes que estavam na residência ameaçando as vítimas. Eles roubaram dois veículos, sendo uma caminhonete S10 de cor preta e placas BBC-9722, e uma EcoSport de cor preta com placas AOS-7071. Ambos os veículos têm placas da cidade. Os assaltantes também levaram diversas joias, celulares, carteiras contendo dinheiro e documentos pessoais, além de todas as chaves da residência.
Investigações apontam suspeitos
De acordo com o delegado de Polícia Civil de Marechal Rondon, Diego Valim, as vítimas dos três assaltos já foram ouvidas e agora os investigadores tentam buscar algumas imagens de câmeras de segurança que tenham registrado os crimes, para que possam orientar as investigações. “Ainda não temos uma linha de investigação certa, visto que as informações estão desencontradas. No entanto, já temos alguns suspeitos e estamos buscando estabelecer ligação com os crimes”, declara Valim.
Segundo ele, não há nenhuma informação concreta de que seja o mesmo grupo que tenha praticado os três assaltos na cidade, visto que o modus operandi utilizados nos crimes foram distintos, e até mesmo o último assalto foi praticado por seis pessoas, ao contrário dos demais. “Pode ser que sejam os mesmos bandidos, mas que mudaram a forma de agir justamente para despistar a polícia. Não descartamos a hipótese de que sejam alguns dos assaltantes foragidos de Guaíra, que já estão com mandados de prisão expedidos por conta dos roubos de caminhonetes, também com reféns, ocorridos no mês de abril em Marechal Rondon”, revela o delegado.
Valim explica que a suspeita é baseada no fato de que o rastreador da caminhonete que foi levada no último assalto indicou que ela teria sido levada para o distrito de Oliveira Castro, em Guaíra, de onde é um dos foragidos.
Dificuldades na identificação
O fato dos locais onde os crimes aconteceram não terem câmeras de segurança, que registrassem a ação dos assaltantes, está dificultando o trabalho de identificação por parte da Polícia Civil. “Acreditamos que os bandidos tenham estudado os locais e escolhido aqueles que não tivessem nenhum circuito de segurança por perto”, menciona Valim.
De acordo com ele, os investigadores procuraram as vítimas dos assaltos e mostraram fotos de alguns suspeitos, no entanto elas não conseguiram fazer o reconhecimento, e isso está dificultando o trabalho de investigação.
Ainda conforme o delegado, o destino final dos veículos roubados é o Paraguai, pela facilidade de deslocamento. Lá, segundo ele, os veículos normalmente são trocados por drogas ou vendidos por um valor menor. “O intervalo de tempo entre a prática do assalto até o momento em que as vítimas acionam a polícia é o período que os assaltantes precisam para levar o veículo até Guaíra ou para algum porto e atravessar para o Paraguai”, menciona Valim.
Ele comenta que logo após os assaltos, as equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) foram imediatamente informadas. Por conta disso, acredita que seja difícil os bandidos passarem pela Ponte Ayrton Senna sem serem identificados. “Continuaremos com as investigações, buscando identificar os suspeitos e assim poder representar junto ao Poder Judiciário pela prisão dos mesmos”, ressalta.
Trabalho conjunto
A Polícia Civil, conforme afirma o delegado, está trabalhando em conjunto com a Polícia Militar, que vem desenvolvendo operações visando coibir a criminalidade no município. “Quando essas operações são realizadas, chegam bem menos ocorrências para a Polícia Civil, então vemos que as operações realmente inibem a prática dos crimes”, afirma Valim.
Para ele, o trabalho conjunto traz resultados mais efetivos e uma maior sensação de segurança e tranquilidade à população. “Não conseguiremos acabar com a criminalidade, mas podemos diminuí-la”, conclui.