
A caderneta de poupança sempre foi preferência nacional em aplicações financeiras pela facilidade de investir. Desde criança, os pais incentivam seus filhos a depositarem moedas nos porquinhos ou guardarem uma parte da mesada para uma eventual necessidade ou desejo de consumo, e é desde a primeira infância que algumas pessoas adquirem o hábito de ter uma reserva financeira. Além de ser um investimento simples, aplicar em uma poupança é o xodó dos brasileiros há anos pelo fato de não haver desconto de imposto de renda, no entanto, os juros mais altos registrados nos últimos anos levaram os contribuintes a prestarem atenção em outros tipos de investimento.
O fator cultural também ajuda a explicar por que alguns povos poupam mais ou menos que outros. De acordo com o gerente do Sicoob Marechal, Élcio Heidrich, o público de Marechal Cândido Rondon e de parte da microrregião é bastante conservador, por isso dificilmente destina parte dos recursos para um investimento de risco. Percebe-se até como característica cultural, já que há uma parcela significativa da população que tem a descendência de povos alemães e italianos, de sempre ter uma reserva, o que gera uma segurança e conforto para uma eventual necessidade, expõe.
Ao contrário do cenário nacional, no qual em 2016 houveram mais saques das cadernetas de poupança do que novos depósitos, Heidrich destaca que no Sicoob Marechal houve um crescimento próximo dos 10% no número de aplicações na modalidade – mesmo percentual que cresceu o volume de novas poupanças na cooperativa de crédito no ano passado. Também tivemos um investimento considerável na modalidade de RDC (Recibo de Depósito Cooperativo), que é muito utilizado no Sicoob. É um produto similar ao CDB, que tem a rentabilidade atrelada ao CDI, então conforme varia o percentual do CDI, varia também a rentabilidade do investimento que o cooperado faz, diz, ao explicar que o RDC pode oferecer uma rentabilidade maior que a caderneta de poupança ao investidor.
O gerente menciona que o Sicoob busca fomentar o produto RDC, que é similar ao CDB, já que dessa forma o produto é gerido pela própria cooperativa, enquanto que a caderneta de poupança é um fomentador das linhas de crédito rural, mas o recurso é direcionado ao banco, que fica lotado no Bancoob, e não sendo gerido pela singular – o Sicoob.
Migração gradual
Apesar de ser um dos produtos mais populares em termos de investimentos tanto pelo fator cultural quanto pelo benefício de não ter tributação, o diretor de negócios da Sicredi Aliança PR/SP, Gilson Metz, avalia que em Marechal Cândido Rondon há uma migração gradual para outros tipos de investimentos mais rentáveis para o aplicador. Investidores que têm um pouco mais de qualificação, que aplicam valores maiores, têm entendido que existem aplicações mais rentáveis e seguras do que a caderneta de poupança, informa, ressaltando que os pequenos aplicadores, contudo, ainda têm preferência pela poupança.
Conforme Metz, nos últimos quatro anos, o Sicredi teve um crescimento de 156% na caderneta de poupança, saindo de R$ 39 milhões para uma carteira de R$ 72 milhões. Comparando com os demais investimentos, nos depósitos à vista e a prazo, o crescimento foi de 174%, partindo de R$ 152 milhões para mais de R$ 321 milhões nos últimos quatro anos. Ou seja, mesmo a poupança crescendo, sendo uma aplicação bastante procurada, o crescimento em outras linhas foi maior, o que mostra que as pessoas têm procurado investimentos mais rentáveis, avalia.
Na visão do diretor de negócios da Sicredi Aliança PR/SP, este é um produto que tem a tendência de continuar crescendo pela popularidade e pela capilaridade, porém o investidor que se atenta aos pequenos detalhes e que olha o rendimento como um todo tem dado preferência a outras aplicações. Mas dentro do modelo que o Sicredi opera, a poupança ainda continua sendo um investimento que tem uma boa aceitação. A exemplo cito os dados que o próprio Banco Central evidenciou em 2016, quando o mercado teve uma perda significativa, foram R$ 50 bilhões de decréscimo em carteiras nos últimos dois anos. Ter mais resgates do que aplicações é um fato histórico, enquanto que no Sicredi houve um movimento contrário e a carteira de poupança cresceu significativamente em todo o país, lembra.
Longe dos riscos
Quando o assunto são investimentos mais arriscados, como em ações na bolsa de valores, mesmo que garanta um melhor rendimento ao aplicador, a maior parcela dos investidores da região prefere fugir do risco. Este é um produto destinado a aplicadores que têm um amparo para suprir perdas que possam vir, e a nossa região não tem uma característica tão forte para esse tipo de investimento como a de São Paulo, por exemplo, diz Metz.
Segundo o diretor de negócios do Sicredi, investimentos arriscados, como em fundos de ações, são voltados para pessoas com um bom conhecimento do mercado, já que a aplicação pode tanto render muito acima da média das demais aplicações, como também – por situações externas não previstas – ter um rendimento negativo. Apesar de não ser a característica da região, esse tipo de investimento tem crescido nos últimos anos, especialmente por pessoas mais bem informadas, mais qualificadas nesse aspecto, destaca.
Heidrich avalia que na carta de cooperados do Sicoob a proporção de investidores que teriam pretensão de investir em alguma atividade de risco o percentual chegue, no máximo, a 2%, mesmo que garanta uma rentabilidade maior em longo prazo. Eles primam pela liquidez e segurança. Muitas vezes o investidor deixa de ter a pretensão de uma rentabilidade um pouco maior e prioriza a liquidez e a segurança do investimento, conclui.