O Presente
Marechal

Presença de aranhas em residências assusta rondonenses

calendar_month 9 de maio de 2017
9 min de leitura

 

A baixa nos termômetros registrada nas últimas semanas não tem despertado os rondonenses somente para retirar as roupas de lã e cobertores dos armários. Com o frio batendo à porta, as aranhas de diversas espécies que vivem normalmente distantes das casas, em matagais e terrenos baldios, partiram em busca de locais mais seguros e secos para passar a temporada mais gelada do ano.

Há algumas semanas, a moradora do Loteamento Maioli, Tayara Aline Franke, deparou-se com uma aranha armadeira na lavanderia de sua casa. “Estava tirando algumas roupas da máquina e quando olhei para o lado dei de cara com aquele bicho enorme. Eu travei, não consegui ter nenhuma reação, fiquei em pânico”, conta.

Como a porta estava aberta, Tayara explica que a aranha ficou presa entre a parede e o vidro. “Usamos veneno em spray e fomos abrindo a porta até que ela caiu e meu noivo conseguiu matar, mas alguns dias depois outra aranha que não conseguimos identificar apareceu no jardim. Esta não conseguimos matar”, diz, contando que na semana passada mais uma visitante indesejada deu as caras na garagem de sua casa. “Temos um grupo em uma rede social com os vizinhos aqui do bairro e muitos estão relatando o aparecimento de aranhas nas casas, inclusive mães que encontraram aranhas dessa espécie no quarto das crianças. É uma reclamação geral do nosso bairro porque há muitos terrenos baldios com muito mato e entulho. Os moradores estão bastante preocupados, especialmente os que têm crianças”, comenta.

Com a foto da aranha armadeira, Tayara notificou o caso junto ao órgão competente na prefeitura e também buscou auxílio de um amigo biólogo para confirmar a espécie do animal. “A foto não está muito nítida. O ideal, segundo ele, é ter o animal mesmo, mas ele acredita que seja realmente uma armadeira e orientou a tomar muito cuidado porque ela é perigosa e que de onde saiu essa deve ter mais”, conta. “Ele até me questionou se naquele momento estava chovendo. Eu lembro que não, mas cerca de duas horas depois que encontramos a aranha deu uma chuva bem forte, então acreditamos que ela estava procurando abrigo em algum lugar seco”, declara.

 

Espécies mais comuns

De acordo com o coordenador da Vigilância Sanitária de Marechal Cândido Rondon, o médico veterinário Daniel Cotrim Garcia, a aranha armadeira encontrada pela rondonense está entre as quatro espécies mais comuns – e mais perigosas – que podem ser localizadas em nossa região. Além da Phoneutria, nome científico da aranha armadeira, a Lycosa erythrognatha (aranha de jardim), a Latrodectus (viúva negra) e a Loxosceles (aranha marrom) estão na lista das espécies que comumente vistas no Oeste paranaense. “Da aranha marrom já foram registrados alguns casos de animais encontrados na região, mas nenhum em Marechal Cândido Rondon. Normalmente essa espécie tem maior incidência na região metropolitana de Curitiba, seguida de Ponta Grossa, Irati e Pato Branco”, informa.

Diferente das demais, a aranha armadeira é a mais agressiva e também possui uma das picadas mais doloridas. Cotrim explica que normalmente essa espécie tende a se defender de uma possível agressão se armando e pulando em cima do que ela quer atacar. “Se ela sentir-se acuada ela vai atacar, e a picada é bastante dolorida, sendo a peçonha da armadeira uma das mais fortes que existem”, ressalta o veterinário, dizendo que tanto para os humanos quanto para animais domésticos, dependendo do estado geral do paciente, da idade da vítima da quantidade de peçonha inoculada e da demora na busca por atendimento médico, a picada da aranha armadeira pode ser fatal.

Das quatro espécies, a mais fácil de ser identificada de acordo com Cotrim é a viúva negra, já que ela possui uma espécie de ampulheta desenhada em seu abdome. “Se for possível da pessoa virar a aranha, sem colocar-se em risco, é claro, será muito fácil de identificar pelo desenho. Algumas são marrons, outras pretas, mas todas são da família da viúva negra”, aponta.

 

Acidentes

Assim como Tayara, diversos outros moradores do município têm se deparado com aranhas de diferentes espécies e tamanhos dentro de suas residências nas últimas semanas, porém nem sempre notificam a Vigilância Sanitária sobre o caso já que conseguem exterminar o animal. Conforme Cotrim, a infestação ocorre provavelmente por conta das oscilações de temperatura e devido à época de acasalamento que vai de março a abril. “Até mesmo quando cortamos a grama algumas aranhas aparecem dentro de casa para fugir do ambiente que não está favorável a ela naquele momento, e a mesma coisa acontece na questão do clima: quando esfria, a aranha busca um lugar um pouco mais quente”, explica. “Se ela está em um terreno em meio ao mato ou entulhos, que é onde normalmente esses animais ficam, quando as temperaturas caem, eles buscam lugares mais seguros com temperaturas mais amenas, que geralmente são nas residências, e é ai que ocorrem os acidentes”, completa.

Caso ocorra algum acidente e uma pessoa for picada por uma aranha independentemente da espécie, o co-

ordenador da Vigilância Sanitária salienta a importância em tentar capturar o animal e levá-lo junto quando procurar atendimento médico – que deve ser imediato. “Desta forma o animal pode ser identificado e aplica-se um soro específico para aquela espécie de aranha”, expõe o veterinário.

Se não for possível capturar o animal, mas se a picada da aranha for uma certeza, o médico fará uma avaliação de quais sintomas a pessoa apresenta, e essas informações serão confrontadas com uma tabela de soros específicos. “Existe também um soro geral que abrange todas as espécies de aranhas, mas o ideal é aplicar o soro de acordo com a espécie de animal que picou porque essa tabela indicará a quantidade de soro pelos sintomas que a pessoa apresenta”, menciona Cotrim.

Em casos de picadas em que a peçonha da aranha é menos perigosa, como a da Lycosa erythrognatha, comumente encontrada em jardins, há casos em que não há necessidade de aplicação de soros, mas apenas a prescrição de analgésicos já que a característica desta picada é apenas a dor. “Contudo, isso varia de pessoa para pessoa. Crianças, idosos e imunossuprimidos, que possuem o sistema imune em baixa atividade e são mais suscetíveis a infecções parasitárias, por exemplo, são grupos de risco para picadas de aranha”, alerta.

 

Mapeamento

Cotrim diz que no município foi registrado pela Vigilância Sanitária um caso recente de acidente com aranhas, onde a pessoa foi picada por uma armadeira. Também foram registrados casos de pessoas que levaram aracnídeos até o órgão, onde foi procedida a identificação das espécies.

A ação, de acordo com ele, serve para manter um histórico em um sistema on-line de quais aranhas estão aparecendo com mais frequência na região. Normalmente, quando a espécie entregue na Vigilância Sanitária é uma das quatro citadas na matéria, o órgão encaminha o animal ao Laboratório de Entomologia do Paraná, em Curitiba, onde ocorrerá a correta identificação da aranha. “Quando eles nos enviam o laudo, nós entramos em um sistema em que cadastramos os dados da pessoa que capturou o animal, onde ele foi encontrado, em quais circunstâncias, se foi um acidente ou se foi apenas a captura, para que seja mantido esse histórico”, declara.

Quando os casos são levados ao órgão com mais frequência, a identificação das aranhas também serve para que uma área seja delimitada dentro do próprio município, a fim de definir em qual região há maior incidência da espécie para que a Vigilância possa agir no local. “Por isso também é importante fazer a captura do animal vivo, mas sempre em circunstâncias que nenhuma pessoa coloque-se em risco”, salienta. “Quando o animal está morto, dependendo do estado que se encontra, não é possível fazer a identificação porque a decomposição desses animais é muito rápida”, complementa o veterinário.

 

Animais domésticos

A curiosidade dos cachorros e gatos em explorar o desconhecido quando deparam-se com aranhas também pode colocá-los em risco, por isso Cotrim alerta para que caso o tutor de um animal doméstico perceba que ele foi picado por uma aranha procure um médico veterinário imediatamente.

“Geralmente o cachorro ou gato vai matar a aranha, mas se o proprietário verificar que o animal foi picado por um animal peçonhento deve-se levar ao veterinário imediatamente que o profissional também possui o soro para fazer a aplicação nos animais. O procedimento é basicamente o mesmo dos seres humanos”, informa.

Os proprietários dos pets devem redobrar a atenção, já que não é tão simples identificar sintomas nos cachorros e gatos. A aranha marrom, por exemplo, possui uma picada praticamente indolor, por isso provavelmente o animal não irá acusar dor como sintoma. “Mas, por outro lado, a peçonha da aranha marrom é extremamente perigosa, porque começa a causar necrose na região da picada e de uma pequena ferida pode levar a úlceras profundas e outras complicações sistêmicas dependendo da demora na busca por atendimento”, alerta Cotrim.

 

Prevenção

Para evitar acidentes com aranhas, o coordenador da Vigilância Sanitária orienta para que os munícipes mantenham sempre suas casas organizadas e limpas – com atenção redobrada para quem tem crianças em casa especialmente no local em que são guardados os brinquedos. “Berços de crianças, assim como camas, é importante manter sempre limpo e afastados das paredes”, declara.

Ele destaca que há alguns cheiros que são considerados desagradáveis para as aranhas, como hortelã, cravo, alecrim, laranja e lavanda. “Para prevenir a vinda de aranhas, pode-se também preparar chás com esses odores e borrifar nos cantos da casa”, sugere.

Para os munícipes que enfrentam problemas com vizinhos que deixam de lado a limpeza de lotes baldios, que podem ser a morada de muitos tipos de aranhas, Cotrim explica que deve-se procurar a Secretaria de Agricultura e Política Ambiental, que notificará o proprietário. Entretanto, se no local começarem a aparecer animais peçonhentos, também é importante informar a Vigilância Sanitária, que, junto da Secretaria de Agricultura, fará uma pesquisa no local. “Caso a pessoa verifique que os animais venham de um local em que há morador, em casas que há mato ou entulho, aí sim deve-se procurar diretamente a Vigilância Sanitária que faremos a notificação do morador e a vistoria na residência”, conclui Cotrim.

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.