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Marechal Falta conscientização

Rondonenses ainda não aprenderam separar lixo

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23% a 40% dos materiais que chegam às entidades são rejeitos e vão para o aterro: fruto da separação incorreta (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

Enquanto o lixo é um problema mundo afora, a reciclagem surge como principal aliada na resolução desse mal. Por meio da reutilização de materiais, muitos dos resíduos que ocupariam espaço e poluiriam o meio ambiente ganham um novo destino.

Apesar da prática ser amplamente indicada, apenas 4% das 27,7 milhões de toneladas de resíduos recicláveis do Brasil ganham um novo destino, segundo dados da International Solid Waste Association (ISWA). Países da mesma faixa de renda e desenvolvimento reciclam cerca de 16% dos resíduos propícios, o que coloca o Brasil como lanterna na busca da sustentabilidade.

 

Marechal Rondon

Em Marechal Cândido Rondon, duas entidades são responsáveis pela reciclagem de materiais – fora os catadores não associados. A Associação de Catadores Amigos da Natureza (Acan) e a Cooperativa dos Agentes Ambientais (Cooperagir) reciclaram, juntas, 1.981 mil toneladas de materiais no município em 2021, número 1,6% menor do que em 2020, quando foram recicladas 2.014 mil toneladas. Em 2019, por sua vez, 1.220 mil toneladas de resíduos ganharam um destino sustentável em Marechal Rondon.

 

Competitividade

Enquanto a Acan manteve seus índices crescentes nos últimos anos (394 toneladas em 2019, 722 toneladas em 2020 e 898 toneladas em 2021), a Cooperagir viu o volume de materiais reciclados diminuir (1.292 mil toneladas em 2020 para 1.083 mil toneladas em 2021), o que contribuiu para abaixar a média municipal.

“No ano passado tivemos uma quebra na recolha, porque a pandemia fez o valor do reciclável aumentar e isso levou mais pessoas a entrar no ramo. Muitos faziam a recolha direto na porta das casas, sem ser parte de nenhuma associação. Com essa ‘disputa’, diminuiu a chegada de materiais e os agentes ambientais até iam embora no começo da tarde, porque não tinha mais o que triar. Essa redução começou em março do ano passado e só vimos os índices se normalizarem em janeiro”, expõe a auxiliar-administrativa da Cooperagir, Rosilene Costa.

Auxiliar-administrativa da Cooperagir, Rosilene Costa: “No ano passado tivemos uma quebra na recolha, porque a pandemia fez o valor do reciclável aumentar e isso levou mais pessoas a entrar no ramo” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

40% do material “reciclado” é rejeito

A Cooperagir recebe uma média de 160 toneladas de materiais por mês, o que resulta na triagem e venda de 100 toneladas. “Em torno de 35% a 40% do material recebido é rejeito. Ou seja, materiais que as pessoas colocam para reciclagem e não são recicláveis, tais como sapatos e roupas, ou até materiais que seriam reciclados, mas que não foram devidamente descartados. Por exemplo, a embalagem de marmitas é de isopor, que é reciclável e inclusive temos a máquina para o destino correto, mas se o material não está limpo não tem como aproveitar e vai para rejeito. Fora isso, as pessoas mandam desde papel higiênico a comida”, lamenta Rosilene, explicando que o rejeito é destinado ao aterro.

O percentual de itens de vestuários recebidos pela cooperativa é tão grande que os cooperados têm pensado em alternativas. “Em alguns casos, a pessoa separa os materiais e coloca roupas junto, tentando esconder no meio do reciclado. Os cooperados estão pensando em fazer um brechó de roupas usadas para aproveitar o que vem, porque a quantidade é grande. Há outros órgãos que recolhem, como o Provopar, mas os rondonenses parecem preferir descartar na porta de casa”, pontua.

De acordo com os representantes das entidades, o material que mais rende em volume é o papelão e o que mais rende em valor é o pet.

Papelão é o material com mais volume e pet é o que rende mais às associações de catadores (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Problemas com a sujeira

Na Acan, a média mensal de materiais reciclados é de 70 toneladas, enquanto o índice de resíduos é de 23%. “Não são poucos os casos de separação incorreta. Se a população fizesse a separação melhor ajudaria muito a todos nós. Não recebemos a parte orgânica e, se possível, as embalagens recicladas poderiam ser lavadas, porque assim não teríamos problemas com bichos e insetos”, salienta o presidente da associação, Maiko Hubler.

Em harmonia às colocações de Hubler, Rosilene acrescenta que a remuneração melhoraria caso os materiais viessem limpos. “A gente consegue vender o material sujo, mas o comprador paga menos devido à qualidade. A separação acontece por produto, não por limpo ou sujo, então os materiais acabam indo juntos e o pagador faz uma média no preço”, informa.

Presidente da Acan, Maiko Hubler: “Não são poucos os casos de separação incorreta. Se a população fizesse a separação melhor ajudaria muito a todos nós” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Reciclagem

Na Cooperagir, o material que chega é depositado na área “pulmão”, onde uma equipe abre as sacolas e as coloca na esteira. “De lá, o material vai para a esteira e cada trabalhador separa um material na triagem. Normalmente, as meninas da esteira dão conta de triar o material conforme chega da rua, só sobra um pouco para o dia seguinte para terem material disponível para a manhã”, explica a auxiliar administrativa, pontuando que 34 pessoas trabalham na cooperativa atualmente.

Ela ressalta que, para evitar acidentes, a população precisa ter cuidado quando destina materiais quebrados à reciclagem. “Já aconteceu de encontrarmos caixas de papelão com placas, dizendo: ‘Cuidado, vidro’. É bem importante fazer isso, porque já aconteceu de os associados se machucarem. Indicamos que o vidro seja colocado em caixas de leite ou em garrafas pet, porque fica preso ali e, no caso do pet, é possível ver o que tem dentro”, orienta.

 

Fragmentação de papéis está disponível à população

Rosilene destaca que a cooperativa conta com o serviço de fragmentação de papéis a empresas ou pessoas físicas que desejam destiná-los corretamente. “O serviço é gratuito em troca da doação do material. O equipamento retalha os papéis, o que garante que as informações sejam mantidas em sigilo”, comenta.

Interessados podem levar o material diretamente à cooperativa. Mais informações podem ser conseguidas pelo telefone (45) 2031-1251.

 

Novo barracão da Acan pode “sair” ainda este ano

Na Acan, a separação dos materiais acontece sem apoio da esteira e envolve o trabalho de 36 associados. “A partir da triagem do monte, os materiais passam para separação e depois são enfardados para serem carregados à indústria”, explica o presidente.

Contemplada por investimento do Poder Público de Marechal Rondon, a Acan em breve deve sair do centro do município e ganhar um novo barracão para os seus trabalhos. O espaço fica próximo à Cooperagir e ambas as entidades formarão um complexo sustentável. “A previsão é que fique pronto ainda este ano, mas não sabem ao certo, porque faltam algumas liberações. Vai melhorar bastante, porque lá vai ter esteira de triagem. A união faz a força e a dedicação de todos, catadores e população, traz bons resultados ao município”, enaltece Hubler.

Separação na Acan acontece direto nas bolsas, mas as coisas devem melhorar por lá: novo barracão pode se tornar realidade ainda neste ano (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

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