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Marechal

Só neste ano 14 pessoas já morreram de câncer em Marechal Rondon; câncer de pele é o mais comum entre os rondonenses

calendar_month 7 de maio de 2019
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Por dois anos consecutivos o câncer de pele é o que mais acomete os rondonenses, com 33 casos registrados de 1º de janeiro a 31 de março deste ano e 50 casos no mesmo período do ano passado, conforme dados apresentados pela União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer (Uopeccan), ou Hospital do Câncer de Cascavel.

Os dados valem para o câncer de pele não melanoma, o mais frequente no Brasil e que corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Já em se tratando de câncer de pele melanoma houve seis casos registrados no primeiro trimestre deste ano entre os rondonenses diante de nenhum em igual período de 2018.

O melanoma é considerado grave devido à alta possibilidade de disseminar o câncer para outros órgãos, processo mais conhecido por metástase.

Em segundo e terceiro lugares vêm o câncer de cólon, com 15 casos, e de mama, com 12 registros em mulheres rondonenses no primeiro trimestre deste ano. Nos três primeiros meses do ano passado o câncer de cólon e o de mama também ocuparam a segunda e terceira posições, com 25 e 21 casos, seguidos de pulmão com oito registros.

Neste ano a Uopeccan abrigou 119 pacientes oriundos de Marechal Cândido Rondon, tendo sido realizadas 41 cirurgias. Já de janeiro a março do ano passado 167 rondonenses foram pacientes na Uopeccan, com a realização de 80 cirurgias.

 

ESTUDOS

A Clínica Avançada de Oncologia do Oeste do Paraná (Caonc), de Toledo, conduziu recentemente reunião científica com discussão de casos clínicos oncológicos de Marechal Rondon a partir de parceria com o Convênio Sempre Vida, tendo como público-alvo os médicos que atuam no município rondonense. Na oportunidade foi trabalhado o tema “Câncer de ovário: o manejo do câncer de ovário”, técnicas de diagnóstico precoce, tratamento e discussão de casos clínicos.

Em entrevista ao O Presente, o especialista em Oncologia Cirúrgica e Cirurgia Geral, Marco Aurélio Nisiide, expõe que o objetivo com os encontros é trazer a melhor ciência, bem como o que há de mais atualizado e mais qualificado no tratamento e de maneira mais humanizada. “Sempre que se fala em risco de câncer ou apresentação da doença é preciso considerar a população envolvida, o grau de instrução, origem da descendência e os hábitos de vida”, menciona.

“Moramos em uma região eminentemente com população branca, formada por descendentes de imigrantes alemães, italianos e com hábitos da colonização gaúcha, o que possibilita alguns riscos pela forma de vida. Esta população (Marechal Rondon e região) tem maior risco de desenvolver câncer de pele e de fato é o que mais se vê no dia a dia e se encontra nos consultórios”, ressalta o médico, emendando que essa população de pele branca exerceu atividade profissional com exposição ao sol durante a juventude. “Ou seja, são pessoas que trabalharam no meio rural, esta é a realidade. É algo global, mas felizmente o câncer de pele possui alta taxa de cura mediante cirurgia. Este também é o tipo que mais prevalece na região”.

 

AGRESSIVOS

O especialista destaca que no que tange aos cânceres mais agressivos são registrados o de mama, próstata e de cólon, no intestino grosso. “Isso porque a nossa região tem alimentação baseada na carne bovina, assada, cujos hábitos interferem na apresentação dessas doenças, o que não foge muito do que mostram estatísticas no resto do país ou no mundo. Talvez seja um pouco maior na região, porém nada para se alarmar e sim para as pessoas se conscientizarem”, pontua.

Nisiide informa que no caso do câncer de mama a grande maioria dos casos são diagnosticados na fase inicial, com mamografia anual de acordo com protocolos que o ginecologista indica e quando encontra algo encaminha ao especialista. “No geral as medidas de rastreamento como mamografias e campanhas têm ajudado na detecção da doença nos estágios iniciais, o que pode contribuir para um tratamento mais adequado”, menciona, emendando: “No mês de aniversário das conveniadas o Sempre Vida oferece o exame de mama, então é importante aproveitar e agendar”.

“A maioria dos pacientes de câncer, de muitos tipos, conseguem ser tratados quando a doença é descoberta na fase inicial. O correto é a pessoa a partir de certa idade fazer ‘check up’ para o médico avaliar e emitir diagnóstico precoce. O câncer não apresenta sintoma na fase precoce, mas essa é a fase da diferença quando se fala em chance de cura”, frisa o médico.

 

ATITUDES

Ele alerta para o fato de que o câncer não escolhe idade e por mais que pessoas idosas tenham maior chance de serem diagnosticadas, jovens não estão isentos. “Já vimos casos de jovens com 20, 30 anos. São poucos sintomas no começo e quando percebem a doença está um tanto avançada. Talvez o jovem deixe de ir ao médico por pensar não ser caso de câncer, mas deve estar na cabeça que não é normal ter alteração. Melhor pensar em prevenção e diagnóstico precoce”, orienta.

O especialista da Caonc afirma que de maneira geral os médicos rondonenses praticam atitudes positivas em relação a diagnóstico e prevenção. “Prevenção é algo complicado, pois somente se previne colo de útero e de cólon de intestino grosso quando está na fase inicial e não evoluiu para o câncer. Os médicos de Marechal Rondon se comportam nos preceitos da ciência, prevenção e detecção precoce”, conclui Nisiide.

 

CATORZE ÓBITOS

Conforme informações repassadas pelo Setor de Epidemiologia do Centro Integrado de Saúde (CIS) de Marechal Rondon, 14 munícipes faleceram devido ao câncer nos quatro primeiros meses deste ano. Os principais casos foram de câncer dos brônquios e dos pulmões e de órgãos respiratórios e digestivos, com quatro óbitos, ou duas mortes cada.

Câncer do estômago, fígado, pâncreas, aparelho digestivo, cólo do útero, bexiga, encéfalo, leucemia mieloide, neoplasia sem especificação de localização e de complicação desconhecida somam um caso cada.

 

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