
Alunos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) ocupam desde o início da manhã desta segunda-feira (10) o prédio do campus de Marechal Cândido Rondon. Esta é a primeira universidade tomada pelos estudantes desde o início das ocupações dos colégios estaduais no Paraná, na sexta-feira (7).
Os estudantes protestam em apoio aos estudantes secundaristas contrários à medida provisória de reforma do ensino médio -, à greve dos professores da universidade deflagrada nesta segunda-feira-, e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 – que prevê o congelamento de gastos públicos por 20 anos.
Esta é nossa manifestação contra os ataques dos governos federal e estadual e à falta de respeito à educação, lembrando o ataque aos professores paranaenses no dia 29 de abril de 2015, comentou a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) do campus de Marechal Cândido Rondon, Thauany Pazotto.
Os estudantes reivindicam ainda o repasse de mais verbas de custeio para o campus que abriga cerca de 1,2 mil alunos – segundo o DCE cortadas pela metade – e o funcionamento do Restaurante Universitário (RU), ainda sem funcionários contratados para iniciar as atividades. Só vamos desocupar quando o diretor ou o reitor se manifestarem, garantiu.
Greve de professores da Unioeste
As aulas nos cinco campi da Unioeste estão suspensas a partir desta segunda-feira em função da greve dos professores decidida depois de o governo do estado suspender o reajuste salarial dos servidores. Os técnicos decidem em assembleia marcada para terça-feira (11) se também aderem à paralisação.
Por enquanto, estão sendo mantidas apenas as atividades essenciais de atendimento à população na área da saúde, como no Hospital Universitário de Cascavel. A última greve se estendeu por quase três meses.
“Nós fomos surpreendidos pelo governador do estado com uma mensagem revogando a própria lei que modificava a reposição da data-base da inflação do período anterior. Neste momento esperamos que o governo restabeleça o diálogo e a mesa de negociação com a qual ele mesmo tinha se comprometido no ano passado”, apontou o presidente do sindicato dos professores (Adunioeste), Roberto Deitos.
Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria da Ciência,Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que até o momento foram liberados para a Unioeste mais de R$ 11,7 milhões para custeio o custeio de despesas correntes e que cabe aos gestores da instituição “definir prioridades para a utilização dos recursos, ou seja, o valor a ser repassado para cada campus”, já que têm autonomia para tanto.
“Representantes das universidades, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), da Secretaria da Fazenda e da Casa Civil, estão realizando reuniões para discutir uma possível ampliação de recursos, desde que seja comprovada a necessidade e exista um crescimento da receita total do Estado e disponibilidade orçamentária”, complementou a assessoria.
Já quanto à reposição salarial, uma nota deve ser divulgada ainda nesta segunda pelo governo do estado.
Ocupações
Até a tarde desta segunda, ao menos 92 escolas e uma universidade permaneciam ocupadas em 22 cidades do estado conforme o Movimento Ocupa Paraná. Por causa das manifestações, as aulas foram suspensas. As ocupações no estado tiveram início no dia 3 em São José dos Pinhais, cidade da Região Metropolitana de Curitiba.
Na manhã desta segunda, estudantes de Cascavel protestaram durante a sessão na Câmara de Vereadores.
E também nesta segunda, a Secretaria de Educação do Paraná procurou a Justiça e ingressou com um pedido de reintegração de posse para reverter as ocupações das escolas, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. Os mesmo deve ser feito, de acordo com o governo, para as demais instituições de ensino.
A MP sobre a reforma ainda terá de ser aprovada pela Câmara e pelo Senado, caso contrário, perderá o efeito.
Na sexta-feira (7), o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), afirmou que os jovens que ocupam escolas no estado não sabem por que estão protestando. Segundo Richa, os estudantes são usados por movimentos sindicais numa perfeita doutrinação.
Não vão intimidar. Sindicatos ligados à CUT e ao PT que querem a baderna no país usando, de forma criminosa, as nossas crianças nas escolas que estão nas ruas protestando não sabem nem o que. Numa perfeita doutrinação ideológica das escolas do Paraná e do Brasil. Aqui, talvez, com mais intensidade, pela agressividade dos sindicatos daqui, afirmou o governador.
Em nota, a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) repudiou as declarações do governador e disse que os estudantes são irão desocupar as instituições quando a MP for barrada e o governo federal estabelecer espaços de amplo diálogo com a comunidade escolar.