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Municípios Saúde em colapso

20ª Regional vive momento mais crítico da pandemia com leitos 100% ocupados

(Foto: Victor Hugo Junior)

Os dados epidemiológicos do coronavírus na região têm apontado, semana após semana, para números crescentes e preocupantes, acendendo ainda mais o alerta dos gestores de saúde, que há meses se esforçam para driblar as dificuldades impostas pela pandemia.

O Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná (Consamu) divulgou, ontem (10), um alerta indicando que os 43 municípios que compõem a entidade estão à beira do colapso. “(Os municípios) enfrentam o esgotamento de recursos para atendimento diante da constante alta de novos casos de coronavírus e da evolução do quadro clínico de quem já está doente”, comunicou.

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Ontem, a Macrorregião Oeste, que engloba regionais de Saúde de municípios da região, apresentava 96,2% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) ocupados e 75,2% das enfermarias ocupadas. A demanda reprimida era de 256 pacientes: 171 à espera de UTI e 85 à espera de enfermaria.

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Para o médico do Consamu, Rodrigo Nicacio, a situação crítica enfrentada atualmente pelos municípios oestinos deve se estender pelas próximas duas ou três semanas, considerando o número de pessoas que aguardam por UTI. Segundo o profissional, as mortes diárias por complicações da Covid-19 cresceram na região nos últimos dias e, na opinião dele, devem aumentar ainda mais nas próximas semanas.

 

20ª REGIONAL

Entre as regionais que compõem a Macrorregião Oeste, a 7ª Regional de Saúde de Pato Branco tem 94% das UTIs ocupadas e 79% das enfermarias; a 8ª Regional de Francisco Beltrão tem 95% das UTIs ocupadas e 85% das enfermarias; a 9ª Regional de Foz do Iguaçu tem 95% das UTIs ocupadas e 74% das enfermarias; a 10ª Regional de Cascavel tem 96% das UTIs ocupadas e 75% das enfermarias; e, por fim, a 20ª Regional de Toledo tem 100% das UTIs ocupadas e 58% das enfermarias, apresentando a pior condição do Oeste em termos de leitos de terapia intensiva, segundo dados de ontem.

A maior demanda suprimida na Macro Oeste acontece na 10ª Regional de Saúde de Cascavel, com 51 pacientes esperando transferência para leitos de UTI e 37 para leitos de enfermaria, e a segunda maior na 20ª Regional, com 40 pacientes aguardando vagas em UTI e 19 esperando por enfermarias.

Fazem parte da 20ª Regional de Saúde os municípios de Assis Chateaubriand, Diamante d’Oeste, Entre Rios do Oeste, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Maripá, Mercedes, Nova Santa Rosa, Ouro Verde do Oeste, Palotina, Pato Bragado, Quatro Pontes, Santa Helena, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Terra Roxa, Toledo e Tupãssi.

 

PIOR MOMENTO

O chefe da 20ª Regional de Saúde, Alberi Locatelli, vê o momento atual como o mais grave da pandemia até aqui e o “pior momento em relação aos hospitais”. “Em março deste ano tivemos um momento difícil. Naquele mês começou essa onda mais complicada e desde então temos enfrentando essa situação de leitos 100% ocupados. Não tínhamos onde colocar o paciente e assim seguimos. Hoje, contudo, vejo que a doença está evoluindo mais rapidamente para um quadro mais grave e os pacientes estão necessitando mais de UTI do que anteriormente. Também há uma disseminação do vírus mais acelerada”, declarou ao O Presente.

Segundo ele, toda a estrutura da saúde regional está comprometida e não há perspectivas de novos leitos. “Estamos com ocupação de 100%”, lamenta.

Chefe da 20ª Regional de Saúde de Toledo, Alberi Locatelli: “Hoje a doença está evoluindo mais rapidamente para um quadro mais grave e os pacientes estão necessitando mais de UTI do que anteriormente. Também há uma disseminação do vírus mais acelerada” (Foto: Divulgação)

 

SEM VAGAS EM TOLEDO

Município membro do Consamu, Toledo entrou em colapso na quarta-feira (09) e ontem a prefeitura emitiu um comunicado informando que não há mais capacidade de atendimento a pacientes graves no Pronto Atendimento Municipal Doutor Jorge Nunes (PAM/Mini Hospital). De acordo com a Secretaria de Saúde, “falta estrutura física, equipamentos, insumos e recursos humanos” para absorver os novos casos. Até ontem, 23 pacientes estavam intubados em Toledo e aguardavam transferência para UTI. Em virtude da superlotação, há possibilidade de pacientes terem que aguardar vagas dentro de ambulâncias do Samu e Siate.

Locatelli diz que buscou-se o encaminhamento de pacientes para outros lugares. “Mantivemos contato com hospitais em nível estadual com o intuito de verificar a possibilidade de transferência de pacientes, mas a estrutura de todo o Estado está totalmente ocupada”, menciona.

 

MOBILIZAÇÃO NA REGIÃO

Diante do caos no sistema de saúde de Toledo e da 20ª Regional, uma videoconferência reuniu prefeitos, secretários, equipes de saúde, representantes da regional, da promotoria, dos consórcios, da central de leitos, dos hospitais de referência, do Samu e outros entes, a fim de discutir a situação e levantar possibilidades. “Imediatamente, todos se deram as mãos para ajudar uns aos outros. À medida que se tenha vaga em um hospital, deve-se comunicar para a transferência de pacientes”, aponta o chefe da regional.

Sobre a situação de Toledo em especial, Locatelli relata que o prefeito Beto Lunitti se comprometeu na questão das restrições. “Ele ficou de conversar com o prefeito de Cascavel (Leonaldo Paranhos) para estudar a ampliação das restrições em conjunto, porque entende-se que uma medida assim quando é tomada em conjunto gera efeitos melhores, visto que a população transita de um lado para outro”, comenta.

Em Toledo, Mini Hospital não tem mais capacidade de atendimentos e não há condições de remanejamento para a rede estadual de saúde, que também está lotada (Foto: Fabio Ulsenheimer)

 

HOSPITAL DE CAMPANHA RONDONENSE

O Hospital de Campanha de Marechal Rondon teria sido colocado à disposição por autoridades rondonenses presentes na reunião. “O prefeito de Marechal Rondon (Marcio Rauber) colocou a estrutura do Hospital de Campanha à disposição, desde que tivesse o recurso humano necessário para fazer funcionar”, expõe o chefe da 20ª Regional, pontuando: “Porém, sabe-se que é uma dificuldade muito grande de aumentar leitos justamente pela falta de profissionais”.

A estrutura de saúde “extra” existente em Marechal Rondon permanece sem uso desde quando montada junto ao Centro de Eventos do Parque de Exposições, em maio do ano passado, visto que seria colocada em funcionamento somente se a Ala Covid da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) chegasse ao nível máximo de lotação. A ala conta com 20 leitos disponíveis, sendo que ontem haviam 14 ocupados.

O Hospital de Campanha tem condições de atender pacientes com sintomas leves, de baixo-risco. Em recente entrevista ao O Presente, a secretária de Saúde, Marciane Specht, disse que há ventilador, carrinho de emergência entre outros equipamentos no hospital, “porém, os pacientes (da UPA rondonense) não têm condição de ir para o Hospital de Campanha devido ao grau maior de risco”.

Em vista disso, a administração municipal tem descartado colocar o Hospital em funcionamento, considerando que os pacientes com Covid, atualmente, têm evoluído para quadros mais graves da doença, diferente do início da pandemia, quando da estruturação do espaço. Hoje, demandam de tratamento em estrutura mais especializada.

 

SEMANA DE RISCO

Sem respostas imediatas possíveis, Locatelli avalia que a situação deve permanecer crítica pelos próximos sete dias. “Para voltar à normalidade ou pelo menos sair dessa situação complicada, que deve perdurar por pelo menos uma semana, precisamos que a população nos ajude, cumpra com as medidas sanitárias, o isolamento quando está com Covid-19 ou com contato, que faça distanciamento, use de máscara e álcool gel. Essas medidas só vão refletir daqui a 15 dias aproximadamente, mas refletirão”, enumera.

Além dos cuidados preventivos, ele ressalta a importância da imunização. “A vacina tem mostrado eficácia, porque os pacientes que internamos hoje são mais jovens. Por meio dela e da prevenção poderemos conter a disseminação e diminuição dos números”, finaliza, emendando: “Pedimos compreensão e para que as pessoas evitem aglomeração de quaisquer tipos, pois não é momento para isso”.

 

 

O Presente

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