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Municípios Árvores em miniaturas

Quatro-pontense se dedica à arte dos bonsais há cerca de 22 anos; coleção tem mais de 100 exemplares

(Foto: Raquel Ratajczyk/OP)
  • Coleção do quatro-pontense ultrapassa 100 exemplares em uma prática que dura cerca de 22 anos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Fábio Anschau: “Quando era criança peguei uma muda, coloquei em um vaso e tentei deixar igual à árvore do mato. Cuidava dela, mas naquela época era apenas uma brincadeira. Só fui conhecer a arte dos bonsais quando tinha uns 14 anos” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Primeiro bonsai de Anschau acumula tentativas que não deram certo até que seu manejo fosse certeiro: “Passei uns dez anos sem saber o que fazer e simplesmente mantinha vivo, só depois fiz cursos, tive acesso à internet e aprendi” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Movimentos de hoje dão resultado anos depois. Sem fim, bonsais nunca estão prontos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Movimentos de hoje dão resultado anos depois. Sem fim, bonsais nunca estão prontos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Movimentos de hoje dão resultado anos depois. Sem fim, bonsais nunca estão prontos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Movimentos de hoje dão resultado anos depois. Sem fim, bonsais nunca estão prontos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Movimentos de hoje dão resultado anos depois. Sem fim, bonsais nunca estão prontos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Tanto os pequenos quanto os maiores, bonsais leva cercam de dez anos para começarem a ter "forma de bonsai", diz Anschau

  • Movimentos de hoje dão resultado anos depois. Sem fim, bonsais nunca estão prontos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

  • Cuidado com os bonsais é um compromisso diário: "Só não dou água quando chovbe" (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

Uma filosofia de vida para quem cultiva e, aos olhos de leigos, árvores de pequeno porte. Os bonsais são plantas miniaturizadas que encantam aqueles que os contemplam e têm o amor daqueles que se dedicam à arte de cuidá-los.

Os tamanhos das “árvores em miniatura” variam, mas todas têm como característica a manutenção do aspecto de plantas “maduras”, com galhos espessos e raízes estruturadas.

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Aos 52 anos, o quatro-pontense Fábio Anschau cultiva bonsais há cerca de 22 anos, sendo um amante da arte antes de sequer saber o que era. Ao O Presente, ele compartilhou um pouco de sua trajetória na arte milenar.

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Desde a infância

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Morando perto de uma área florestal no interior de Quatro Pontes, desde menino Anschau contemplava a majestade das plantas ao seu redor e uma em particular o cativou. “Era uma árvore muito grande. Eu via passarinhos e macacos nela e aquilo me encantava. Queria ter uma árvore como aquela, mas menorzinha para eu poder brincar”, relembra ele, saudosista às memórias de infância.

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O desejo levou o menino à ação e uma pequena árvore de sinamão passou a ser parte de suas brincadeiras. “Peguei uma muda, coloquei em um vaso e tentei deixar igual àquela do mato. Cortava e cuidava dela. Não era da mesma espécie, mas eu brincava com passarinhos pequenininhos assim como acontecia nela. Um dia plantei no chão e, quando grande, eu até subia nela”, conta.

Ele não sabia, contudo, que seu cuidado com a pequena árvore tinha nome e muitos adeptos mundo afora. “Naquela época, era apenas uma brincadeira. Eu fazia, mas só fui conhecer a arte dos bonsais quando tinha uns 14 anos, ainda achando que era uma coisa dos japoneses. Se eu soubesse que podia fazer com qualquer planta, eu teria começado bem antes”, assegura.

Fábio Anschau: “Quando era criança peguei uma muda, coloquei em um vaso e tentei deixar igual à árvore do mato. Cuidava dela, mas naquela época era apenas uma brincadeira. Só fui conhecer a arte dos bonsais quando tinha uns 14 anos” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Mais de 100 na coleção

Agora adulto, Anschau tem uma coleção de bonsais que o enche de orgulho. “Nunca contei, mas devo ter mais de 100, entre acerola, jabuticaba, pitanga e outras frutíferas, além de azaleia, primavera, pingo de ouro e outras espécies. Tenho até algumas de fora do país, mas prefiro trabalhar com plantas nativas”, expõe.

Sem espaço para ciúme entre os exemplares, ele garante não ter uma favorita, apenas alguns projetos que o instigam. “Algumas não são bonitas agora, mas com o manejo vão ficar bonitas no futuro. Por esse motivo, talvez eu goste delas um pouco mais do que as outras que já passaram dessa fase”, comenta, com bom humor.

A primeira planta de Anschau o acompanha há 21 anos e, segundo ele, o exemplar parece outro depois de tantos anos. “Passei uns dez anos sem saber o que fazer e simplesmente a mantinha viva, só depois fiz cursos, tive acesso à internet e aprendi”, menciona o quatro-pontense, que nesses aprimoramentos conheceu outros amantes da arte e incentivou pessoas a praticá-la: “Eu gosto quando a pessoa vem aqui e eu a ajudo. Todo mundo quer ter um bonsai, mas sei a planta morre se não for bem cuidada. Penso em promover cursos, chamando um pessoal que se interessa para participar”, revela.

Coleção do quatro-pontense ultrapassa 100 exemplares em uma prática que dura cerca de 22 anos (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Dedicação diária

Uma coleção de tal dimensão requer dedicação diária, afirma o quatro-pontense. “Só não dou água quando chove. Algumas delas precisam de água até três vezes por dia por estarem em vaso menor, ainda não definitivo”, expõe.

Apesar do cuidado, Anschau diz que a arte dos bonsais é acessível a todos que estão abertos para conhecê-la. “Você pode começar através de muda ou fazer um enxerto de qualquer árvore. As azaleias que eu tenho são plantas de mais ou menos 50 anos que iriam ser derrubadas, mas eu salvei para fazer bonsais”, relata.

A primeira coisa a se fazer no manejo da planta aspirante a bonsai é definir a frente, vendo em que lado as raízes estão mais bonitas. “As podas acontecem pensando naquela frente, que permanece até o final. Quando a planta é muito bonita tem até dois lados, mas a maioria tem um, porque algumas ‘cicatrizes’ podem aparecer no outro lado. Quando o bonsai está bonito ele é passado para um vasinho própria, mais trabalhado, e a partir daí só melhora. O bonsai não tem um fim”, frisa.

 

Processo lento, mas satisfatório

Até o momento de mudá-lo ao vaso definitivo, o bonsai e seu cultivador passam por uma longa trajetória. Cada disposição de raízes, troncos e galhos requer um movimento certeiro, visando um resultado futuro. “Se eu quiser ter um pequeno é só limitar o crescimento através das podas e se quiser um grande é só deixar crescer em um vaso ou no chão. Quando a planta chega no tamanho e espessura esperados é que começa o trabalho. A gente poda a raiz, amarra os galhos para colocar em determinada posição, espera os galhos novos ganharem espessura e assim vai. O processo é demorado e a planta leva cerca de dez anos para começar a ter uma forma de bonsai”, detalha.

O quatro-pontense explica que enquanto o manejo de podas é intenso as plantas não frutificam, apenas depois.

Devido ao tempo de resposta, Anschau pontua que os movimentos precisam ser certeiros. “É lento, mas eu gosto. Eles são os meus refúgios, porque quando você está mexendo em uma planta esquece de tudo e fica concentrado ali. O trabalho só se efetiva em cinco ou dez anos, então se você errar hoje só daqui a muito tempo vai conseguir mudar”, compartilha ele, que mesmo tendo cursos e pesquisas na área já passou por essas dificuldades: “Mesmo lidando com cuidado algumas plantas podem morrer. Você mexe, faz os procedimentos e cada uma reage de uma maneira. Você torce, fica preocupado e monitora todo dia”.

 

Fatores externos

Os processos vagarosos fazem com que o cuidado com fatores externos que possam ameaçar as plantas seja primordial. Nos dias de chuvas e temporais, Anschau brinca que sua performance de proteção aos bonsais é digna de gravação. “Quando deu chuva forte nas últimas semanas eu fiquei cuidando deles. Os granizos passaram perto, mas não atingiram”, enaltece, acrescentando que ambientes internos não são indicados para o cultivo das plantas em miniatura: “Tem gente que acha que o bonsai pode ficar dentro de casa. Quando vem visita eu até levo lá, mas eles voltam para fora, porque precisam de água, de sol, de chuva, ou seja, da natureza”.

Outras experiências, no entanto, fugiram do alcance do quatro-pontense. “Teve uma planta que fiquei esperando por cinco ou seis anos para que nascesse um galho em uma posição específica. O galho surgiu, porém um dia a bola da vizinha veio e o quebrou. Aí deu uma tristeza”, lamenta.

 

Primeiro bonsai de Anschau acumula tentativas que não deram certo até que seu manejo fosse certeiro: “Passei uns dez anos sem saber o que fazer e simplesmente mantinha vivo, só depois fiz cursos, tive acesso à internet e aprendi” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Arte milenar

Para Anschau, os bonsais são mais do que uma prática de jardinagem, são “uma filosofia de vida”. “É uma arte que sempre está evoluindo e você nunca pode dizer que está pronta, porque pode quebrar um galho, perder a forma ou nascer algo que você não esperava. Eles são companheiros da velhice, porque você os cultiva durante uma vida, chega na aposentadoria e aquilo te dá uma ocupação para o dia inteiro e mais um pouco. Mostrar para as visitas, comtemplar e cuidar é maravilhoso. Você tem vontade de viver só para ver como a planta vai ficar dali para frente”, destaca.

Um exemplo de bonsai que instiga a reflexão é o exemplar de Ficus benjamina. “Essa planta é conhecida e até proibida em alguns lugares por arrebentar calçadas e estruturas. Se estivesse na natureza, ela teria de dez a 15 metros de altura, porém, aqui, toda a sua grandeza está contida nesse vaso”, comenta.

Entre podas, esperas e contemplações, os bonsais são uma válvula de escape dos estresses da vida, considera o quatro-pontense. “Inclusive, os membros da polícia no Japão são obrigados a praticar a jardinagem. Eles em si já gostam disso, mas o policial japonês é obrigado a ter uma atividade assim para aliviar a tensão. Todo mundo deveria ter, é muito bacana”, considera.

 

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