O sangue daqueles que já tiveram Covid-19 pode auxiliar no tratamento de pessoas ainda não recuperadas da doença, é o que afirma o chefe técnico do Hemocentro Regional de Cascavel, Fabio Alexandre Alff.
Segundo ele, esse é um procedimento que tem sido feito na hemorrede do Estado do Paraná desde o ano passado. “Na doação de sangue, separamos o plasma dos doadores que tiveram coronavírus e já se recuperaram, chamado de plasma hiperimune”, declarou ao O Presente. “O plasma fica rico em anticorpos que o tornam hiperimune, sendo utilizado para o tratamento de pacientes internados com Covid-19”, menciona.

Chefe técnico do Hemocentro Regional de Cascavel, Fabio Alexandre Alff: “Cabe ao médico que acompanha o caso avaliar a possibilidade de melhora do quadro com o uso do plasma hiperimune. São pacientes que têm a doença e não apresentam sintomas leves, já correm risco de vida” (Foto: Divulgação)
“VACINA NATURAL”
Devido às características, o plasma hiperimune age como uma vacina natural, compara Alff. “Os anticorpos presentes no plasma auxiliam na recuperação do paciente. Os anticorpos ajudam a combater o coronavírus presente no organismo do paciente”, expõe.
Ele comenta que este é um estudo relacionado apenas à Covid-19. “Existem menções na literatura médica de um tratamento de infectados por meio do plasma hiperimune, mas foi com o coronavírus que o projeto tem sido bem-sucedido na hemorrede do Paraná”, enaltece.
PACIENTES
Os pacientes que recebem o plasma hiperimune como tratamento passam por uma avaliação médica, destaca Alff. “Cabe ao médico que acompanha o caso avaliar a possibilidade de melhora do quadro com o uso do plasma hiperimune. São pacientes que têm a doença e não apresentam sintomas leves, então já correm risco de vida”, pontua.
Conforme ele, o doador consegue auxiliar no tratamento de uma pessoa. “O paciente recebe geralmente uma ou duas bolsas de plasma hiperimune”, mensura.
QUEM PODE DOAR?
Alff indica que doadores de sangue que tiveram coronavírus e se recuperaram podem contribuir com o plasma hiperimune. “As pessoas conseguem doar no prazo máximo de 40 dias após a infecção por Covid-19 e até 180 dias. É preciso apresentar o resultado do exame RT-PCR para que o sangue seja separado nessa modalidade”, orienta.
De acordo com o responsável técnico do Hemocentro de Cascavel, as hemácias e as plaquetas são utilizadas normalmente. “O sangue pode ser fracionado em três ou quatro partes nas doações. Pode ser separado em hemácias, plasma e crio (crioprecipitado) ou, como normalmente produzimos, hemácia, crio e plasma, que nesses casos é classificado como plasma fresco hiperimune”, conclui.

Quem já contraiu o coronavírus e está recuperado de 40 a 180 dias está apto a doar sangue e contribuir no tratamento de pacientes ainda em recuperação (Foto: Divulgação)
DISTRIBUIÇÃO
O Hemocentro Regional de Cascavel, de acordo com Alff, atua na coleta e distribuição do plasma hiperimune para toda a hemorrede paranaense. “Somos ao todo 22 unidades no Paraná. Várias delas estão, através de hospitais de referência, utilizando o plasma hiperimune, a exemplo de Foz do Iguaçu, Curitiba e unidades do Norte do Paraná, onde existe uma demanda bastante expressiva”, relata, acrescentando: “Os estoques estão bons, considerando que não fazemos a infusão em Cascavel, apenas coleta e distribuição”.
O Presente