Foi comemorado ontem (26) o Dia Nacional do Transplante de Órgãos, e o Paraná tem motivos de sobra para comemorar. É que ao longo dos últimos anos o número de órgãos doados no Estado apresentou um crescimento de 156% entre 2011 e 2016 e a possibilidade de um novo recorde em 2017. Seguindo nesse ritmo, inclusive, é possível que num futuro próximo os paranaenses se tornem os maiores doadores de órgãos no país.
De acordo com os dados da Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET-PR), entre 2011 e 2016 a doação de órgãos registrou alta de 156% no Estado, passando de 146 doações sete anos atrás para 374 no ano passado. Para 2017, a tendência é de novo recorde no número de doações: até julho haviam sido doados 288 órgãos, alta de 46,9% na comparação com o mesmo período de 2016.
Nessa toada, a tendência é que o Paraná, hoje o segundo maior doador do país quando considerada a taxa de doadores por milhão de população (pmp), logo ultrapasse o líder do ranking, Santa Catarina. Em 2016, por exemplo, a alta no estado foi de 46%, alcançando 30,9 doadores pmp, enquanto no estado vizinho a variação foi de 22%, chegando a 36,8. Já em 2017, a alta no Paraná foi de 11%, com a taxa em 34,3, enquanto em Santa Catarina a variação foi de 0,5%, com a taxa de doares chegando a 37.
Para o médico Matheus Takahashi, membro da equipe de transplantes do hospital Angelina Caron, instituição que mais realiza esse tipo de procedimento no Estado, a alta reflete uma série de ações que a CET-PR vem adotando ao longo dos últimos anos. “Esse crescimento é fruto do trabalho da CET-PR, que tem feito buscas ativas para identificar possíveis doadores”, afirma o especialista.
Ao mesmo tempo, a população vem recebendo mais informações sobre o assunto, o que tem derrubado preconceitos. A recusa familiar, que entre 2011 e 2015 foi o principal motivo para não doação, respondendo por 78,7% das rejeições, hoje ocupa o segundo posto, respondendo por 32,1% das rejeições, atrás da falta de condições clínicas (39%).
“A recusa familiar ainda é marcada por muito preconceito, falta de conhecimento sobre os transplantes. Mas isso tem mudado aos poucos”, afirma Matheus “Compreendemos o momento de angústia, de dor. Mas é preciso entender que há a possibilidade de um ente querido que se foi ajudar até sete pessoas a continuarem vivendo”, finaliza.
Para cada caso efetivo, há seis pessoas na fila de espera
Se por um lado há motivos a se comemorar por conta da alta no número de doações, por outro lado ainda há necessidade de um aumento ainda maior no número de doadores no Estado. É que para cada doação feita no Paraná há seis pessoas na fila de espera por um órgão. Segundo os dados da Secretaria de Estado da Saúde, de janeiro a julho deste ano foram doados 288 órgãos no estado, período no qual foram realizados ainda 484 transplantes. A fila de espera, contudo, ainda é grande: 1.677 pessoas aguardam por um órgão, principalmente rim (1.399), fígado (113), córneas (97) e pâncreas (31).
Médicos enfrentam uma corrida contra o tempo
Uma grande dificuldade que a CET-PR tem para conseguir doadores é justamente a condição em que o paciente precisa estar para que seus órgãos possam ser doados. Segundo Matheus Takahashi, além de constatada a morte encefálica, o coração do doador precisa estar ainda batendo para que seus órgãos possam ser reaproveitados.É uma corrida contra o tempo. “No caso do fígado, por exemplo, temos em torno de 8 horas para retirar o órgão do doador e realizar o transplante, enquanto no caso dos rins o período é um pouco maior, perto de 24 horas”, diz o médico Matheus Takahashi.
Com informações BemParaná