Ecoville – Maior rede de limpeza
Paraná

Entre Rios do Oeste: cada vez mais perto de produzir energia a partir do biogás

Uma nova reunião aconteceu na semana passada na sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel) em Curitiba para tratar sobre o andamento da implantação do projeto de arranjo técnico e comercial de geração distribuída de energia elétrica a partir do biogás em propriedades rurais. O primeiro município a testar o método será Entre Rios do Oeste.

No encontro com o deputado estadual José Carlos Schiavinato e ocom engenheiro de Pesquisa e Desenvolvimento da Coordenação de Inovação (PRE/CIN), José Roberto Lopes, representantes do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás) atualizaram as informações a respeito do andamento da implantação.

Casa do eletricista TRATAM. E ACESS.

O diretor de Desenvolvimento Tecnológico da empresa, Rafael González, explica que o cronograma de trabalho compreende três anos, tempo em que deverão ser superadas 34 etapas. Atualmente se trabalha na 14ª etapa. “Estamos dentro do prazo, sendo que a primeira etapa foi o diagnóstico das propriedades e depois a viabilidade do projeto. O mais importante é tornar o biogás ecológica e economicamente viável tanto para o município quanto para os produtores”, pontua.

Segundo González, o projeto de engenharia da rede coletora fica pronto até fim deste mês. Em agosto inicia-se a execução física, que leva em torno de 40 dias. A implantação dos biodigestores nas propriedades geradoras deverá acontecer até outubro e devem entrar em operação em julho de 2018.

Até o momento 19 propriedades rurais participam do projeto. O programa, no entanto, pode comportar até 63 produtores. Para Schiavinato, a região Oeste do Paraná está com uma oportunidade histórica nas mãos. “Esse é o futuro, a geração de energia sem agressão ao meio ambiente. Tenho certeza que mais do que produzir energia estamos produzindo conhecimento com esse programa”, avalia.

 

Como funciona

O projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Copel tem a empresa CIBiogás como a consultora em todos os passos da implantação e pós-implantação do biogás nas propriedades.

Com investimento de R$ 17 milhões em recursos de P&D aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o projeto vai interligar inicialmente 19 propriedades suinocultoras e avicultoras de Entre Rios do Oeste por meio de um biogasoduto com cerca de 22 quilômetros. O projeto garante o tratamento dos dejetos animais, transformando um agente poluidor em biogás e biofertilizante, com a possibilidade de o produtor comercializar estes produtos, gerando uma renda adicional. Os produtores contam também com uma linha de crédito especial com três anos de carência, oferecida pelo Sicredi para a compra dos geradores.

O biogás é uma mistura de gases composta principalmente por metano e dióxido de carbono, obtida normalmente através do tratamento de resíduos domésticos, agropecuários e industriais, por meio de processo de biodegradação anaeróbia, ou seja, na ausência de oxigênio. Ele gera energias elétrica e térmica, além de biocombustível (biometano). Durante o processo, é possível ainda produzir biofertilizante.

Para produzir o biogás, o primeiro passo é fazer um Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE), incluindo a análise do potencial de produção de biogás dos resíduos agroindustriais, orgânicos e dejetos de animais disponíveis, a viabilidade econômica do projeto e qual a melhor solução tecnológica.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considera que o potencial energético das biomassas no Brasil saltará de 210 milhões de TEP (Tonelada Equivalente de Petróleo) em 2013 para cerca de 460 milhões de TEP em 2050.

Já a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás) considera que o potencial nacional é de cerca de 20 bilhões de metros cúbicos ao ano nos setores sucroalcooleiro e na produção de alimentos. No setor de saneamento básico, resíduos sólidos e esgotos domésticos é de três bilhões de metros cúbicos ao ano.

 

Inovador

O biogás produzido na rede de biodigestores será filtrado em uma refinaria para se transformar em biometano e este será canalizado para uma Minicentral Termelétrica (MCT) com capacidade total de 480 kW. A interligação das propriedades em torno de uma MCT é essencial para garantir a viabilidade econômica do projeto.

O projeto é inovador no sentido de agrupar pequenas unidades produtoras em torno de uma grande central de aproveitamento energético de biogás, o que possibilita ganho de escala no custo de geração.

Trata-se de um modelo de tratamento dos dejetos animais para a produção de biogás e biometano que poderá ser replicado em outras regiões do Paraná, com ganhos ao meio ambiente, para os produtores e para o uso de gás a partir de sistemas isolados, a ser gerida pela Compagás, e que podem ser duplicadas para outras finalidades além da produção de energia elétrica.

A biodigestão de dejetos orgânicos para a produção de energia tem como parceiros a Copel Geração e Transmissão (financiadora e gestora do projeto) e o CIBiogás como executor.

Também participam do projeto a Prefeitura de Entre Rios do Oeste e a Autarquia Municipal de Serviços de Água, Saneamento e Energia.

TOPO