Quando o produtor tira a plantadeira do galpão, a sorte é lançada. Às vezes, mesmo chovendo dentro da média, a água pode vir na hora “errada” e não beneficiar o cultivo. Então, em tese, a safrinha de milho, plantada agora, e os cereais de inverno têm chance de irem bem, caso chova na hora certa. A pergunta que fica nesse caso é: vai chover na hora certa? A chuva vai normalizar no Paraná?
Segundo os meteorologistas, as cartas do tempo continuaram sendo dadas pelo fenômeno La Niña (aquecimento das águas do Oceano Pacífico). Isso significa menos chuva e mais irregularidade no regime de precipitação na região Sul do Brasil e mais chuva no Centro-Oeste e Nordeste. “Desde o ano passado, temos essa influência, e não é fraca. O fenômeno provoca diminuição da chuva na Argentina, Paraguai e Centro-Sul do Brasil. Somado a isso, estamos vivendo uma estiagem que não é de agora. Dois ou três anos que viemos observando que precipitações vêm abaixo da média”, lembra Luiz Renato Lazinski, consultor em agrometeorologia.
Ao que tudo indica, na leitura de Lazinski, o La Niña vai persistir por um bom tempo. “Vamos ter neste ano ainda a influência na nossa safrinha de milho e praticamente toda safra de inverno. O que podemos esperar com La Niña é períodos curtos em que pode chover bem. Do final de março em diante, essa chuva corta e podemos esperar veranicos, como os que ocorreram no ano passado. Não é que não vá chover, mas a irregularidade é a marca quando acontece esse tipo de condição meteorológica”, pontua o agrometeorologista.
O colega de profissão Ronaldo Coutinho, meteorologista da Climaterra, vai na mesma direção em relação à previsão para os próximos meses. Ele lembra que, desde 2019, o La Niña começou a dar as cartas. “O La Niña diminui o fluxo de umidade da Amazônia e as frentes frias (que causam chuva) passam com mais rapidez. Somado a isso, temos fatores secundários que contribuem para esse cenário de menos chuva. É importante dizer que não é ausência de chuva, mas irregularidade extrema e volumes abaixo da média”, esclarece.
“Nesse cenário, podemos ter até enchentes, como ocorreram efetivamente nos últimos anos em alguns pontos do Sul, pois quando chove, chove demais e em pouco tempo”, reforça.
Frio
O La Niña também influencia nas temperaturas, como aponta Lazinski. Assim como ocorreu em 2021, este ano podem ocorrer ondas de frio intenso a partir de maio. Além disso, as temperaturas baixas devem ir embora mais tarde, com possibilidade de geadas tardias, em especial nas áreas mais altas do Estado.
“O frio provavelmente chegará cedo este ano. Agora, em relação à geada, é difícil que pegue o milho safrinha, como ocorreu no ano passado, porque em 2022 o plantio ocorre dentro da janela ideal. Mas vamos ter massas de frio bem intensos. Ainda, a passagem de ondas de frio deve se prolongar até setembro”, prevê o agroemeteorologista.
E parece cedo para cravar como vai ser o regime de chuvas no ano que vem, na safra de verão, mas Lazinski aponta a tendência de influência da La Niña, ao menos até o início do plantio, em setembro e outubro. “No início da safra de verão ainda vamos estar sob influência de La Niña. O agricultor que fique de olho porque clima não muda muito”, salienta.
Com Boletim Informativo do Sistema Faep/Senar-PR