A possibilidade de prorrogação do decreto estadual que estabeleceu lockdown no Paraná, o qual está previsto para terminar na segunda-feira (08), não está descartada. Dependendo dos resultados e dos números do sistema de saúde do Estado, como novas confirmações de casos de Covid-19, número de óbitos, falta de leitos entre outros, o prazo pode ser estendido para seguir freando o contágio da doença entre os paranaenses.
Neste caso, de acordo com o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, haverá uma organização para que ocorra o funcionamento dos estabelecimentos por faixa de horários. “Ou é vacina ou é essa situação de restringir um pouco a circulação das pessoas para reduzir efetivamente a circulação do vírus ou da cepa que for. Trabalhamos com a hipótese de ter números melhores no fim de semana e trabalhar com faixa de horários na semana que vem. Ninguém quer interromper ou atrapalhar o trabalho de ninguém. As pessoas que estão saindo de casa é porque nao têm a opção de ficar em casa, precisam trabalhar para sustentar suas famílias. Vemos muitas críticas, mas apenas queremos que o Paraná se recupere logo, que toda a dificuldade desse momento seja superada. Sei que essa quarentena restritiva não agrada. Agora, temos pessoas nas portas dos hospitais esperando leitos esperando para entrar. Só quem passou ou está passando por isso sabe do que eu estou falando. Que a solidariedade cristã possa alcançar o coração de todos, que Deus abençoe a todos”, declarou em entrevista à Catve, na quarta-feira (03).
Variantes
Conforme Beto Preto, um estudo feito pela Fiocruz com pacientes positivados no Paraná mostra que, em 216 exames avaliados, 70% tinham a variante amazônica do coronavírus. “Foram testados principalmente os que tiveram maior carga viral. Fizemos 216 testes e tivemos 70% determinando a presença da variante amazônica do coronavírus, a P.1”, comentou.
E o cenário é mais preocupante, salientou. “Eu estive internado em hospital no mês passado, em Curitiba, quando tive Covid, e já percebia que os quadros estavam evoluindo mais rápido. E isso agora se confirma nesses estudos que foram feitos. Ainda não temos os dados oficiais, mas temos os indícios de uma cepa diferente circulando de maneira franca no Estado do Paraná. Esta cepa é mais contagiosa, mais agressiva no contágio e faz com que a evolução da doença possa ser mais rápida. Todas essas informações condizem com o que temos visto nos últimos dias. Relatos como de Cascavel que pessoas estão sendo intubadas em casa me assustam”, enalteceu.
Segundo o secretário, é necessário seguir o cronograma de vacinação e continuar pedindo a colaboração de todos para que sigam as medidas sanitárias preventivas. “Ninguém quer interromper o trabalho de ninguém. Lamentavelmente o ambiente no momento é um pouco hostil, pessoas estão morrendo, estão com dificuldades de ter acesso a hospitais. A luta é muito grande. Vamos seguir levando os pleitos do Paraná ao Ministério da Saúde para que este possa nos ajudar cada vez mais. Precisamos de mais respiradores, de mais monitores e, principalmente, de mais vacinas”, salientou.