Paraná

Terça-feira amanhece com mais de 25 estradas bloqueadas no Paraná

RPC

 

Os caminhoneiros que protestam contra os aumentos nos preços do diesel e dos pedágios continuam com bloqueios em várias estradas do Paraná na manhã de hoje (24). Até as 7h50, pelo menos cinco rodovias federais que fazem ligação com as cidades do interior do estado tinham pontos de bloqueio (veja a lista abaixo). Neste horário, outras 22 rodovias estaduais, que também ligam a capital às cidades grandes do interior como Cascavel e Guarapuava, estavam parcialmente fechadas pelos caminhoneiros.

Ontem (23), mais de 30 rodovias chegaram a ser interditadas ao longo do dia e causaram transtorno para vários motoristas. Não há previsão para o término das manifestações, de acordo com os trabalhadores.

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Na maior parte dos trechos, apenas os caminhões estão sendo impedidos de seguir viagem. Os demais veículos, como carros de passeio e de emergência, circulam normalmente pelas rodovias. Segundo a polícia, até o início da manhã desta terça não havia pontos de congestionamento.

Por volta das 5h30, um caminhoneiro foi ferido por uma bala de borracha durante uma confusão entre os próprios manifestantes em Medianeira, na região oeste. Ele precisou ser encaminhado para um hospital local, mas já foi liberado. O trecho fica no km 667 da BR-277 e chegou a ser fechado por mais de uma hora, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

Os caminhoneiros realizam manifestações no estado desde o dia 13 de fevereiro. Os protestos se intensificaram depois do feriado de carnaval e interditaram diversos trechos em todo o estado.Também há protestos em outras partes do Brasil.

Os trabalhadores também reclamam dos tributos sobre o transporte, como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), e do alto preço do pedágio no Paraná.

Eles pedem ainda melhorias nas estradas e a criação de uma tabela com preços fixos a serem cobrados pelo frete por quilômetro rodado, não mais por viagem.

Confira as interdições

As rodovias federais interditadas são: BR-163, km 32, em Santo Antônio do Sudoeste, km 64, em Pérola do Oeste, e km 284, em Marechal Cândido Rondon; BR-277, km 338, em Guarapuava; BR-369, km 179, em Arapongas; BR-373, km 478, em Coronel Vivida; e BR-376, nos kms 187, 245 e 295 em Marialva, Apucarana e Mauá da Serra, respectivamente.

As estaduais: PR 323, km 36, em Sertanópolis; PR 466, km 91 e 100, em Jardim Alegre; PR 491, trevo, em Marechal Rondon; PR 317, km 467, em Santa Fé; PR 218, km 254, em Astorga; PR 170, km 381, em Guarapuava; PRC 487, km 295, em Manoel Ribas; PRC 466, km 179 e 180, em Pitanga; PRC 280, km 130, em Palmas; PR 281, km 467, em Chopinzinho; PR 182, km 459, em Realeza; PRC 158, km 528, em Vitorino; PR 493, km 32, em Itapejara do Oeste; PR 566, km 12, também Itapejara do Oeste; PRC 280, km 175, em Clevelândia; PR 281, kms 535 e 540, em Dois Vizinhos; PRC 280, km 194, em Mariópolis, km 255, em Marmeleiro; PR 471, km 222, em Nova Prata do Iguaçu; PR 562, km 85, em São João; PR 483, km 001, em Francisco Beltrão; PR 180, km 541, também em Beltrão.

As PRs 160, km 53,5, em Cornélio Procópio; PRC 280, km 130, em Palmas; PR 420, km 42, em Piên; e PR 445, km 83, em Cambé, também foram interditadas pelos caminhoneiros na segunda, mas já estavam liberadas nesta terça.

Reflexos do protesto

Os protestos de caminhoneiros nas rodovias do Paraná começaram a afetar a distribuição de produtos em algumas cidades do estado. Em Pato Branco, no sudoeste, postos de combustíveis ficaram sem gasolina na segunda-feira (23). Em alguns, que ainda tinham combustível, o litro da gasolina atingiu a casa dos R$ 5,00.

Outro produto que começa a atrasar para chegar até o comércio local são os medicamentos. A atendente de farmácia Simone Rufatto diz que fez o pedido na sexta-feira (20) e a entrega estava prevista para o dia seguinte, mas só conseguiu receber nesta segunda-feira. Por enquanto é só atraso, mas ainda está chegando, afirma.

Produção interrompida

Duas fábricas da BRF, que detém as marcas Sadia e Perdigão, interromperam, na segunda-feira, a produção de aves porque não estão conseguindo transportar os produtos nas cidades de Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, no sudoeste.

Por meio de uma nota oficial, a BRF justificou a interrupção dos serviços é por causa dos protestos nas rodovidas, principalmente na região das duas fábricas. Segundo a BRF, as fábricas dependem diretamente do transporte nas rodovias do país para fechar todo o ciclo de produção e comercialização dos produtos.

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) disse não concordar com a mobilização dos caminhoneiros. Os transportadores estão contabilizando prejuízos e pedem medidas urgentes do governo federal, no entanto não compactuam com o movimento dos caminhoneiros, pois bloquear vias não é a melhor maneira de protestar”, afirmou o presidente, Sérgio Malucelli.

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