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Policial

Em depoimento, pai que chutou filha de três anos diz que perdeu o controle

Homem chorou, admitiu o chute registrado por câmeras de segurança e afirmou estar arrependido


calendar_month 14 de julho de 2026
3 min de leitura

O homem preso por agredir a própria filha de 3 anos em Francisco Beltrão chorou durante o interrogatório na Polícia Civil e afirmou ter “perdido o controle” no dia da agressão.

Logo na primeira pergunta feita pelo delegado Anderson Andrei Grosso, o investigado leva as mãos ao rosto e começa a chorar. Após alguns segundos de silêncio, o delegado insiste para que ele responda, momento em que o homem pede um tempo para se recompor.

Ao explicar o episódio registrado por câmeras de segurança, ele afirmou que retornava do mercado com os filhos.

“Estava retornando do mercado. Levei eles pra comprar algumas coisas para eles comerem e na hora de voltar para casa ela tava berrando na rua. Eu tinha pedido para ela parar de ficar berrando e tudo mais e perdi o controle”, afirmou.

Segundo o investigado, uma mulher chegou a questionar o que estava acontecendo.

“Uma senhora perguntou o que estava acontecendo e eu disse que era normal de ficar gritando na rua.”

Na sequência, ele admite a agressão e diz estar arrependido.

“Perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional. Até porque jamais iria machucar a minha filha e acabou acontecendo.”

Questionado pelo delegado se já havia usado força física contra algum dos filhos em outras ocasiões, o homem negou.

Ele citou apenas um episódio envolvendo o menino de 5 anos e um gato da família.

“Ele caiu do sofá. Ele estava machucando um gatinho de estimação e pulou do sofá.”

Em seguida, acrescentou:

“Não precisava ter feito isso, eu só pedi para você parar de bater e enfocar o gato, que não tinha necessidade.”

Durante o interrogatório, o suspeito também afirmou que nunca havia sido preso nem respondido a inquérito policial. Disse trabalhar como repositor de mercadorias e relatou que havia pedido demissão do emprego. Ele perguntou ao delegado se poderia permanecer na casa alugada, alegando que teria dificuldades para conseguir outro imóvel.

Outro momento do depoimento mostra o homem questionando quem havia feito a denúncia contra ele. O delegado respondeu que qualquer pessoa que presencia uma situação como essa tem o dever de comunicar os fatos às autoridades.

Além disso, o investigado informou que também atua como bombeiro civil.

Apesar das declarações, a Polícia Civil concluiu que as agressões não se limitaram ao episódio flagrado pela câmera de segurança. Conforme o inquérito, foram reunidos depoimentos, laudos periciais, avaliações psicológicas e informações da rede de proteção que indicam um histórico de violência contra as duas crianças.

A investigação apontou ainda que o menino de 5 anos teria sido agredido com um pedaço de madeira e que ambos eram submetidos a castigos considerados abusivos, como permanecer ajoelhados sobre tampinhas de garrafa, milho e feijão.

O homem foi indiciado por lesão corporal em contexto de violência doméstica e tortura. A Justiça também determinou medidas protetivas de urgência, proibindo qualquer aproximação da companheira e dos filhos. Ele permanece preso preventivamente.

Com Catve

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