Policial SEGURANÇA

Grupo de elite da PM reforça segurança na região da fronteira

Prestes a completar cinco anos de atuação, pelotão Cobra é o único grupo da Polícia Militar especializado em ambientes hídricos no Paraná. Aplicação dos militares estaduais tem se revertido em mais segurança na área de fronteira e inibido a ação de traficantes e contrabandistas

O Presente

Desafios, mistérios e estratégias são palavras que definem o trabalho do Corpo de Operações de Busca e Repressão Aquática (C.O.B.R.A), do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron).

Criado no final de 2013, o pelotão é o único grupo da Polícia Militar especializado em ambientes hídricos no Paraná. Hoje, prestes a completar cinco anos de atuação, a aplicação dos militares estaduais que integram o Cobra tem se revertido em mais segurança na área de fronteira e inibido a ação de traficantes e contrabandistas, devido a um trabalho de inteligência simultâneo ao patrulhamento ostensivo em toda a faixa fronteiriça.

O trabalho do pelotão Cobra concentra-se na região do Lago Itaipu e seus afluentes. O grupo atua preventivamente na repressão dos crimes transfronteiriços como tráfico de armas, drogas, contrabando de pneus, cigarros, anabolizantes, medicamentos, agrotóxicos, tráfico de pessoas, evasão de criminosos e transporte de bens furtados pela fronteira. As ações abrangem ainda a localização de portos clandestinos.

Considerado um grupo de elite da PM na fronteira, o pelotão mostra a cada ano resultados que o prospectam no cenário nacional como um grupo capacitado para atuar em terra, água e até em operações aéreas (com apoio de aeronaves do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas – BPMOA), a fim de prevenir a ação de contrabandistas e garantir a segurança da fronteira, principalmente entre o Paraná e o Paraguai, além das divisas do Estado com Argentina e Mato Grosso do Sul.

De 2013 até agora, o pelotão apreendeu 139 embarcações, 227 veículos usados para o contrabando, 864 volumes de contrabando diversos, além de retirar de circulação 873.806 pacotes de cigarros.

 

Rota do narcotráfico

O Paraná é um dos Estados brasileiros com o maior tráfego de pessoas e veículos na fronteira com o Paraguai e a movimentação intensa exige um reforço de segurança pública, com equipes policiais preparadas para atuarem especificamente na faixa fronteiriça.

São mais de 1.350 quilômetros de margem do Lago Itaipu, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, e 170 quilômetros de extensão (se considerado em linha reta) numa área em que estão situados 11 municípios.

A geografia da região, por ser essencialmente hídrica, propicia o tráfego de embarcações e, consequentemente, uma rota para o narcotráfico. “Muitos contrabandistas, para comercializar produtos no lado brasileiro e ter alta lucratividade, utilizam a vastidão do Rio Paraná e do Lago Itaipu para transportar suas mercadorias, drogas, armas e até pessoas em embarcações do Paraguai para o lado brasileiro, onde deixam o material na mata ciliar para que pessoas do mesmo grupo criminoso façam o transbordo em veículos e caminhões. Um dos produtos com maior registro de contrabando é o cigarro”, explica o comandante do pelotão Cobra, 2º tenente Thiago Lopes Ribeiro. Conforme ele, isso ocorre porque os indivíduos flagrados com essa mercadoria recebem uma pena mais leve em comparação a outros delitos, como o tráfico de drogas.

 

Pontos críticos

A distância mais curta entre as margens brasileira e paraguaia fica em Guaíra, no distrito de Doutor Oliveira Castro, no Porto de Tigre, que mede em torno de 500 metros. Já em outros locais, como em Itaipulândia, a largura entre as margens é de aproximadamente cinco quilômetros.

Além desses locais, Ribeiro revela que os municípios de Guaíra, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado e Foz do Iguaçu são alguns dos pontos mais críticos da região. “As regiões de Doutor Oliveira Castro e Salamanca, distritos de Guaíra, são locais onde são realizadas apreensões constantes. Hoje, o Porto do Tigre é um dos locais mais perigosos”, revela o comandante.

 

 

Quebra da logística criminosa

De acordo com Ribeiro, o número de apreensões aumentou principalmente devido ao trabalho integrado com outras forças de segurança, através de operações pontuais e expressivas. “Desde agosto de 2016, quando iniciamos a Operação Fronteira Integrada, passamos a atuar em conjunto com o Nepom de Foz do Iguaçu e isso reflete diretamente no número de embarcações apreendidas”, destaca.

Em 2017, além da continuidade da Operação Fronteira Integrada, o pelotão Cobra teve efetiva participação nas operações Captura, em conjunto com o Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom) de Guaíra, e em muitas outras ações desenvolvidas em parceria com outros órgãos, como o Grupo Especial de Polícia Marítima (Gepom) da Polícia Federal (PF) de Maringá, e outras forças especializadas, como o Comando e Operações Especiais (COE) e o grupo Tigre. “É um trabalho de parceria e buscamos sempre crescer juntos”, afirma Ribeiro.

Ele ressalta que o contrabando não é algo isolado, mas que alimenta toda uma rede de crimes. “Quando apreendemos embarcações, estamos quebrando a logística do criminoso. Ele precisa manter as embarcações dele rodando e uma das formas para conseguir isso é furtando ou roubando motores, embarcações e até mesmo veículos”, expõe Ribeiro.

Conforme o comandante, a ruptura da estratégia dos criminosos se torna efetiva porque é na água onde o crime se inicia. “E é nela que precisamos irradiá-lo. Pode haver a situação de uma embarcação que vai fazer o transbordo de carga ilícita para veículos na margem do Lago. Porém, quando nós realizamos a abordagem dessa embarcação, interrompemos ainda na água uma cadeia de crimes que viriam na sequência”, exemplifica.

 

Desafios

A fronteira do Paraná aporta diversos locais que são utilizados diuturnamente por contrabandistas. Os portos clandestinos são portas de entrada de armas, drogas, cigarros e demais produtos ilícitos para o território brasileiro.

“Hoje, um dos maiores problemas no combate ao contrabando são os portos clandestinos”, afirma Ribeiro, explicando que os portos são locais de clareira na mata que possuem condições para receber embarcações e permitem a aproximação de veículos para o transbordo das mercadorias.

Outro fator determinante no trabalho de policiamento, segundo o comandante do pelotão Cobra, são as denúncias feitas através do 181. “Ainda falta a colaboração das pessoas através de denúncias por meio do 181, que é uma ferramenta que auxilia muito no trabalho da Polícia Militar”, diz, acrescentando: “Algumas pessoas, no entanto, costumam não dar a devida importância à prática do contrabando, mas é por meio dele que as quadrilhas conseguem recursos para realizar outros crimes”.

Diante dos desafios e dificuldades enfrentados pela polícia, os criminosos estão cada vez mais audaciosos. Segundo Ribeiro, atualmente já não é mais possível especificar um período em que os traficantes e contrabandistas costumam atuar. “Antigamente até poderia se falar que era à noite, mas hoje, seja de manhã ou à tarde, estamos apreendendo embarcações, veículos ou caminhões carregados com ilícitos”, relata o comandante.

Ele diz que muitos contrabandistas constroem artesanalmente embarcações adaptadas para o transporte de mercadoria clandestina, e essas são as que representam o maior número de apreensões. “Geralmente são embarcações de fabricação própria, de lata ou de fibra, com comprimento seis até 15 metros”, declara, frisando que em apenas uma embarcação, dependendo do tamanho, podem ser transportadas de 40 até 400 caixas de cigarros.

Além disso, assim como por terra, na água os chamados “olheiros” também dificultam os trabalhos da polícia. “Eles são empregados da quadrilha. Dependendo da posição, eles conseguem detectar de longe a chegada e presença de policiais, viaturas e embarcações”, relata.

Com isso, se o contrabandista já está na água, ele abandona a embarcação na barranca do rio e embrenha-se na mata. “A própria região de mata é um ambiente hostil e normalmente ações como essas são realizadas no período noturno, o que dificulta ainda mais a ação policial”, menciona Ribeiro.

Doutrina e treinamentos especiais

Além de embarcações potentes que permitem uma maior velocidade e autonomia na água para interceptar qualquer tipo de embarcação clandestina que navegue na área, os policiais do pelotão Cobra possuem equipamentos diferenciados e passam por treinamentos constantes e específicos para estarem aptos a realizar diversas operações em ambientes aquáticos.

O pelotão possui uma doutrina própria desenvolvida com a evolução das operações do grupo especializado e com grande influência das operações integradas desenvolvidas com outras forças policiais. “Como o Cobra é um pelotão especializado dentro do BPFron, especializado em operações fluviais, se investe muito na capacitação dos policias, treinamentos e instruções. Os policiais são habilitados para conduzir embarcações e são submetidos a cursos dentro da Polícia Militar e outras instituições”, comenta o comandante Ribeiro.

Pelo fato de o pelotão ter peculiaridades na execução dos trabalhos, é exigido uma especialização maior. “Dentro da Polícia Militar do Paraná nós somos o único grupo que atua especificamente na repressão de crimes tranfronteiriços por água. Por isso a seleção para entrar no pelotão é rigorosa. O operador precisa ser muito bem selecionado”, salienta Ribeiro.

Policiais que integram o pelotão Cobra têm como princípios fundamentais a honestidade, voluntariado e fidelidade à técnica empregada na atuação policial. Entretanto, por trás de uma metodologia diferenciada estão policiais que se arriscam diariamente no combate aos crimes transfronteiriços. Para eles, que atuam de forma mais vulnerável, em ambiente mais aberto e muito próximo ao Paraguai, disciplina, coragem e disposição são peças-chaves para os trabalhos serem bem-sucedidos.

Comandante do pelotão Cobra, 2º tenente Thiago Lopes Ribeiro: “Os resultados estão sendo efetivos e nossas embarcações continuam trabalhando diuturnamente na água em toda a área de abrangência das três companhias do BPFron”

 

Começo de ano positivo

Se nos anos anteriores os resultados do pelotão Cobra eram expressivos, em 2018 a tendência é que o número de apreensões atinja patamares ainda mais elevados. Somente neste ano, de janeiro até a segunda semana de março, os policiais militares apreenderam 25 veículos, além de 16 embarcações. Janeiro foi o mês com maior registro de apreensões de barcos, dez no total.

Além disso, foram retirados de circulação mais de 253 mil pacotes de cigarros e apreendidos 165 volumes de contrabando e 200 quilos de agrotóxicos durante as ações policiais. “Os resultados estão sendo efetivos e nossas embarcações continuam trabalhando diuturnamente na água em toda a área de abrangência das três companhias do BPFron”, frisa Ribeiro.

O comandante avalia que apesar de o pelotão ser muito novo, os resultados já estão sendo efetivos e expressivos. “Estamos em constante aprendizado e crescimento e tentando sempre buscar uma capacidade técnica cada vez maior”, finaliza.

Somente neste ano, o pelotão Cobra apreendeu 25 veículos, 16 embarcações e mais de 253 mil pacotes de cigarros

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