O policiamento na cidade de Mundo Novo (MS), na fronteira com Guaíra (PR) e Salto del Guairá (PY), será reforçado hoje (23) em função do julgamento de Celso Rodrigues Oliveira, 46 anos. Ele é acusado de, no dia 24 de outubro de 2010, ter assassinado e violentado sexualmente Vitória Regina Dias Evaristo, na época com dez anos. O policiamento reforçado é uma precaução fundamentada, tendo em vista que na ocasião da prisão do acusado populares tentaram linchá-lo em frente à Delegacia de Polícia Civil da cidade. Celso está preso em Eldorado (MS), para onde foi transferido, por segurança, após sua prisão.
O júri está marcado para começar às 08h30 (09h30 no Paraná). A sessão será presidida pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, de Mundo Novo. O promotor Eduardo Fonticielha De Rose representa o Ministério Público e o defensor público Antonio Bernardi Moreira, de Campo Grande (MS), fará a defesa do réu.
De acordo com informações obtidas pela reportagem do O Presente com o Cartório Criminal de Mundo Novo, será permitido o acesso do público à sala do júri, que tem a capacidade para cerca de 50 pessoas, no entanto, haverá controle de quantidade de pessoas, por senhas, e de entrada, por questão de segurança.
Crime
Celso morava de favor, há dois anos, em um barraco que ele havia construído nos fundos da casa dos pais de Vitória, no Bairro São Jorge. O réu, que catava material reciclável, ficava com a menina, tendo em vista que o casal trabalhava fora o dia todo. No dia do crime ele teria convidado a criança para ir tomar banho em um córrego, nos fundos de uma fazenda em que seu irmão trabalhava. O réu teria orientado a menor a dizer para a mãe dela que iria na piscina da casa de uma amiga. O homem então teria pegado uma faca e ido com a menina, de bicicleta, até a propriedade rural. Nas proximidades do rio, ele teria pedido a menina em namoro, proposta recusada, pois ela disse estar apaixonada por um adolescente de 14 anos. Celso então teria desferido golpes de faca pescoço e abdômen da criança. Enquanto a menina sangrava – o autor disse que ela demorou cerca de uma hora para morrer -, o réu dizia que a amava há dois anos, e por ter sido rejeitado agiu daquela forma.
Segundo Celso, após a menina morrer, ele a teria beijado e em seguida estuprado. Porém, o acusado não explicou a origem de diversas marcas de unhas deixadas pela vítima em suas nádegas, tórax e braços. Laudo médico comprovou que a criança era virgem. Depois que a menina estava morta, Celso teria deixado o corpo sob uma árvore e seguido rumo a Mundo Novo. No entanto, ele retornou ao local, cavou o solo com as próprias mãos e enterrou o corpo. Ao chegar em casa e ver o desespero dos pais com o desaparecimento da menina, Celso ainda ajudou nas buscas. O acusado foi preso no dia seguinte, pois a polícia havia recebido a informação de que ele tinha sido avistado com a menina no dia do crime. O preso então confessou o crime e levou a polícia até o corpo.
Na casa do acusado foram encontradas fotos de crianças do sexo feminino, brinquedos de meninas, revistas pornográficas e quatro folhas de cadernos escritas com declarações de amor.
Debate
Um dos debates que deve ser travado em plenário hoje, por acusação e defesa, é se a menina estava morta no momento da violência sexual. Ocorre que existe diferença na pena de estupro (oito a 15 anos) e vilipêndio de cadáver (de um a três anos). O pai da menina morreu uma semana após o assassinato da filha, possivelmente por não suportar a situação.