Policial Aumento de casos

Incêndios crescem cerca de 90% em Marechal Rondon

(Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
  • Estiagem prolongada contribuiu para o aumento de casos de incêndios em vegetação em Marechal Rondon (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

  • Longo período de estiagem e maior tempo das pessoas em casa devido ao isolamento social por causa da Covid-19 contribuíram para o aumento no número de casos (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

  • Parte interna da granja que pegou fogo em Mercedes na madrugada de segunda-feira (15) (Foto: Sandro Mesquita/OP)

  • Fogo atingiu parte do telhado de uma das três unidades da granja: cada uma delas tem capacidade para aproximadamente 22 mil frangos (Foto: Sandro Mesquita/OP)

  • Cristiano José Emídio, funcionário da granja que pegou fogo em Mercedes: “Se não tivesse esse sistema de sirene poderia ter queimado tudo” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

  • (Foto: Sandro Mesquita/OP)

  • Comandante do 3º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros, capitão Tiago Zajac: “O incêndio ambiental é a situação mais perigosa que os bombeiros podem enfrentar” (Foto: Joni Lang/OP)

  • (Foto: Arte/OP)

  • (Foto: Arte/OP)

O elevado número de incêndios registrado este ano intensificou o trabalho da equipe do 3º Subgrupamento do Corpo de Bombeiro de Marechal Cândido Rondon, responsável pelo atendimento, além da cidade-sede, de outros cinco municípios que integram a comarca rondonense.

Em Marechal Rondon os bombeiros atenderam desde o início de janeiro até a última segunda-feira (15) 75 casos de incêndio, contra 39 em igual período no ano passado, sendo os mais frequentes incêndios ambientais e em edificações.

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Alguns fatores foram determinantes para a elevação no número de atendimentos: um deles é o longo período de estiagem que castigou a vegetação.

Em 2019, até a metade do mês de junho, foram registrados sete incêndios em vegetação (lavouras e terrenos baldios) contra 36 em igual período neste ano, somando um aumento de 414%. “Um aumento bastante significativo e está diretamente relacionado ao período de estiagem”, afirma o comandante do 3º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros, capitão Tiago Zajac.

Segundo ele, as altas temperaturas registradas no início do ano, aliadas ao clima seco e à palhada que cobre muitas lavouras, foram o estopim para muitos incêndios. “Tivemos um período de seca que perdurou até o fim de maio, e isso foi o combustível necessário para esse grande número de incêndios ambientais”, pontua.

Zajac diz que o incêndio em vegetação é um dos mais críticos enfrentados pelo Corpo de Bombeiros. Elementos como o vento, a extensão da vegetação e a dificuldade de acesso ao local com equipamentos e veículos específicos para esse tipo de incêndio podem dificultar o trabalho dos bombeiros. “Muitas vezes é apenas o bombeiro com seu equipamento de proteção individual, uma bomba costal e um abafador”, salienta.

O capitão comenta que a queima malsucedida da palhada na lavoura pode provocar um incêndio em mata nativa. “A queima de uma palhada que se espalha para uma vegetação nativa, que de fora pode parecer pequena, mas quando se está no interior dela, é bastante extensa para um combate individualizado. Então, para perder um homem em um incêndio florestal é bastante fácil”, ressalta.

De acordo com o comandante, a população deve evitar atear fogo em qualquer tipo de material, seja palhada, lixo ou podas de árvores. “Existem outras formas de se retirar esse material. A prefeitura faz um trabalho de coleta de galhada, principalmente na cidade. É só seguir o cronograma de recolha”, aconselha.

 

ISOLAMENTO SOCIAL

Outro fator que contribui para a elevação de casos de incêndios está relacionado ao maior tempo de permanência das pessoas em casa por conta do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus.

Do início de janeiro até o dia 15 deste mês foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros sete situações de incêndios em residências em Marechal Rondon. No mesmo período do ano passado foram registrados quatro casos, resultando em um aumento de 75%.

Conforme Zajac, os principais motivos são a falta de manutenção e a sobrecarga na rede elétrica. “A utilização de vários eletrodomésticos ao mesmo tempo em uma rede que não comporta podem causar problemas”, alerta.

Ele menciona que muitas das ocorrências acontecem em residências que possuem um padrão de energia antigo que não é equivalente ao número de eletrodomésticos existentes atualmente no interior da casa. “Às vezes, têm dois disjuntores para uma casa inteira e eles não suportam a corrente elétrica que os eletrodomésticos demandam”, frisa.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, um sinal que algo pode estar errado é a queda do disjuntor da residência. “É importante fazer a manutenção da rede elétrica, principalmente em casas mais antigas”, orienta.

Outra causa comum de incêndio é a utilização de velas no interior das moradias. “Às vezes as pessoas esquecem e a vela acaba caindo e ateando fogo na residência”, pontua Zajac.

 

COMÉRCIO

O número de casos de incêndios em estabelecimentos comerciais se manteve estável: foram três casos até a metade de junho deste ano, mesmo número que o registrado em igual período de 2019.

Conforme o capitão, o baixo índice desse tipo ocorrência se deve ao trabalho de prevenção desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros. “Precisamos destacar a ação do 2º tenente Lucas Gabriel Schlögl, responsável por esses números positivos”, elogia.

 

QUEIMA DE LIXO

Uma prática recorrente em toda a região e que pode ser o início de um incêndio de grande proporção é a queima de lixo. É comum ver tanto na cidade quanto em áreas rurais pessoas queimando materiais que muitas vezes poderiam ser reciclados.

O número desse tipo de ocorrência se mantém alto nos últimos três anos. Em 2018 foram 14 casos, no ano passado 17 situação e este ano já foram registrados 16 casos em Marechal Rondon.

Zajac observa que essa é uma situação constante na região e que preocupa o Corpo de Bombeiros. “É uma questão cultural. Em cidades maiores não vemos esse tipo de ocorrência”, compara.

Segundo ele, a queima de lixo é desnecessária, pois existe a coleta seletiva, e esses materiais recebem a destinação adequada. “Não há necessidade de queimar lixo, pois existem outros meios de se livrar de materiais que estão causando transtorno”, salienta.

Queimar lixo doméstico como folhas, galhos de árvores, papel, plásticos e outros materiais é crime ambiental de acordo com a lei nº 9.605 de 1998, em seu artigo 54. Além de causar poluição atmosférica com fumaça tóxica, pode resultar em danos à saúde humana ou colocar em risco a fauna e a flora do local.

 

INCÊNDIO EM AVIÁRIO

Um dos últimos incêndios na região foi registrado na madrugada de segunda-feira em um aviário no interior do município de Mercedes.

De acordo com Cristiano José Emídio, funcionário da granja, o prejuízo não foi maior graças ao sistema anti-incêndio existente na propriedade. “Eu estava em casa, escutei a sirene e quando saí no portão vi o fogo”, relatou Emídio ao O Presente.

Ele comenta que a primeira tentativa para conter as chamas foi com os extintores, mas não foram suficientes. “Então utilizei uma mangueira e baldes de água para apagar o fogo. Quando os bombeiros chegaram eu já tinha controlado as chamas”, relembra.

Emídio diz que não se sabe o que causou o incêndio.

 

O Presente

 

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