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Policial

Maconha lidera apreensões do BPFron no primeiro semestre de 2017

calendar_month 14 de julho de 2017
7 min de leitura

Unidade especializada da Polícia Militar do Estado do Paraná (PM-PR), o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), com sede no município de Marechal Cândido Rondon, encerrou o primeiro semestre deste ano com números expressivos de apreensões, principalmente de entorpecentes como a maconha. De janeiro a junho deste ano foram apreendidas nove toneladas e 726 quilos da droga. O número chama atenção pelo fato de que no mesmo período do ano passado o total apreendido não chegou a duas toneladas.

Em contrapartida, o cigarro, produto mais contrabandeado no Brasil, teve uma redução singela nas apreensões. Em 2016, o total apreendido foi de 310 mil e 165 pacotes com dez carteiras. Neste primeiro semestre, no entanto, o número de apreensões do produto totalizou 282 mil e 647 pacotes.

O BPFron conta hoje com três companhias instaladas no Estado, sendo a 1ª Cia em Marechal Rondon, a 2ª Cia em Guaíra e a 3ª Cia em Santo Antônio do Sudoeste. Com isso, os militares têm a missão de atender 139 municípios, buscando prevenir e reprimir a prática de crimes transfronteiriços.

 

Integração é o caminho

Para o comandante da 1ª Companhia do BPFron, capitão Nairo Cardoso, o motivo desse grande número de apreensões realizadas neste primeiro semestre se deve especificamente a uma única ação: a integração entre as forças de segurança que atuam na fronteira. “Estes seis primeiros meses foram bem diferentes. Começamos trabalhos integrados com o Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom), da Polícia Federal, além de atuar em conjunto com a Receita Federal, desenvolvendo operações,como a Operação Muralha, e trabalhos integrados na Ponte Internacional da Amizade”, destaca o capitão.

Os trabalhos integrados na fronteira, na visão do comandante, se mostraram efetivos e os números comprovam isso. “Se as forças de segurança se unem, os resultados são diferenciados. Em Marechal Rondon, por exemplo, em vista dos últimos furtos e roubos ocorridos, começamos a atuar em conjunto com a 2ª Companhia da Polícia Militar e assim continuaremos até que consigamos trazer a criminalidade a níveis, de certa forma, aceitáveis”, enaltece.

Nairo diz que o número de apreensões de barcos também aumentou do ano passado para este. Foram 16 embarcações apreendidas até junho de 2016 e 31 no mesmo período desse ano. Segundo ele, trata-se de uma ação importante, porque dessa forma conseguem “quebrar” a logística do crime. “Esse aumento nas apreensões representa um retorno do trabalho das forças de segurança. Quanto mais conseguirmos focar na fronteira, mais iremos apreender”, comenta.

O comandante revela que o BPFron está buscando integrações com forças policiais de outros Estados, visando uma atuação conjunta para o desenvolvimento de operações e estruturação da segurança nacional.

 

Reflexos dos trabalhos

Com a missão de desenvolver policiamento ostensivo preventivo fardado, para a preservação da ordem pública e operações diversas para emprego em região de fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina, o BPFron também atua no recobrimento das unidades já instaladas e apoiando outras forças de segurança pública. Sobre isso, Nairo menciona que o fato de o BPFron estar fazendo a chamada segunda malha protetiva em Marechal Rondon e região, é bom para os municípios, mas que é necessário um olhar mais abrangente acerca do trabalho do batalhão. “O trabalho que desempenhamos não é demonstrado somente aqui na região. Quando fazemos apreensões, seja de drogas, armas ou de cigarros, o reflexo dessa ação não se dará somente na região, mas sim em grandes centros do país”, aponta o comandante.

De acordo com ele, hoje o BPFron divide a atenção entre os crimes transfronteriços e os crimes que ocorrem nas cidades em que atuam. “Como somos subordinados ao 5º Comando Regional da Polícia Militar, com sede em Cascavel, acabamos tendo que atender as demandas dos municípios da região”, declara.

Realizando ações na região, mas que irão impactar em outros locais, o BPFron, na visão de Nairo, beneficia diretamente a população. “Eu vejo que só o fato de estarmos tirando de circulação contrabandistas e criminosos da região, a população é diretamente beneficiada. Além disso, o policiamento preventivo acaba acontecendo no próprio desdobrar das nossas ações, ou seja, no momento em que o policial está em uma operação ou se deslocando para uma, seja aqui no município ou na região”, ressalta.

Comandante da 1ª Cia do BPFron, capitão Nairo Cardoso: “Esse aumento nas apreensões representa um retorno do trabalho das forças de segurança. Quanto mais conseguirmos focar na fronteira, mais iremos apreender”

Blindar a fronteira

O capitão entende que as apreensões aumentaram bastante no primeiro semestre por conta do foco voltado aos crimes de fronteira. Segundo ele, embora o BPFron atue no policiamento comunitário, dentro dos municípios, a atuação específica da unidade é o combate aos crimes transfronteiriços. “Nós direcionamos parte de nosso efetivo para a Ponte Internacional da Amizade e outra parte para atuar em conjunto com a Polícia Federal. Além disso, também estamos com efetivo que auxilia a 2ª Cia da PM no policiamento da cidade. “Ou seja, o BPFron está somando esforços com outras instituições e atendendo várias frentes. Assim pretendemos continuar trabalhando”, reforça.

Somente neste primeiro semestre, 110 operações foram realizadas pelo BPFron em todos os municípios de abrangência. Destas, muitas delas ainda estão em andamento. Conforme Nairo, metade das operações foram desenvolvidas com foco na fronteira e o restante dentro dos próprios municípios, como segunda malha. O objetivo das operações, segundo ele, é blindar a fronteira. “As operações desenvolvidas especificamente em Marechal Rondon são desdobramentos de serviços de inteligência, visto que colocamos policiais para fazer esses trabalhos voltados especificamente para atender as demandas por segurança do município”, enfatiza o capitão, informando que algumas das operações foram realizadas por conta das denúncias do 181 e que acabaram culminando em mandados de busca e apreensão. 

 

Desafios do combate aos crimes de fronteira

Diante de um cenário em que os criminosos se mostram cada vez mais audaciosos na prática de crimes, Nairo acredita que “não se faz polícia para um dia, principalmente em se tratando de fronteira”. “A polícia é feita de forma gradual, e para conseguirmos fazer isso precisamos sempre buscar aprender e inovar e não fazer o policiamento sempre da mesma forma”, menciona.

Ele também diz que o criminoso não deixa de operar e o crime continua acontecendo com características de sazonalidade, ou seja, cada hora com produtos específicos. “Não podemos ser previsíveis. Necessitamos inovar e adequar a nossa forma de operar, e fazendo tudo isso dentro da lei, ao contrário do criminoso, que não tem essa obrigação”, expõe.

 
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