Um dos mais procurados pelo consumidor e também dos bandidos. O veículo Gol com certeza é um dos carros mais vendidos do Brasil, pelo baixo custo de manutenção e economia. Essas qualidades, porém, despertam o interesse não só das pessoas de bem, como também daqueles que não estão dispostos a trabalhar para ter seu carro ou simplesmente querem pagar um valor irrisório pelo bem, somente considerando o serviço dos ladrões.
De acordo com dados da Polícia Militar, o carro mais furtado e roubado em Marechal Cândido Rondon é o Gol. Foram 12 Gols subtraídos em 2010. Este ano, até quinta-feira (25) haviam sido subtraídos 12 Gols no município, a mesma quantidade de todo o ano passado. Neste mesmo período, no entanto em 2010, foram seis Gols subtraídos – a metade deste ano. Outro dado interessante da polícia revela que os carros mais subtraídos nos últimos anos, fazendo recortes temporais de cinco anos, são os modelos de 1995 a 2000. No total, dos números considerados relevantes, foram 38 veículos destes anos furtados. O número mais próximo foi 21 (de 1989 a 1994).
Voltando ao Gol, os carros deste modelo mais furtados são também de 1995 a 2000: 13. O número mais próximo é oito – de 1989 a 1994. É importante ressaltar que a reportagem de O Presente entrou em contato ontem (26) com a assessoria de impressa do Departamento de Trânsito do Paraná, em Curitiba, com a intenção de obter o número de veículos Gols registrados no município, porém a responsável pelo setor de estatística não foi encontrada.
Crimes influenciam no valor do seguro, mas sistemas de segurança não
De acordo com o corretor de seguros Toninho Orssato, o seguro de um veículo Gol, desconsiderando características do contratante, como idade, sexo, estado civil, tempo de habilitação, entre outros, pode chegar a custar até 25% a mais que o valor de outro carro popular com o mesmo valor. Ele explica que dois fatores explicam a diferença: o risco de sinistro – pelo fato de que muitos veículos são utilizados para exercícios de trabalhos – e os furtos e roubos, tendo em vista que o carro é bastante visado. Na última semana, informou Toninho, dos três veículos furtados e/ou roubados que estavam segurados pela empresa em que trabalha, dois eram Gol e um era Palio. Quanto a equipamentos de segurança como alarmes, Toninho informa que o desconto no seguro para os veículos que os dispõe é praticamente insignificante. Algumas companhias seguradoras nem dão desconto, afirma.
Esquema
O destino dos veículos Gols subtraídos ainda não é confirmado, embora seja de conhecimento popular que a imensa maioria dos carros roubados na região é levada para o Paraguai. Um policial informou nos últimos dias à reportagem que boatos dão conta de que uma empresa no Paraguai teria feito encomendas de Gol. Um esquema para a travessia de veículos para o Paraguai é o flagrado pelas polícias Militar e Civil de Guaíra. Após roubarem os carros, os bandidos trocam as placas deles pelas de veículos quentes, porém, com as mesmas características – cor, ano, modelo – do ilícito. Com a placa fria, os ladrões conseguem passar com mais tranquilidade pela Ponte Ayrton Senna, que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul e Paraguai.
Sargento diz que números servem de alerta a proprietários
O sargento José Nunes Palmeira, da Polícia Militar, diz que os números podem servir de alerta para a população. Os veículos com idade mais antiga não têm um sistema de segurança tão eficaz como os dos mais novos. O proprietário deste tipo de automóvel tem que tomar um cuidado extra. Acreditamos que o fato preponderante para os elementos levarem estes veículos é a facilidade que encontram (para subtrair). Nossa orientação é para que cada proprietário instale algum sistema de segurança.
Um alarme, corta corrente, que não tem um custo tão elevado, vai dificultar a ação do marginal e pode ser um fator decisivo em se ter o veículo levado ou não, informa. A Polícia Militar tem trabalhado em eventos com um aglomerado de automóveis, atenta a estes veículos, mas a quantidade desse tipo de carro dificulta para fazermos toda a segurança, informa.
Sem segurança
Alguns proprietários de veículos com mais de dez anos acreditam que seus bens não são os alvos dos bandidos, mas se enganam, informa Palmeira. O proprietário, por achar que seu veículo não vai ser levado, não coloca um sistema de segurança. Geralmente a pessoa que tem um veículo dessa idade é alguém com poder aquisitivo mais limitado, ele não investe no alarme por achar seu carro velho e facilita a vida do bandido, destaca.
Sistema de segurança pode ser conseguido por R$ 35
Os veículos sem sistemas de segurança são alvos fáceis dos bandidos. Os sistemas não são caros, considerando o prejuízo que se pode ter. Um alarme pode ser conseguido por valores entre R$ 150 e R$ 300. O técnico Guilherme Alberto, que trabalha com sistemas de segurança para veículos, diz que a chave codificada, que geralmente vem em veículos a partir do ano 2000, é um dos grandes avanços para o proprietário não perder seu veículo.
Com o sistema não é possível dar partida no carro com outros objetos. É preciso a chave codificada, o que impossibilita o uso da micha. Os sistemas originais como o da chave codificada dificultam bastante a ação dos ladrões, mas eles sempre conseguem fazer alguma coisa para burlar esses sistemas, ressalta.
Um dos sistemas que têm sido usados no momento é o corta ignição, que tomou o lugar do corta corrente. O sistema pode ser instalado por cerca de R$ 35. O corta corrente cortava a parte elétrica do veículo, fazendo com que ele, se estivesse em movimento, morresse. Hoje, com o corta ignição, será impedido que o carro seja ligado. Se ele ligar vai funcionar normalmente, portanto, é mais seguro com relação a acidentes, informa.
Após perder carro, autônomo só anda com seguro e sistema de segurança
Uma das vítimas dos bandidos este ano foi o universitário e autônomo Eduardo Feiten. No último dia 03 de março ele perdeu seu Gol branco, quatro portas, placas AHS-7161. O carro, avaliado em R$ 12,5 mil, não tinha seguro e sistema de segurança. O carro estava estacionado perto da Falurb, no centro rondonense, e foi levado enquanto a vítima estudava na faculdade. Chovia no dia, lembra Eduardo. O carro era usado pelo rapaz para trabalhar e estudar. A sensação é de desânimo, decepção, descreve.
O pai de Eduardo lhe ajudou e hoje ele tem um Corsa. A lição ficou: o novo carro tem seguro e sistema de segurança. Não acreditava que o Gol seria roubado, por ser um carro mais velho, disse o rapaz. Ele acredita que o carro tenha sido levado pela facilidade, tendo em vista que não tinha sistema de segurança, e por haver facilidade na comercialização, considerando a possibilidade de desmanche.