O Presente
Policial

Números demonstram interesse dos bandidos pelos veículos Gol

calendar_month 27 de agosto de 2011
6 min de leitura

Um dos mais procurados pelo consumidor e também dos bandidos. O veículo Gol com certeza é um dos carros mais vendidos do Brasil, pelo baixo custo de manutenção e economia. Essas qualidades, porém, despertam o interesse não só das pessoas de bem, como também daqueles que não estão dispostos a trabalhar para ter seu carro ou simplesmente querem pagar um valor irrisório pelo bem, somente considerando o “serviço” dos ladrões.

De acordo com dados da Polícia Militar, o carro mais furtado e roubado em Marechal Cândido Rondon é o Gol. Foram 12 Gols subtraídos em 2010. Este ano, até quinta-feira (25) haviam sido subtraídos 12 Gols no município, a mesma quantidade de todo o ano passado. Neste mesmo período, no entanto em 2010, foram seis Gols subtraídos – a metade deste ano. Outro dado interessante da polícia revela que os carros mais subtraídos nos últimos anos, fazendo recortes temporais de cinco anos, são os modelos de 1995 a 2000. No total, dos números considerados relevantes, foram 38 veículos destes anos furtados. O número mais próximo foi 21 (de 1989 a 1994).

Voltando ao Gol, os carros deste modelo mais furtados são também de 1995 a 2000: 13. O número mais próximo é oito – de 1989 a 1994. É importante ressaltar que a reportagem de O Presente entrou em contato ontem (26) com a assessoria de impressa do Departamento de Trânsito do Paraná, em Curitiba, com a intenção de obter o número de veículos Gols registrados no município, porém a responsável pelo setor de estatística não foi encontrada.

Crimes influenciam no valor do seguro, mas sistemas de segurança não
De acordo com o corretor de seguros Toninho Orssato, o seguro de um veículo Gol, desconsiderando características do contratante, como idade, sexo, estado civil, tempo de habilitação, entre outros, pode chegar a custar até 25% a mais que o valor de outro carro popular com o mesmo valor. Ele explica que dois fatores explicam a diferença: o risco de sinistro – pelo fato de que muitos veículos são utilizados para exercícios de trabalhos – e os furtos e roubos, tendo em vista que o carro é bastante visado. Na última semana, informou Toninho, dos três veículos furtados e/ou roubados que estavam segurados pela empresa em que trabalha, dois eram Gol e um era Palio. Quanto a equipamentos de segurança como alarmes, Toninho informa que o desconto no seguro para os veículos que os dispõe é praticamente insignificante. “Algumas companhias seguradoras nem dão desconto”, afirma.

Esquema
O destino dos veículos Gols subtraídos ainda não é confirmado, embora seja de conhecimento popular que a imensa maioria dos carros roubados na região é levada para o Paraguai. Um policial informou nos últimos dias à reportagem que boatos dão conta de que uma empresa no Paraguai teria feito encomendas de Gol. Um esquema para a travessia de veículos para o Paraguai é o flagrado pelas polícias Militar e Civil de Guaíra. Após roubarem os carros, os bandidos trocam as placas deles pelas de veículos “quentes”, porém, com as mesmas características – cor, ano, modelo – do ilícito. Com a placa “fria”, os ladrões conseguem passar com mais tranquilidade pela Ponte Ayrton Senna, que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul e Paraguai.  

Sargento diz que números servem de alerta a proprietários
O sargento José Nunes Palmeira, da Polícia Militar, diz que os números podem servir de alerta para a população. “Os veículos com idade mais antiga não têm um sistema de segurança tão eficaz como os dos mais novos. O proprietário deste tipo de automóvel tem que tomar um cuidado extra. Acreditamos que o fato preponderante para os elementos levarem estes veículos é a facilidade que encontram (para subtrair). Nossa orientação é para que cada proprietário instale algum sistema de segurança.

Um alarme, corta corrente, que não tem um custo tão elevado, vai dificultar a ação do marginal e pode ser um fator decisivo em se ter o veículo levado ou não”, informa. “A Polícia Militar tem trabalhado em eventos com um aglomerado de automóveis, atenta a estes veículos, mas a quantidade desse tipo de carro dificulta para fazermos toda a segurança”, informa.

Sem segurança
Alguns proprietários de veículos com mais de dez anos acreditam que seus bens não são os alvos dos bandidos, mas se enganam, informa Palmeira. “O proprietário, por achar que seu veículo não vai ser levado, não coloca um sistema de segurança. Geralmente a pessoa que tem um veículo dessa idade é alguém com poder aquisitivo mais limitado, ele não investe no alarme por achar seu carro velho e facilita a vida do bandido”, destaca.

Sistema de segurança pode ser conseguido por R$ 35
Os veículos sem sistemas de segurança são alvos fáceis dos bandidos. Os sistemas não são caros, considerando o prejuízo que se pode ter. Um alarme pode ser conseguido por valores entre R$ 150 e R$ 300. O técnico Guilherme Alberto, que trabalha com sistemas de segurança para veículos, diz que a chave codificada, que geralmente vem em veículos a partir do ano 2000, é um dos grandes avanços para o proprietário não perder seu veículo.
Com o sistema não é possível dar partida no carro com outros objetos. É preciso a chave codificada, o que impossibilita o uso da micha. “Os sistemas originais como o da chave codificada dificultam bastante a ação dos ladrões, mas eles sempre conseguem fazer alguma coisa para burlar esses sistemas”, ressalta.
Um dos sistemas que têm sido usados no momento é o corta ignição, que tomou o lugar do corta corrente. O sistema pode ser instalado por cerca de R$ 35. “O corta corrente cortava a parte elétrica do veículo, fazendo com que ele, se estivesse em movimento, ‘morresse’. Hoje, com o corta ignição, será impedido que o carro seja ligado. Se ele ligar vai funcionar normalmente, portanto, é mais seguro com relação a acidentes”, informa.

Após perder carro, autônomo só anda com seguro e sistema de segurança
Uma das vítimas dos bandidos este ano foi o universitário e autônomo Eduardo Feiten. No último dia 03 de março ele perdeu seu Gol branco, quatro portas, placas AHS-7161. O carro, avaliado em R$ 12,5 mil, não tinha seguro e sistema de segurança. O carro estava estacionado perto da Falurb, no centro rondonense, e foi levado enquanto a vítima estudava na faculdade. Chovia no dia, lembra Eduardo. O carro era usado pelo rapaz para trabalhar e estudar. “A sensação é de desânimo, decepção”, descreve.
O pai de Eduardo lhe ajudou e hoje ele tem um Corsa. A lição ficou: o novo carro tem seguro e sistema de segurança. “Não acreditava que o Gol seria roubado, por ser um carro mais velho”, disse o rapaz. Ele acredita que o carro tenha sido levado pela facilidade, tendo em vista que não tinha sistema de segurança, e por haver facilidade na comercialização, considerando a possibilidade de desmanche.

 
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