Policial

Polícia busca identificar autores de assassinato de policial do BPFron

Diversas forças de segurança estão mobilizadas com o intuito de elucidar o crime que vitimou o policial militar do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) Thiago da Silva Rego, de 28 anos. Ele foi assassinado na madrugada de terça-feira (26), na área rural de Altônia, no Noroeste do Paraná, durante confronto com criminosos.

Segundo a polícia, três agentes faziam um levantamento na região com uma viatura descaracterizada, quando outro veículo se aproximou e um dos ocupantes efetuou diversos disparos de fuzil. Na troca de tiros, Thiago, que estava conduzindo o veículo, foi atingido e morreu no local. Os outros dois policiais não foram feridos, no entanto um dos tiros acertou o coldre de um dos agentes.

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Ainda durante a madrugada, a polícia encontrou um carro incendiado na região de Altônia e há suspeitas de que seja o veículo usado pelos assassinos.

Posteriormente, no período da tarde, corpos de dois suspeitos de terem envolvimento na morte do policial foram encontrados carbonizados em um veículo. Os corpos foram encontrados na Estrada Divisória, na mesma região do confronto em que o soldado acabou morto. Eles estavam na caçamba de um Fiat Strada e o veículo queimado não tinha placas.

De acordo com o delegado do Setor de Homicídios da Polícia Civil de Umuarama, Fernando Ernandes Martins, ainda não é possível afirmar o que motivou o crime. Contudo, são grandes as chances de que os corpos encontrados sejam dos envolvidos no homicídio, já que havia marcas de tiros no veículo, que tem as mesmas características do usado no ataque aos policiais.

Ainda no final da tarde de terça-feira, o delegado de Altônia, Reginaldo Caetano, que está à frente das investigações, encontrou em outra estrada rural um boné sujo de sangue, cápsulas de escopeta calibre 12 e em uma árvore de eucalipto foi encontrada massa encefálica ainda não identificada de quem seria.   

 

Comoção e homenagens

Thiago estava lotado na 2ª Companhia do BPFron, em Guaíra, e integrava a corporação havia cerca de quatro anos. O corpo foi sepultado na quarta-feira (27) em Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul. Diversas viaturas policiais participaram do cortejo em direção ao cemitério. O corpo seguiu no caminhão do Corpo de Bombeiros e foi acompanhado pelos amigos e companheiros de farda de Thiago.

O momento do sepultamento do policial militar foi marcado por grande comoção e homenagens.

O coronel Maurício Tortato, comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, e o secretário estadual de Segurança, Wagner Mesquita, também estiveram presentes.

 

Investigações

Diversas forças policiais estão trabalhando visando a resolução dos fatos envolvendo a morte do policial militar. De acordo com o capitão Éldison Martins do Prado, comandante da 2ª Companhia do BPFron em Guaíra, houve uma integração muito forte entre as instituições e os setores de inteligência. Para ele, o caso é considerado uma afronta grave à segurança pública.

Segundo Prado, houve uma evolução nas investigações para desvendar o crime, no entanto nenhuma conclusão pode ser firmada, sendo que as investigações continuam. “O setor de inteligência está diligenciando e acredito que em breve chegaremos a um parecer mais concreto. Ainda há trabalhos de perícias para serem concluídos, além uma série de fatores e trabalhos que se complementarão”, declara o comandante.

O levantamento das informações está sendo realizado por equipes da Polícia Civil e do setor de inteligência da Polícia Militar. “Essas informações direcionam nossas operações. Então os dois trabalhos acabam se integrando e dando resultados positivos e satisfatórios”, pontua Prado. 

O capitão destaca ainda que a polícia está trabalhando com diversas possibilidades do que poderia ter motivado o crime. Para eles, nenhuma hipótese pode ser destacada. “Não podemos dizer que há uma única motivação e que vamos nos desdobrar apenas em cima dessa. Nós temos várias situações que estão sendo avaliadas. Até o momento temos a versão dos policiais que participaram da ação e estamos trabalhando em cima daquilo que eles relataram”, explica.

No entanto, Prado enaltece que a versão dos policiais vai até o ponto em que se encerrou o contato deles com os marginais. “Mas ainda há as diligências posteriores, atos que aconteceram depois do confronto e, além disso, a gente quer saber o que pode ter acontecido antes do confronto, onde os policiais podem nem estar inseridos”, menciona.

Questionado sobre uma possível emboscada, o capitão diz que até o momento isso não foi configurado, no entanto a hipótese não está descartada. “Essa é uma das hipóteses com a qual trabalhamos, mas não temos nada de concreto que nos permita afirmar, até porque há outras possibilidades que, no momento, se mostram mais evidentes”, relata.

No local do crime foram encontrados diversos cartuchos de fuzil 556 oriundos do armamento utilizados pelos criminosos. Segundo Prado, a arma utilizada pelos bandidos é considerada de potencial elevado, mas não chega a ser uma arma pesada.

 

Ligações

Os dois veículos encontrados carbonizados, sendo um deles com dois corpos carbonizados na carroceria, podem ter ligação com o crime, segundo Prado. “Mas isso só poderemos afirmar com o laudo da perícia e isso leva alguns dias. No entanto, eu acredito que possa ter ligação com o crime, haja vista as coincidências, principalmente do veículo apresentar as mesmas características relatadas pelos policiais”, expõe Prado, emendando: “Podem ser fatos novos, mas que também podem ser oriundos de alguma situação relacionada ao confronto”. 

Até o momento os corpos encontrados carbonizados não foram identificados, o que dificulta o trabalho da polícia. “Não temos a quem atribuir a isso, a quem tenha queimado os veículos e os corpos, mas há possibilidade de esse carro ter estado envolvido na situação e sido queimado na tentativa de destruir provas, neutralizar diligências e dificultar as investigações”, considera o capitão.

Acredita-se que o outro veículo encontrado carbonizado também possa ter tido envolvimento no crime, até mesmo pela peculiaridade do dia e local onde foi encontrado.

 

Trabalhos velados

O comandante relata que os trabalhos com veículos descaracterizados são constantes. “Não é uma viatura de investigação e diligências, mas sim uma viatura velada, que foi cedida para a Cia justamente para fazer esse tipo de inserção”, destaca Prado.

Ele menciona que no trabalho de recobrimento e combate aos crimes transfronteiriços, há uma peculiaridade grande e preocupante que é a informação. “Os traficantes investem muito em informação, tanto que pessoas são colocadas para observar a presença de viaturas”, informa, acrescentando: “Essa viatura já esteve, inclusive, envolvida em diversas ocorrências e situações de apreensões porque ela não é identificada pelos observadores ou ‘olheiros’, como chamamos”.

Esse tipo de viatura, de acordo com Prado, chega ao local determinado, faz os levantamentos e retorna para que então as viaturas ostensivas possam fazer o trabalho. “O setor de inteligência trabalha com viaturas veladas, ou seja, a equipe pode chegar, fazer o reconhecimento com essa viatura e em alguns casos específicos, como foi o ocorrido, quando é em alguma área de mais risco, que é preciso um pouco mais de cautela, os policiais normalmente vão fardados, para evitar justamente ser confundidos com policiais da inteligência e serem realmente reconhecidos como policiais militares”, frisa o comandante.

O local onde a ação criminosa aconteceu é porta de entrada de contrabando, drogas, armas e munições. Conforme o capitão, o local já foi palco de diversas apreensões de veículos roubados, contrabandos de cigarros, produtos eletrônicos, armas, drogas e também prisão de foragidos da Justiça.

 

União de esforços

Uma situação como essa, na visão do capitão, merece que sejam reunidos esforços a fim de que o crime seja elucidado e evite que outras situações como essa possam acontecer. Por isso, ele reforça o pedido para que a população entenda que os policiais estavam trabalhando e se arriscando, buscando a repressão de crimes. “O objetivo agora é que a comunidade possa somar junto ao trabalho dos policiais, que estão integrados visando a elucidação dos fatos através de denúncias e relato situações. Muitas vezes algo que pode ser banal para a população, para nós é muito importante, então por mais simples que a informação possa parecer, façam a denúncia, para que assim possamos ir montado esse quebra-cabeça e chegar até os responsáveis pelo crime”, finaliza Prado.

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