O Presente
Policial

Por falta de vaga, menor acusado de latrocínio é liberado

calendar_month 30 de setembro de 2011
3 min de leitura
Juliano Bortolon – Catve.tv
latrocinio

Por falta de vaga nos Centros de Socioeducação (Censes) do Estado, administrado pela Secretaria da Criança e da Juventude, o adolescente de 17 anos acusado de participar do latrocínio que teve como vítima o trabalhador Juliano Fabiano da Silva, 21 anos, de Toledo, no início da noite do último dia 19, foi colocado em liberdade na tarde de ontem (29). O menor, que completa 18 anos no próximo dia 19, havia sido apreendido no último sábado (24), após a prisão de Leandro de Freitas Mantovani, 19 anos, outro acusado do crime. O adolescente conseguiu a liberdade ontem por força do art. 185, § 2º, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que diz que a “internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional.

Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará sua remoção em repartição policial, desde que em seção isolada dos adultos e com instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade”. No caso, havia sido decretada a apreensão do menor por 45 dias e ele estava recolhido numa delegacia da região. “Se você não conseguir transferir o menor para uma entidade do tipo do Cense, para não incorrer em ilegalidade, tem que colocá-lo em liberdade, fragilizando o corpo social. Infelizmente é assim”, lamenta o promotor Noboru Fukace, do Ministério Público em Terra Roxa.

“Foi uma luta terrível na segunda e terça atrás de vaga (para o menor)”, contou Fukace. “Ligamos ontem (quarta-feira), nos disseram que para ter vaga no Sense teria que desinternar alguém, mas essa desinternação não ocorreria a tempo. Eles têm razão, porque não pode ser desinternada uma pessoa para internar outra, seria apenas uma medida paliativa, ajudando Terra Roxa e prejudicando outra comarca”, reconhece.

Gravidade

Para internação no Cense é obedecida uma ordem cronológica dos mandados de internação e gravidade do ato infracional. “Este nosso caso é grave, mas foi afirmado para não havia vaga. Ligamos várias vezes, mas não conseguimos”, lamentou o promotor. Fukace disse que esta não é a primeira vez que a comarca sofre o problema. “Em outros casos não era tão grave”, destaca.

Com a liberação do menor, uma nova medida deve ser proposta pelo Ministério Público, como prisão domiciliar, “mas isso não se compara ao que ele deveria cumprir”, diz Fukace. “É um paliativo. Teria que ver como funcionaria a fiscalização, quem ficaria o dia todo na porta da casa dele? É complicado”, lamenta.

Para o promotor, antes de ter sido feito o ECA, o Estado deveria estar estruturado para atender o que ele prevê, com políticas públicas. “O menor não pode ser vulnerabilizado e, por outro lado, a sociedade não pode ficar fragilizada”, finaliza.

Crime

Logo após o crime os autores foram identificados. Juliano trabalhava com um morador do Jardim Alto Alegre, Toledo, vendendo frutas com um caminhão. Os dois estavam na Comunidade São Sebastião, em Terra Roxa. A testemunha dirigia o caminhão enquanto Juliano estava na carroceria do veículo entregando os produtos aos clientes. Próximo a uma esquina, os dois assaltantes, ambos armados, se aproximaram e pediram o dinheiro. A testemunha parou o caminhão e disse que iria entregar o dinheiro. O menor então teria vindo até a porta do caminhão e pegou cerca de R$ 600 da vítima. Paralelamente, o maior vigiava Juliano na carroceria. Após entregar o dinheiro para o menor, o condutor escutou tiro(s). Os jovens fugiram e quando o motorista foi até a carroceria encontrou seu colega baleado. A vítima ainda foi levada para atendimento, mas não resistiu.

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.