A Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Toledo registrou 356 novas medidas protetivas no primeiro semestre deste ano. O número representa uma média de quase duas novas medidas por dia e acende um alerta para o aumento dos casos de violência doméstica no município.
Em entrevista, o coordenador da Patrulha Maria da Penha, Alessandro Jardel de Paula, classificou o volume de ocorrências como preocupante. É um número assustador, até para quem trabalha há muitos anos no enfrentamento da violência contra a mulher.
Segundo o coordenador, os boletins de ocorrência apontam que os principais fatores relacionados às agressões são o consumo de bebidas alcoólicas, o uso de drogas e conflitos financeiros.
O que fazer em caso de violência
Em situações de ameaça ou risco iminente, a orientação é acionar imediatamente a Guarda Municipal, pelo telefone 153, ou a Polícia Militar, pelo 190, que funcionam 24 horas por dia.
Quando a violência não representa risco imediato, mas ocorre de forma recorrente, a vítima deve procurar a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência e solicitar uma medida protetiva.
Botão Maria da Penha
O coordenador também explicou o funcionamento do Botão Maria da Penha, ferramenta disponibilizada pelo Poder Judiciário e gerenciada pela Guarda Municipal.
O dispositivo pode ser concedido às mulheres que possuem medida protetiva, principalmente nos casos em que há maior risco, considerando o histórico do agressor e a gravidade da violência.
Após a autorização judicial, a Patrulha Maria da Penha entra em contato com a vítima, orienta sobre a utilização do aplicativo e acompanha a situação.
Violência é um ciclo
De acordo com Alessandro Jardel, a violência doméstica costuma evoluir quando não é interrompida. A violência começa, muitas vezes, com agressões psicológicas, evolui para a violência física e pode terminar em feminicídio.
Apesar do cenário preocupante, o coordenador destacou que a medida protetiva tem apresentado resultados positivos.
Segundo ele, em 10 anos de atuação da Patrulha Maria da Penha, foram acompanhadas mais de cinco mil medidas protetivas, com registro de três casos de feminicídio no período. A medida protetiva tem uma eficiência de cerca de 90% para as mulheres que denunciam.
Rede de apoio
Além dos canais de emergência, as mulheres podem buscar apoio na rede de assistência do município, formada por CRAS, CREAS, atendimento psicológico e assistência jurídica, por meio do NUMAP.
Também é possível realizar denúncias de forma anônima pelo telefone 180. Já quem tiver dúvidas sobre violência doméstica ou medidas protetivas pode entrar em contato com a Patrulha Maria da Penha, pelo 153.
A Guarda Municipal reforça que denunciar é fundamental para interromper o ciclo da violência e evitar que os casos evoluam para agressões mais graves ou feminicídios.
Com Catve
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