Um vídeo divulgado pela família do delegado Silvan Rodney Pereira, um dos suspeitos de tortura contra os quatro detidos inicialmente no caso Tayná, tenta trazer uma reviravolta à situação. O material, que teria sido enviado de forma anônima para os familiares, mostra uma sessão de reconhecimento de suspeitos.
Quem é questionado é Ezequiel Batista, de 22 anos, que, segundo a Polícia Civil, teria participado da abordagem à Tayná, mas não teve envolvimento com o crime denunciado, de abuso sexual. O vídeo tenta mostrar que o rapaz foi induzido a reconhecer Silvan.
Nele, o que seria um promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), mostra as fotos do delegado Silvan no computador, mas, antes disso, deixa bem claro que os policiais são de Colombo e que o rapaz precisa olhar com calma.
Na primeira e na segunda tentativa, Ezequiel vê as fotos de Silvan e nega que o delegado tenha participado ou presenciado as supostas torturas contra os funcionários do parque de diversões de Colombo. O mesmo acontece na terceira vez.
Depois das três negativas, o promotor mostra outra foto do delegado e insiste no reconhecimento. Ezequiel diz, então, achar caso não se engane que o delegado estava entre os torturadores. Silvan Pereira, ex-delegado de Colombo e o que assumiu o Caso Tayná inicialmente, está preso há mais de dois meses, junto com outros 13 policiais.
Todos são acusados, pelo Gaeco, de tortura ou participação no ato contra os quatro rapazes detidos, que teriam confessado o crime depois de apanharem. Familiares e amigos dos policiais realizaram um protesto pedindo a libertação deles e a prisão dos suspeitos, que atualmente estão em outro estado, sob o programa de proteção à testemunhas. A Polícia Civil não quis se manifestar sobre o vídeo e ainda aguarda uma resposta do Ministério Público.
Veja o vídeo:
O Caso
Tayná Adriane da Silva sumiu no dia 25 de junho. Dois dias depois do desaparecimento, quatro homens, que trabalhavam em um parque de diversão da cidade, foram presos. Na época, a polícia informou que eles haviam confessado que violentaram e mataram a garota. Dias depois, a perita da Polícia Científica, que estava no momento em que o corpo dela foi encontrado, afirmou não ter encontrado indícios de estupro.
A partir daí, as investigações tomaram outro rumo e toda a equipe da delegacia responsável foi afastada. Houve, inclusive, a denúncia de que a confissão ocorreu sob tortura, e 14 policiais foram presos. Entretanto, o Ministério Público apresentou denúncia contra 21 suspeitos, sendo 16 policiais civis, um policial militar, dois guardas municipais e dois presos de confiança. Além da denúncia por prática de tortura, alguns foram acusados por falso testemunho, lesão corporal de natureza grave e abuso de autoridade e crime de natureza sexual.
A repercussão do caso e dos possíveis erros na investigação inicial acabou respingando na cúpula da Polícia Civil. O então delegado-geral, Marcus Vinicius Michelloto foi substituído por Riad Braga Farhat, que comandava a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc).