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A três semanas do início das convenções, MDB se abre para o diálogo

Deputado federal Sérgio Souza: "Se não tivermos candidato próprio, qual a proposta que se assemelha mais àquilo que entendemos ser bom para o Estado do Paraná? Acho bacana essa possibilidade de sentar à mesa" (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

O namoro que estava prestes a se transformar em casamento teria dado uma esfriada e, se os planos não foram cancelados, ao menos deixados temporariamente de lado. Essa semana, o diretório do MDB do Paraná decidiu colocar em banho-maria as conversas com o PDT do pré-candidato a governador Osmar Dias e formar uma comissão. A três semanas para o início do prazo das convenções, o grupo terá a incumbência de dialogar com todos os pré-candidatos ao Governo do Estado para chegar a uma decisão: a sigla vai lançar candidatura própria ou vai apoiar algum nome? E se for apoiar, quem será esse pré-candidato?

O deputado federal Sérgio Souza (MDB) foi convidado para compor essa comissão. Em entrevista ao Jornal O Presente, ele explicou que integra uma ala da agremiação que até então estava fora do debate visando à eleição de outubro. Mas fica a pergunta: a comissão terá voz para decidir ou a decisão final será do presidente estadual do diretório, o senador Roberto Requião? “Não sei”, admitiu o próprio parlamentar. “Soube da formação da comissão e me comunicaram que sou um dos membros. Essa é uma boa pergunta e a farei na primeira reunião”, emendou.

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Mesmo longe das negociações políticas e eleitorais, Sérgio Souza optou em permanecer filiado à sigla e descartou uma troca na recente janela partidária. “O MDB tem problemas assim como todos os partidos têm, mas digo que os problemas residem mais nas pessoas que dirigem (a agremiação) do que no partido. O problema é o cerne de algumas pessoas que estão nestes partidos”, avalia.

Para ele, a sigla encolheu muito nos últimos anos devido a uma política instalada pela direção atual e pelo modelo que foi instituído ao ponto de perder lideranças. “Quer alguém mais emedebista que o Ademir Bier (deputado estadual hoje filiado ao PSD)? Não tenho nenhuma dúvida que o Ademir Bier continua 100% emedebista, mas ele percebeu uma dificuldade de eleição no partido diante da possibilidade do MDB não ter coligação no futuro. A única opção que parecia naquele momento que sobrava para o MDB era uma coligação com o Osmar Dias. Era a única conversa que seria admitida pelo que assistimos da direção estadual. A única conversa plausível seria com o Osmar Dias, mas nunca tivemos uma segurança na candidatura dele. Como uma coligação ficava difícil, o Bier enxergou isso e, mesmo com a possibilidade de obter uma votação expressiva, a maior que já fez, corria o risco de ficar de fora (da Assembleia) e o Oeste sem um representante. Isso tudo era preocupante e ele tomou uma decisão. Eu não precisei chegar a tanto, mas agora o MDB começa a enxergar isso”, detalha o parlamentar, que continua a análise: “E se de fato o Osmar não for candidato, a coligação tem que ser com quem? Por que não sentar na mesa e discutir com os outros pré-candidatos? Com o Ratinho Junior (PSD), Cida Borghetti (PP), por que não? Nós temos um partido que tem identidade eleitoral, tempo de propaganda e a parte estrutural. Se não tivermos candidato próprio, qual a proposta que se assemelha mais àquilo que entendemos ser bom para o Estado do Paraná? Acho bacana essa possibilidade de sentar à mesa. Vou participar da comissão e vou emitir minhas opiniões”, argumenta.

 

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