A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta segunda-feira (13), a reunião de trabalho “El Niño no Paraná: prevenção, cenários e desafios”. O encontro, promovido de forma conjunta pelo deputado estadual Evandro Araújo (PSD), vice-presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, e pelo presidente da Alep, Alexandre Curi (Republicanos), reuniu especialistas de diversas áreas para debater estratégias para evitar desastres climáticos e dar uma resposta rápida em caso de alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
Para o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, Coronel Ivan Ricardo Fernandes, o planejamento prévio para enfrentar os possíveis efeitos do El Niño é importantíssimo.
“Esse encontro de hoje é extremamente importante para mostrar à sociedade tudo aquilo que a Defesa Civil Estadual tem feito, em conjunto com os municípios, na preparação para o evento do El Niño, que se aproxima do Estado, principalmente na primavera e no verão”, explica, ressaltando que o Paraná vem se preparando há alguns meses para as eventualidades.
“Nos meses de primavera, já é muito característica a grande incidência de chuvas. No entanto, estão previstas chuvas de 60% a 80% acima da média esperada. Por isso, trabalhamos com atividades de prevenção e planejamento, principalmente em função da possibilidade de ocorrência de inundações e alagamentos em alguns municípios e regiões”, complementa.
Monitoramento constante
O trabalho de prevenção e resposta rápida em caso de desastres climáticos tem a previsão meteorológica como importante aliada. O coordenador de Operações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, afirma que o fenômeno é monitorado há vários meses.
“Isso já vem sendo discutido nos últimos meses, e no dia 11 de junho foi decretado oficialmente o início do fenômeno, que deve perdurar até pelo menos o verão do próximo ano. O ápice dele é esperado para a primavera, que é o período em que os principais impactos devem ocorrer. Mas pode acontecer antes ou depois, por isso fazemos o acompanhamento tanto na previsão do tempo quanto no monitoramento meteorológico”, conta, lembrando da importância da atuação do Simepar junto às autoridades estaduais e municipais.
“Toda e qualquer informação de situação meteorológica adversa é repassada à Defesa Civil, que emite o devido alerta. O monitoramento é contínuo, com todos os nossos equipamentos em operação, para acompanhar de perto, passo a passo, a evolução do fenômeno. O que normalmente esperamos, em função do alto volume de chuva, são alagamentos, enxurradas e inundações. Esse é o principal foco. Assim, as áreas de risco com essa predisposição são os pontos em que as autoridades devem ficar mais atentas para tomar as medidas de mitigação.”
Para o presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires, o mais importante é que a população saiba onde se informar, evitando boatos e previsões catastróficas.
“O que temos reforçado junto à população é que ela busque sempre informações em locais adequados e com fontes oficiais. Sabemos que será um evento forte, com aumento das chuvas e probabilidade de inundações, mas nada que precise ser desesperador ou apavorante. Temos tomado as medidas adequadas: adquirimos mais seis radares meteorológicos, que serão instalados em breve. Com esses radares e com nossa rede de estações hidrometeorológicas, poderemos fornecer as informações adequadas à população, para que sejam tomadas as medidas pertinentes a cada momento”, resume.
Participaram do encontro também o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Natalino Avance de Souza; a auditora de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Alcione Aparecida Savariani Bertol; o diretor de Políticas Ambientais da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (Sedest), Rafael Andreguetto; o coordenador do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) em Emergência Climática da Universidade Federal do Paraná, Francisco Mendonça; a coordenadora adjunta do Conselho Acadêmico do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Maringá, Marta Luiza de Souza, entre outros representantes de prefeituras e entidades públicas e privadas.
Fenômeno aguardado
Segundo a Nota Técnica Conjunta mais recente do Simepar e da Defesa Civil Estadual, o Oceano Pacífico encontra-se atualmente em neutralidade, com 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño ao longo do inverno, em intensidade projetada de moderada a forte. Para o período de primavera e verão, o cenário exige atenção redobrada: há risco de chuvas acima da média, com elevação da probabilidade de enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos, sobretudo entre setembro e dezembro.
Na última década, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais, que atingiram praticamente todos os 399 municípios, afetaram mais de 4,5 milhões de pessoas e geraram cerca de R$ 32 bilhões em prejuízos. Somente na última primavera, as ocorrências mais que dobraram em relação ao ano anterior, com forte crescimento de vendavais e granizo, além do registro de eventos severos, como os tornados que atingiram o interior do Estado.
Com Assembleia Legislativa
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