Lideranças ouvidas pela reportagem de O Presente concordam com a operação, mas discordam da forma como ela foi tratada. De acordo com elas, o agronegócio brasileiro é um dos mais seguros do mundo, mas agora colhe a depreciação da imagem frente à opinião pública causada por uma minoria.
O deputado estadual Elio Rusch lembra de alguns casos que afetaram o agronegócio brasileiro no passado e que depois não se confirmaram. A forma como a operação foi divulgada foi precipitada. Na minha opinião, essa investigação tinha que ter caráter sigiloso por envolver um setor tão importante. As pessoas envolvidas teriam que ser condenadas, mas toda a cadeia deveria ser preservada. Lembro de casos como a peste suína africana, a febre aftosa e depois a doença da vaca louca, que depois não se confirmaram, mas causaram grandes prejuízos, comenta o deputado rondonense. As pessoas precisam ter seriedade para tratar desses assuntos porque eles afetam diretamente a economia, avalia.
Para o parlamentar, o país precisa trabalhar rápido para recuperar a imagem do setor. Vamos precisar resgatar a confiança e a credibilidade do mercado nacional e internacional. O governo federal e as entidades que representam o setor produtivo devem se unir porque o momento demanda um grande trabalho para mostrar à população efetivamente que o setor de carnes não é o que se divulgou no primeiro momento, avalia. Nossa carne felizmente é de qualidade.
O deputado federal Dilceu Sperafico tem a mesma linha de raciocínio. A notícia foi recebida de uma forma muito ruim. Foi feito um carnaval em cima de pouca coisa. Esse tipo de situação deveria ter sido corrigido sem alardes, com punição para fiscais e empresas. O que ficou parecendo é que a nossa sanidade é ruim, mas, pelo contrário, ela é ótima, diz. Não é isso tudo que foi apresentado. O Brasil tem feito o dever de casa, com um controle sanitário que é um dos mais rígidos do mundo. A Polícia Federal está correta em fazer a investigação, mas não precisava fazer pirotecnia, avalia.
Segundo o deputado Sérgio Souza, o erro de poucos foi generalizado para a cadeia toda. Estão transformando a exceção em regra. Acredito que uns poucos frigoríficos, que já foram fechados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, fraudavam alimentos. Temos um mercado de R$ 180 bilhões sob ataque. Temos que defender o Brasil, afirma Souza.