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Conselho de Ética da Alep recebe pedido de cassação do mandato de Traiano; veja repercussão

Dos 54 deputados, apenas dois se manifestaram na sessão plenária sobre caso de propina envolvendo o presidente da Casa

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(Foto: Divulgação/Alep)

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) recebeu na segunda-feira (11) o pedido de cassação do mandato do presidente da Casa, Ademar Traiano (PSD).

A solicitação foi protocolada na última sexta-feira (8) pelo deputado Renato Freitas (PT) após reportagens revelarem que Traiano confessou ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) que pediu e recebeu propina. Os pagamentos ilícitos foram feitos dentro da Alep e no hall do prédio onde o deputado mora.

O presidente do Conselho, deputado Jacovós (PL), explicou que, como determina o Regimento Interno, o pedido foi devolvido para a Mesa Executiva, da qual Traiano é presidente. Cabe à Mesa autorizar a abertura do processo.

Coforme Jacovós, a Mesa tem o prazo que entender para devolver o processo ao Conselho. A assessoria da Alep disse que a Mesa Executiva vai seguir o trâmite previsto no regimento interno.

O silêncio de Traiano

Traiano não se manifestou em plenário sobre admissão de propina — Foto: Alep

Traiano não se manifestou em plenário sobre admissão de propina — Foto: Alep

A sessão plenária de segunda-feira foi a primeira desde a derrubada da decisão judicial que impedia o g1 e a RPC de noticiarem que Traiano e o ex-deputado Plauto Miró admitiram terem pedido e recebido propina.

Traiano não disse uma palavra sobre o assunto ao longo da sessão. Não falou com os jornalistas e abriu a sessão sem qualquer explicação sobre o tema em plenário.

Dos outros 53 deputados estaduais, apenas dois tocaram no assunto.

Fábio Oliveira (Podemos) foi à tribuna pedir a renúncia de Traiano da presidência da Alep. O afastamento do comando da Casa também foi solicitado na semana passada pela Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR).

“Eu peço, portanto, senhor presidente, que vossa excelência renuncie ao mandato de presidente da Assembleia Legislativa do Paraná.”

Da Mesa Executiva, Traiano ouviu o discurso, não respondeu, e seguiu em frente com a sessão.

Deputado estadual Fábio Oliveira (Podemos) — Foto: Alep

Deputado estadual Fábio Oliveira (Podemos) — Foto: Alep

Mais tarde, Oliveira afirmou que o estado espera uma resposta por parte de Traiano.

“Sinceramente eu não esperava uma resposta, até porque existe um procedimento aqui da Casa em relação ao expediente em relação a isso, mas obviamente que nós aguardamos ansiosos, sim, o Paraná aguarda uma resposta do nosso presidente em relação ao que foi solicitado aqui.”

O outro deputado a tocar no assunto na sessão foi o próprio deputado Renato Freitas, autor do pedido de cassação do mandato de Traiano.

A confissão da propina veio à tona após ser mencionada em processo por quebra de decoro movido por Traiano no Conselho de Ética da Casa contra o deputado Renato Freitas. Entenda aqui.

“Parece que o jogo virou. Um dia é da caça, o outro do caçador. Nesta terra somos todos poeira da mesma estrela. Ninguém é mais que ninguém. Eu sei, minha mãe me ensinou, ninguém é rei e aqui estou para falar e para provar.”

Outros parlamentares, questionados pela imprensa, preferiram não se posicionar. Foi o caso do ex-primeiro-secretário da Alep deputado Luis Claudio Romaneli (PSD).

“Eu prefiro não opinar. Na verdade isso não está no âmbito da minha competência, quem vai analisar isso é a comissão de ética, eu prefiro não dar opinião”, disse.

O líder da Oposição, Requião Filho (PT), disse que espera informações do Tribunal de Justiça e do Ministério Público.

“Eu acho que a gente tem que ter o conhecimento de todos os fatos. Nós mandamos, como oposição, um ofício ao Tribunal de Justiça, ao Ministério Público, buscando explicações sobre o que aconteceu e porque está em sigilo. Com isso em mãos, nós podemos dar sequência e estabelecer quais caminhos a serem tomados pela oposição.”

O líder do governo, Hussein Bakri (PSD) disse que apenas que lamenta o ocorrido.

“Eu não estava aqui na época, não participei dos fatos, não vi os fatos. O que eu posso dizer? Eu lamento por óbvio, lamento profundamente, mas estou assistido e espero que tenha o desfecho melhor possível para o estado do Paraná.”

Em nota, Traiano reiterou o “compromisso inabalável com a verdade e com a justiça”.

A nota informou que Traiano já formalizou um acordo com o MP-PR, devidamente homologado pelo Judiciário, e que o deputado não está envolvido em nenhum processo em curso, não possui condenação criminal e não enfrenta qualquer pendência com a Justiça.

Com G1

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