Rodolfo Stuckert/Agência Câmara

Pelo menos sete medidas patrocinadas pelo novo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), golearam os petistas e o governo Dilma Rousseff nas duas primeiras semanas de fevereiro. Da vitória na disputa pela direção da Casa à aprovação da proposta que obriga o pagamento de obras indicadas pelos parlamentares no orçamento, a avalanche não deu trégua. Se restou um consolo, Cunha negou-se a engrossar o discurso pelo impeachment da presidente.
O pesadelo governista começou na eleição pela presidência da Câmara, dia 1.º. Na véspera do pleito, o peemedebista foi procurado por emissários do PT pedindo um acordo. Cunha recusou e venceu Arlindo Chinaglia (PT-SP), que contou com amplo apoio do Palácio do Planalto, ainda no primeiro turno, com 267 votos. O gol valeu por dois, já que a montagem das chapas impediu que o PT ocupasse qualquer um dos demais sete postos da mesa diretora.
Dois dias depois, Cunha acelerou a criação da comissão especial para discutir a reforma política com base em uma proposta de emenda à Constituição (PEC) contrária às sugestões do PT sobre o tema. Na sequência, indicou Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da comissão e Marcelo Castro (PMDB-PI) como relator, isolando mais uma vez os petistas, que elegeram a maior bancada da Câmara, com 69 deputados.
Enquanto o líder do PT na Casa, Sibá Machado (AC), fazia discursos contrários ao orçamento impositivo, Cunha cumpriu a promessa de encerrar a aprovação da proposta, que obriga o Poder Executivo a pagar as emendas individuais dos parlamentares. Em paralelo, o peemedebista patrocinou a ideia de convidar todos os 39 ministros para prestar esclarecimentos aos parlamentares e sinalizou que eles podem ser convocados se não toparem o convite.
No dia 12, autorizou a criação de uma comissão para discutir mudanças no rito de tramitação de medidas provisórias e colocou em pauta o requerimento de urgência para o projeto que dificulta a fusão de partidos. A primeira medida tenta minar o principal instrumento que o Planalto tem à mão para controlar a agenda do Congresso. O segundo busca anular uma jogada organizada pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD-SP), de criar um novo partido e rachar o poder dos peemedebistas no Parlamento.
Nova ordem
Cabo eleitoral de Cunha, o deputado João Arruda (PMDB-PR) diz que o colega usou os primeiros dias para mostrar que está disposto a impor uma nova ordem na Casa. Com ele, as coisas acontecem rápido. Pode se preparar para, no prazo mínimo possível, a reforma política estar no plenário, diz Arruda.
O que alguns veem como uma derrota do Executivo, a maioria dos deputados vê como uma amostra de independência, diz Sérgio Souza (PMDB-PR). Outra fonte peemedebista diz que a declaração de Cunha de que não vê razões para abrir o processo de impeachment contra Dilma é no máximo um gol de honra para o governo. Ele não quer derrubar a Dilma, até porque tem muito mais a ganhar mantendo ela fraca.