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Política

“Estou à disposição do Brasil”, afirma José Carlos Schiavinato

calendar_month 9 de maio de 2017
12 min de leitura

Deputado estadual José Carlos Schiavinato: “Este projeto (Aeroporto Regional) ficou adormecido ao longo dos 18 anos e agora é hora de retomar”. Foto: Alep

 

Foram mais de 30 anos dedicados à Prefeitura de Toledo. Quando terminou seu segundo mandato como prefeito, em 2012, José Carlos Schiavinato (PP) começou a trabalhar para ser deputado estadual. Foi eleito em 2014 com uma votação expressiva, sendo inclusive o 14º candidato mais votado. Agora seu projeto político se encaminha para tentar uma vaga à Câmara Federal no ano que vem, tendo em vista que o deputado federal Dilceu Sperafico (PP) já sinalizou e declarou que não pretende disputar a reeleição.

Em entrevista concedida ao Jornal O Presente, Schiavinato fez uma avaliação sobre o trabalho que vem desenvolvendo na Assembleia, explicou por qual motivo optou em permanecer no Poder Legislativo ao ser sondado para ocupar cargos importantes no governo federal, falou sobre as eleições de 2018 e projetos que está acompanhando de perto, como as tratativas para construção de terceira faixa entre a cidade de Marechal Cândido Rondon e Iguiporã, o Aeroporto Regional e o Hospital Regional de Toledo. Confira.

 

O Presente (OP): Após mais de 30 anos de vida pública e serviços prestados à Prefeitura de Toledo, o senhor já completou pouco mais da metade do seu mandato como deputado estadual. Está satisfeito com o trabalho que tem desenvolvido na Assembleia Legislativa até o momento?

José Carlos Schiavinato (JCS): Tive a satisfação em poder assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa, com votação interessante, sendo o 14º mais votado no Estado, e com uma votação excepcional no município de Toledo, mostrando o reconhecimento da comunidade pelos 33 anos de prestação de serviço direto ao município. Isso me deu tranquilidade em poder chegar com referendo popular do voto e poder ajudar na governabilidade do Estado. É o que estou fazendo. Procuro ser útil na minha função como deputado, que é legislar em benefício do povo paranaense, e procuro também ajudar os prefeitos e o próprio Governo do Estado com a experiência administrativa que acumulei ao longo da minha vida. A soma destas ações tem feito com que me sinta muito útil neste momento ao Estado, frente a tudo isso que estamos conseguindo fazer em prol do Paraná, e procurando ajudar os municípios, uma vez que somos municipalistas. Me sinto muito à vontade e muito satisfeito em ter tido essa oportunidade até o momento.

 

OP: Com a decisão do deputado federal Dilceu Sperafico em não disputar a reeleição, o senhor está trabalhando para uma candidatura à Câmara Federal em 2018. Este projeto é algo já consolidado?

JCS: Tenho tido uma preocupação em ser útil ao sistema. Fiz isso como governante no município de Toledo e como servidor de carreira, ocupando várias secretarias ao longo dos 25 anos dos 33 que permaneci dentro da prefeitura. Para mim foi um aprendizado muito intenso. Aprendi muito sobre administração pública. Logicamente, tenho me colocado à disposição neste momento do Estado do Paraná, utilizando todo este conhecimento, e estou à disposição do Brasil. Quero poder ajudar diretamente o meu país. Já fui sondado para ocupar importantes funções no governo federal, mas decidi buscar estas oportunidades através do voto, que é o que tenho feito. Tenho me dedicado exclusivamente ao trabalho público, o que tem dado a oportunidade de interagir com muitos prefeitos e com a própria sociedade no sentido de poder buscar essa possibilidade se não concretizar a candidatura à reeleição do deputado federal Dilceu Sperafico. Eu julgo que é um processo natural. Estou à disposição, faço aquilo que posso, faço com conhecimento técnico, me dedico por inteiro, dou resposta à sociedade em todas as intervenções que são ao meu respeito e acredito que se tiver essa oportunidade poderei contribuir muito com o desenvolvimento do país frente a tudo aquilo que aprendemos ao longo da vida. É uma oportunidade que pode surgir dependendo de uma decisão final da paralisação do trabalho político do deputado Sperafico.

 

OP: Até pelo fato de ter dedicado 33 anos de sua vida à Prefeitura de Toledo, o senhor já comentou a afinidade que possui com o Poder Executivo. Então por que optou em recusar convites para assumir cargos no governo federal em detrimento de disputar eleições e ser deputado?

JCS: Dentro da vida pública aprendemos fazendo. Pude observar ao longo da minha trajetória que o respaldo popular, por meio do voto, dá uma grande condição de poder agir e atuar com total liberdade dentro dos conhecimentos que temos na área pública. Abrimos mão em ocupar uma função comissionada no governo federal em razão da vulnerabilidade até pela instabilidade política que vive o Brasil. Achei melhor buscar essa possibilidade (disputar eleição) que pode vir no futuro novamente. Agora estou como deputado estadual e no futuro, possivelmente, como deputado federal poderei ter segurança naquilo que faço e, com respaldo popular, ter mais condição em colocar os conhecimentos em benefício da nação.

 

OP: Na sua avaliação, o resultado de diversas operações policiais em andamento, como Lava Jato, Carne Fraca, Pecúlio, dentre outras, pode mudar o quadro político no ano que vem? Isso pode trazer eventuais mudanças no seu projeto?

JCS: Não atrelo nosso projeto em ter essa possibilidade com as ações que vêm acontecendo no Brasil. A comunidade é inteligente, sabe separar as coisas e observamos que dentro da política é importante ter uma caminhada retilínea, de viver com o recurso que se obtém da sua força de trabalho. Dentro destas ações que acontecem hoje e nesta situação difícil que vive o Brasil, o povo é sábio e vai poder, no momento correto, decidir e definir qual o futuro que espera para nossa nação.

 

OP: Para ser bem-sucedido em 2018, o senhor trabalha para buscar votos em aproximadamente quantos municípios?

JCS: Tenho tido a responsabilidade de atender vários municípios. Tenho feito um trabalho diferenciado, pois tenho atendido municípios onde não fiz voto. Tenho feito um trabalho em que estou à disposição. Tenho encontrado prefeitos que têm necessidade de me ouvir e de buscar, através da minha participação, algo no lado técnico para suas prefeituras. Tenho procurado ajudar. Acredito que no futuro poderá haver o reconhecimento de tantas andanças que temos tido pelo Paraná. O que fica é o reflexo da nossa administração em Toledo. As pessoas têm um carinho especial quando ouvem sobre os programas que foram implantados lá e isso fica na memória. Dentro desta plataforma política hoje, nos cerca de 30 municípios em que estamos conseguindo auxiliar e estar presentes, em alguns mais e outros menos, teremos uma ação política que, não tenho dúvida, irá se transformar em resultado positivo para que possamos alcançar a nossa meta diante da possibilidade futura de uma candidatura a deputado federal.

 

OP: O senhor já vem discutindo a formação de dobradinhas? Alguma composição já está encaminhada ou acertada?

JCS: O processo é natural. Tenho bom relacionamento com os 53 deputados estaduais, me dou bem com todos, independente de sigla político-partidária. Tenho uma política de bom relacionamento em vários locais do nosso Estado. Tenho procurado ser companheiro destas pessoas que estão junto conosco no trabalho no Parlamento. Com certeza em muitos locais virão as dobradas, normais no processo eleitoral e, sem dúvida, o município de Toledo vai poder colocar um nome também para ser candidato a deputado estadual pelo próprio município, até pelo colégio eleitoral bastante forte que possui. Esse é um processo natural e estaremos juntos com muitos que estiveram com o Sperafico ao longo desta caminhada. Isso vai continuar acontecendo pela nossa participação e pela maneira como tratamos os deputados estaduais.

 

OP: Qual nome o senhor vê hoje de Toledo com potencial para ser candidato a deputado estadual?

JCS: Estamos tratando deste assunto com muito cuidado, porque o desenrolar desta definição depende da reforma política. Em função do que vai acontecer da reforma é que vamos ter a oportunidade de falar sobre nomes. O momento é de aguardar as definições para depois, sim, buscar dentro da sociedade o nome de uma pessoa que possa compor e continuar prestando este serviço que já é histórico desde o tempo do Duílio Genari (PP), que ficou muitos anos como deputado, além de outros que o antecederam. Vamos buscar essa oportunidade, mas por enquanto sem falar de nomes, pois ainda é muito cedo e vai depender da reforma política.

 

OP: O PP é um dos partidos que está no centro das investigações da Lava Jato. Em algum momento o senhor avaliou a possibilidade de sair da sigla ou recebeu convites para se filiar em outra agremiação até pensando no seu projeto político?

JCS: Partido político é importante porque dá oportunidade em participar de processos eleitorais. Dentro do nosso partido algumas pessoas tiveram, pelo que se comenta na imprensa, algum desvio de conduta. Isso são questões pontuais e muitas pessoas com boa índole têm feito um trabalho muito bom em benefício do Brasil. Estas pessoas prevalecem, pois é o bem sobre o mal. Não tenho pretensão em mudar de sigla partidária em razão destes acontecimentos. O que tenho observado é que cada um é cada um e as pessoas fazem aquilo que está à sua disposição em fazer, independente de sigla. Em todas as siglas existe este problema que vive hoje o Brasil. Me sinto muito confortável dentro do partido, uma vez que ele é muito forte na região Oeste do Paraná. Não vejo necessidade de se discutir siglas, pois estamos compondo uma sigla que possui pessoas de bem e que têm procurado ajudar o desenvolvimento do Brasil e seus Estados.

 

OP: Marechal Cândido Rondon conta com dois deputados que possuem domicílio eleitoral no município – Ademir Bier (PMDB) e Elio Rusch (DEM) – e que são de grupos políticos adversários. Mesmo assim o senhor tem sentido que é possível trabalhar em conjunto com eles e tem havido harmonia?

JCS: Tem tido harmonia. Tenho procurado fazer com que minhas atividades nos municípios que têm participação dos deputados de Rondon aconteçam em conjunto. Tenho procurado compartilhar meu conhecimento, aliado ao conhecimento destes deputados que estão há mais tempo aqui (Assembleia). Essa vontade própria de se ajudar tem prevalecido. Não tenho dificuldade nenhuma em trabalhar junto com os deputados de Rondon. E digo que temos crescido muito com isso, além de estarmos conseguindo muitos avanços para a região Oeste em função desta aproximação. Me sinto muito à vontade em poder trabalhar em várias ações que desenvolvemos juntos.

 

OP: O senhor tem se engajado para que o trecho entre a sede rondonense e Iguiporã receba terceira faixa. Diante do momento econômico do Estado, é possível que a obra realmente saia do papel?

JCS: Estamos trabalhando em conjunto nesta operação. Trata-se de um projeto que assumi o compromisso por ser um trabalho técnico, mas é uma atuação conjunta com outros deputados da região em busca da possibilidade de fazer a terceira faixa, cuja obra é avaliada em R$ 2,5 milhões. Vejo com muito otimismo em realizar esse projeto, uma vez que está andando naturalmente ao longo do tempo.

 

OP: Ao que tudo indica foram retomadas as conversas visando à construção do Aeroporto Regional. Quem hoje está à frente disso? Em que estágio estão as conversas?

JCS: É uma bandeira do Oeste do Paraná. Estamos 18 anos atrasados em referência a este assunto, uma vez que na administração do Jaime Lerner (ex-governador) foi iniciada a discussão, foi obtida a área, foi executado o projeto de engenharia, foi desviada a rede de Furnas que passava nesta área. Este projeto ficou adormecido ao longo dos 18 anos e agora é hora de retomar. Não podemos mais ficar no Oeste com essa dificuldade que existe com a movimentação aérea. Isso atrapalha muito o desenvolvimento e desempenho da logística local. Estamos, juntamente com os deputados da região, iniciando a discussão. Quem tem a definição final é o prefeito Paranhos (de Cascavel), uma vez que o aeródromo foi definido para ser naquele município. Estamos contribuindo com o conhecimento nesta retomada de discussão neste novo momento do Paraná e do Brasil. Se vê a necessidade da obra e existe recurso do governo federal para ser investido em uma ação como essa. Não se discute os aeroportos já implantados e os projetos em andamento, pois para estes esperamos que tenham vida longa para poder atender a comunidade de Toledo e Cascavel. O que pensamos é em um projeto maior para a região Oeste do amanhã, que já possui um atraso de 18 anos. Queremos que recursos do governo federal venham para a região e que tenhamos um aeroporto em condição de ser utilizado tanto para o transporte de passageiros como de cargas, atendendo as necessidades do desenvolvimento comercial, empresarial, industrial e tecnológico. Vejo com bons olhos e o prefeito Paranhos está empenhado para que este investimento possa ter seu início.

 

OP: O senhor começou a se engajar na implantação do Hospital Regional de Toledo ainda quando era prefeito. Qual a expectativa hoje da instituição começar a funcionar e o que falta para que abra as portas?

JCS: É uma história longa. Uma história que vem de uma busca de dez anos para conseguir R$ 12 milhões do governo federal. Tenho dito que antes do Brasil conquistar a possibilidade de sediar a Copa do Mundo já discutíamos o projeto do Hospital Regional. Veio a Copa do Mundo, foi um vexame nacional, e continuamos discutindo este projeto. A edificação foi concluída e agora estamos buscando parceria do governo federal para a administração da unidade. Existe a possibilidade real disso acontecer. Além disso, estamos trabalhando junto ao Governo do Estado para liberação de recursos na ordem inicial de R$ 10 milhões para que possamos equipar o hospital, juntamente com recursos que vêm de dotações orçamentárias de emendas de várias deputados que estão ajudando. É um trabalho de várias mãos. Muitos estão ajudando para que possamos colocar o mais rápido possível essa unidade em funcionamento.

 
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