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Política

Gabinete de Justus teria custado R$ 1 milhão por mês

Divulgação

A despesa mensal com os servidores do gabinete do ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná Nelson Justus (DEM) saltou de R$ 83 mil, em fevereiro de 2007, quando ele tomou posse do cargo, para R$ 1 milhão, em novembro de 2009, segundo reportagens veiculadas ontem e anteontem pela RPC TV. A emissora teve acesso ao teor da denúncia criminal enviada pelo Ministério Público (MP) ao Tribunal de Justiça (TJ) do Estado em 12 de fevereiro de 2015, que é relacionada ao caso conhecido como “Diários Secretos”.

À FOLHA, porém, o MP informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre o assunto, uma vez que ele corre em segredo de Justiça. O andamento do processo, de mais de 300 páginas, também não está disponível para consulta no site do TJ. Além de Justus, outras 31 pessoas que supostamente trabalhavam para ele são citadas. A ação tramita em segunda instância porque o acusado é deputado, condição que lhe garante foro privilegiado.

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O parlamentar é suspeito de formação de quadrilha, peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O ex-diretor-geral da Casa Abib Miguel, o Bibinho, também é mencionado nos autos. Conforme o MP, a suspeita é de que o parlamentar e seus assessores facilitavam a contratação de funcionários fantasmas ou laranjas na Casa, isto é, pessoas que recebiam sem trabalhar, para desviar recursos públicos.

De acordo com a reportagem, as nomeações no gabinete da Presidência da AL, cuja função é administrativa, também teriam crescido de forma assustadora durante a gestão de Justus. No início, ele contava com 21 servidores. De fevereiro de 2009 a abril de 2010, contudo, fez 345 contratações, nem todas simultâneas. O gabinete chegou a ter, ao mesmo tempo, 180 funcionários, sendo que o limite máximo era de 18. Ainda conforme o telejornal, nos dias de pagamento de salários, dezenas de saques e descontos de cheques de fantasmas eram feitos por uma só pessoa, na boca de um caixa da AL, para beneficiar a quadrilha.

Os promotores responsáveis não quiseram conceder entrevistas. Em nota, o MP informou que somente depois da manifestação dos advogados é que o Órgão Especial do TJ, composto por 25 magistrados, vai decidir se acata ou não a ação. A relatoria do processo coube ao desembargador Guilherme Freire. O atual presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), disse que a denúncia formal não chegou ainda ao Legislativo e que, se isso ocorrer, o Conselho de Ética da Casa será acionado.

Justus foi procurado pela FOLHA, mas não retornou as ligações. No gabinete dele, a secretária falou que o parlamentar não dispõe de assessoria de imprensa e que não seria possível contatá-lo. Antes da sessão plenária de ontem, o deputado afirmou à reportagem da rádio CBN Curitiba que não iria comentar o caso. Questionado sobre quando iria se pronunciar, respondeu apenas que “no momento certo”.

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