Ele está em seu 8º mandato como vereador de Marechal Cândido Rondon, já foi presidente da Casa de Leis em outra época e também secretário municipal. Em 1º de janeiro deste ano foi escolhido para mais uma vez conduzir a mesa diretiva do Legislativo rondonense, no biênio 2017/2018, em uma eleição polêmica. O motivo? Ser pai do prefeito Marcio Rauber (DEM).
Em entrevista concedida ao Jornal O Presente, Pedro Rauber (DEM) fez uma avaliação destes primeiros seis meses de legislatura e de sua gestão na presidência da Câmara. Para ele, o período provou que a escolha de seu nome para estar à frente da Casa ocorreu não só obedecendo aspectos legais, mas mostrou que os dois poderes – Legislativo e Executivo – são harmônicos, mas independentes.
O democrata também fez uma análise da nova composição com 13 vereadores, enalteceu o corte de gastos internos e falou sobre os seis primeiros meses de governo de seu filho como prefeito. Confira.
O Presente (OP): Qual avaliação o senhor faz dos seis primeiros meses da atual legislatura e da sua gestão como presidente?
Pedro Rauber (PR): Primeiro quero reconhecer que conseguimos, nos seis primeiros meses, avanços importantes quanto o papel do Legislativo. Contamos sempre com a contribuição do pessoal da mesa e dos vereadores, que pensam como a gente. Foi possível dar uma nova dinâmica ao Legislativo de Marechal Cândido Rondon. Houve mudanças importantes que a própria sociedade já tem acompanhado. Procuramos fazer, de forma rigorosa, cortes que entendemos que eram necessários; contratos com empresas prestadoras de serviços para informações legislativas cortamos; já no início da gestão economizamos com diárias e estamos cuidando para que quando houver a liberação (de diária), o vereador possa trazer conhecimento para utilizar nas transformações que a sociedade espera. No mês de janeiro não fizemos nomeações e, com isso, economizamos bastante. Tive um desagrado com alguns vereadores que queriam que houvesse nomeação de assessores em janeiro, mas entendi que em período de recesso o Legislativo estava parado e não havia necessidade de fazer estas nomeações, que ocorreram em fevereiro. Com o decorrer do tempo houve esse entendimento. Estamos muito felizes com os primeiros meses. Não conseguimos fazer tudo o que a sociedade espera, mas à medida que o tempo passa haverei de tomar mais decisões para enxugar a máquina administrativa da Câmara para evitarmos gastos desnecessários. A estrutura já está enxuta, o que foi possível com a compreensão dos servidores e dos vereadores.
OP: As novas medidas já foram definidas?
PR: As próximas medidas ainda estão em estudo e dependerão de uma conversa profunda com os vereadores e os funcionários. A princípio quero crer que os cortes mais drásticos já foram feitos. Tenho solicitado aos servidores para que economizem ao máximo em despesas que permitem isso.
OP: O senhor tem a sensação de que a comunidade está mais participativa nas sessões?
PR: Evidentemente que sim. Algumas pessoas já costumeiramente participam de longa data, outras promovidas pela curiosidade e outras que vêm realmente com o intuito de acompanhar o que está sendo feito de melhor para o município. Acredito que conseguimos separar o joio do trigo em Marechal Cândido Rondon. Função legislativa é uma coisa e Executivo é outra coisa. Tenho procurado, e vai continuar assim, dar agilidade no andamento dos projetos. Faço de tudo para que não pare aqui. O que compete ao vereador é corrigir, dar novas sugestões ou pedir novo encaminhamento, mas nunca segurar (um projeto). Projetos não podem parar aqui e, com certeza, com isso daríamos um prejuízo para a sociedade, que está ansiosa por obras que já deveriam ter acontecido.
OP: A sua eleição como presidente foi muito questionada justamente por ser o pai do prefeito. Com estes seis meses de gestão e a forma como o senhor tem conduzido a Câmara, na sua avaliação este período provou que os dois poderes são harmônicos, mas independentes?
PR: Quero crer que sim. Antes de aceitar a condição de ser candidato a presidente esgotei todas as informações se não barrávamos em algum aspecto legal. É muito claro e qualquer leigo sabe que são dois poderes independentes. Se eu não pudesse assumir a presidência da Câmara não poderia ter sido eleito vereador. Uma vez eleito, gozo de todos os direitos de qualquer função interna na Câmara. Houve o questionamento no dia da eleição da mesa diretiva, mas em nenhum momento isso me preocupou, porque não pleiteamos de forma irregular. Nós consultamos, verificamos o aspecto legal e, aí sim, autorizado por nosso partido, fomos em busca da eleição. Claro que algumas ações geram certa ciumeira, mas existem algumas iniciativas de criatividade e que não se faziam até então e estamos executando agora. Uma delas é a antecipação da devolução de sobras de recursos da Câmara à prefeitura, em vez de deixar o dinheiro aplicado no banco enquanto a sociedade clama por obras. Paulatinamente, dentro das condições, vamos tentar fazer a nossa parte dentro do Legislativo.
OP: O aumento de cadeiras na Câmara foi muito questionado à época da aprovação do projeto, que passou de nove para 13 vereadores a partir deste ano. Com os seis meses de legislatura, qual análise o senhor faz desta nova composição?
PR: Existe uma ligeira confusão na sociedade. Muitos imaginam que quanto mais vereadores mais gastos, mas não é necessariamente desta forma que as coisas acontecem. Precisa ser feita uma avaliação séria. Vamos chegar aos números com 13 vereadores e 13 assessores bem próximo dos gastos no passado. Não queremos criticar, mas é a realidade. Quanto mais vereador, mais a sociedade está representada. Não sou contra o número de 13 vereadores, mas cada um precisa fazer a sua parte. E aqui vamos fazer a nossa parte. Precisamos encarar com seriedade, pois o dinheiro que é gasto não é do vereador e nem do prefeito, mas da sociedade, fruto do suor do trabalho de cada um.
OP: Qual avaliação o senhor faz dos seis primeiros meses de governo do prefeito?
PR: Há pessoas que criticam por criticar, com críticas infundadas, mas quero dizer à sociedade o seguinte: se olharmos a Avenida Maripá, a orientação do prefeito com a poda de árvores melhorou a iluminação e trouxe um resultado bom. Marechal Rondon está começando a se apresentar como cidade grande. No caso da remodelação da Avenida Rio Grande do Sul, o projeto está passando por algumas modificações. Sabemos que é uma obra que causa transtornos provisórios para o empresário e a comunidade, mas no fim ficará bonito. A Secretaria de Segurança e Trânsito está fazendo pequenas obras, mas fundamentais para a sociedade, retirando os pontos de ônibus que não tinham utilidade e abrindo novas vagas de estacionamento. Na Secretaria de Agricultura, mesmo com as condições precárias em que o prefeito recebeu a estrutura de máquinas, está ocorrendo um esforço redobrado para que o programa que foi lançado nesta administração seja cumprido, mas nos quatro anos. Precisamos lembrar que estamos apenas no começo da gestão e o início foi marcado por ajustes. Licitações precisam ocorrer e o processo é moroso. Por outro lado, houve ações fundamentais com recursos do município, como o início do recape asfáltico até Margarida, que soma cerca de sete quilômetros. Nos próximos dias iniciará outro trecho de recape com recursos municipais. Aí pergunto: a sociedade sabia no passado onde era aplicado o dinheiro que a Câmara devolvia à prefeitura? Não estou culpando ninguém, mas a sociedade sabe durante todos os anos onde eram aplicados os recursos? Hoje está sabendo onde será destinada a sobra. No lançamento da Expo Rondon já observamos que haverá novidades fantásticas na festa do município. Penso que será um governo muito bom, com muitas ações e que possui um diálogo permanente com o Governo do Estado, o que é importante.
OP: O senhor tem a percepção de que o grupo de situação patinou um pouco no começo da legislatura diante de tantas críticas que a oposição fez?
PR: Não, evidentemente que não. A oposição faz uma crítica muitas vezes irresponsável. A morosidade se prende em cima de licitações. Pegamos um governo depenado, licitações vencidas, como do corte de grama que somente agora foi possível fazer a contratação. Se este governo estava mais lento, pelo menos e nem pode ser diferente, se tomou o cuidado de rigorosamente fazer as coisas dentro da lei. Não adianta atropelo e correr atrás querer resolver só para agradar meia dúzia e depois estar pendurado na Justiça. Isso não é nosso feitio. Ninguém é perfeito e erros podem ocorrer, mas ninguém abre mão do devido cuidado. Tudo tem que ser feito dentro da lei. Se avaliarmos os primeiros meses deste governo em comparação com o passado, o vulto de obras que estão sendo realizadas representa muito dos oito anos anteriores. O governo está sendo ágil e vejo que as ações estão sendo rápidas diante da complexidade que existe para colocar uma obra em prática e executá-la.