Conhecida por defender com “unhas e dentes” o presidente Jair Bolsonaro (PL), Tania Maion é a segunda rondonense mulher a lançar uma pré-candidatura a deputada federal (Roseli Jussara Schmidt, conhecida como Cabo Roseli, foi a primeira, em 2018). Ela se filiou ao Partido Republicano da Ordem Social (PROS) no último sábado (02), em evento realizado em Curitiba, ocasião em que oficializou a sua corrida por uma cadeira no Congresso Nacional.
“A política é como uma cadeira vazia. Se eu não tentar, ela pode ser ocupada por alguém que não possui os mesmos valores, princípios e caráter que eu. Meu objetivo principal será lutar para ocupar essa cadeira”, declarou.
Aos 56 anos, Tania é aposentada. Ela é formada em Farmácia, Bioquímica-Análises Clínicas e Direito e já trabalhou como professora universitária, bioquímica e oficial de Justiça no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, função que ocupou por 25 anos.
Em entrevista ao Jornal O Presente, a rondonense disse que não tem uma estimativa do número de votos que necessita fazer para se eleger. “Eu não penso muito na quantidade, mas, sim, em ir à luta”, enfatizou.
Ela também revelou os motivos que a fizeram entrar na política, falou sobre os planos para a sua pré-campanha e esclareceu por que não se filiou ao PL, partido do presidente Bolsonaro. Confira.
O Presente (OP): Você se filiou ao PROS, no fim de semana, em evento em Curitiba, e oficializou a sua pré-candidatura a deputada federal?
Tania Maion (TM): Me filiei ao PROS, no sábado, durante evento que aconteceu na Expo Unimed, em Curitiba, quando o partido promoveu filiações, anunciou a pré-candidatura da deputada federal Aline Sleutjes ao Senado e fez o lançamento da chapa completa dos pré-candidatos a deputados estaduais e federais, e aqui eu me incluo. Foi um lindo evento político com cerca de 1,3 mil pessoas vindas de todo o Paraná. Estiveram presentes também representantes de vários partidos políticos e inúmeras lideranças paranaenses, todos unidos em apoio ao nosso presidente Bolsonaro.
OP: Você é defensora assídua do Bolsonaro. Por que não se filiou ao PL – ao invés do PROS -, partido do presidente?
TM: Apesar de ser conhecida por defender Bolsonaro com “unhas e dentes”, eu não fui para o PL porque no Paraná o partido possui “caciques” e ficava inviável para mim. Por outro lado, eu já conhecia aquela que acredito que seria nossa melhor escolha para senadora da República, a deputada federal Aline Sleutjes. Ela sempre me recebeu muito bem em seu gabinete em Brasília e estava enfrentando a mesma dificuldade que eu. Então, resolvemos nos unir. Aline Sleutjes conseguiu contato com o PROS, que estava com um novo presidente nacional, e o partido abriu de imediato as portas para ela e os demais pré-candidatos. O partido ainda fez uma nota declarando apoio ao presidente Bolsonaro, deu-nos total autonomia e integrou a deputada no quadro do seu diretório estadual. Com a parceria feita, partimos para a luta por um país justo e livre. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos. Amém.
OP: Você pretende promover o lançamento da sua pré-candidatura em Marechal Rondon, fazer um evento local?
TM: Estou analisando a viabilidade. Preciso organizar a minha agenda.
OP: Por que resolveu se pré-candidatar? Quais são os seus objetivos?
TM: Nos bastidores eu já era defensora do nosso presidente por entender que ele era diferente dos demais políticos e compreender que era o único com capacidade e competência para estar no governo e salvar o Brasil das garras do comunismo. Contudo, foi apenas há cerca de três anos que eu iniciei o ativismo judicial em apoio ao presidente e ao nosso país, sempre com força e determinação. Confesso que, no início, não tinha nenhuma pretensão em ser política, estava aposentada e só queria dar minha contribuição para tornar o Brasil melhor, resgatando valores e princípios conservadores e cristãos. Apesar disso, eu já era um pouco conhecida, porque, ao retornar com uma caravana que levei a Brasília em maio de 2020, fui processada. Respondi a uma ação civil pública por ter ido ver e manifestar meu apoio ao presidente. Decidi entrar para a política e disputar um cargo no Legislativo federal quando recebi meu segundo processo, em março de 2021, após ter participado de uma passeata em apoio aos comerciantes rondonenses contra o lockdown. Na ocasião, ao término da manifestação, fui detida e levada na viatura da Polícia Militar até a sede da companhia. Fiquei com muita vergonha. Eu, uma cidadã honesta, de caráter, mãe de família, fui detida em uma viatura. Foi nessa hora que jurei a mim mesma que faria de tudo para lutar pelos cidadãos de bem. Lutar para que prevalecesse a verdadeira justiça e não essa inversão de valores que temos hoje. Fui denunciada, processada e enquadrada no artigo 268 do Código Penal, isto é, crime contra a saúde pública. Respondo até hoje por isso e simplesmente porque me manifestei em uma passeata com os comerciantes rondonenses e expus a minha opinião, um direito garantido em nossa Constituição Federal. Tive um enorme sentimento de impotência. Se eu, que sou uma cidadã cumpridora das leis, trabalhei no Judiciário federal por 25 anos, mãe de família, formada em Farmácia e Bioquímica e Direito, fui tratada como se fosse uma criminosa, que tipo de lei nós temos? Senti que algo estava muito errado no nosso país e, naquele momento, decidi que lutaria para que pessoas de bem, trabalhadoras e honestas como eu não precisassem nunca mais passar por uma humilhação dessas e que fossem tratadas com a verdadeira justiça e não a justiça de hoje, em que um pai de família é processado e um criminoso é solto, recebendo um pedido de desculpas. Então, meus objetivos são lutar por justiça, pela garantia dos nossos direitos e pela liberdade. Pretendo trabalhar para que tenhamos uma Câmara e um Senado dignos do povo brasileiro e vou legislar para que nosso presidente Bolsonaro possa governar nosso país sem a interferência dos demais poderes. Precisamos de renovação, precisamos de um Congresso que não fique de joelhos para aquele que acredito ser o câncer do nosso país: o STF (Supremo Tribunal Federal). A política é como uma cadeira vazia. Se eu não tentar, ela pode ser ocupada por alguém que não possui os mesmos valores, princípios e caráter que eu. Meu objetivo principal será lutar para ocupar essa cadeira.
OP: O que representa para você ser a primeira mulher de Marechal Rondon possivelmente a disputar as eleições pleiteando o cargo de deputada federal?
TM: Para mim significa honra e gratidão. Honra, porque acredito que todas nós, mulheres, somos guerreiras e fortes, além de ter a beleza e a delicadeza que nos foi dada por Deus. Fazemos atividades e desempenhamos diversas funções ao mesmo tempo com maestria, de um modo que muitos homens talvez não conseguiriam. Tenho gratidão pela possibilidade de poder representá-las no Legislativo Federal e com certeza, se eleita, darei o melhor de mim, desempenhando uma função em que poderei fazer a diferença para todos nós, seja fazendo boas leis ou impedindo a aprovação de leis que seriam prejudiciais.
OP: Quais são seus planos para a pré-campanha? Pretende percorrer todo o Paraná ou deve focar mais na região Oeste?
TM: Para a pré-campanha pretendo me tornar conhecida da população e provar com meu trabalho que não fico só nas falas e realmente vou à luta. Farei todo o possível para conscientizar o povo da triste realidade em que nos encontramos em razão do desgoverno, da corrupção e do aparelhamento das instituições presentes nos governos anteriores de esquerda, principalmente na educação, o que gera reflexos extremamente nocivos nas estruturas familiares. Também vou mostrar à população a importância da renovação política e a necessidade de troca dos “caciques” e políticos de carteirinha por parlamentares que tenham maiores chances de realizarem um bom trabalho pelo brasileiro. Pretendo percorrer o Oeste do Paraná e toda a região que for possível para mostrar meu trabalho em prol dos direitos e da liberdade do povo brasileiro.

OP: Desde que você cogitou se lançar pré-candidata, como tem sido a receptividade por parte das pessoas, especialmente em Marechal e microrregião? Acredita que a sintonia com o eleitor vai melhorar ainda mais a partir de agora, quando intensificar sua pré-campanha?
TM: Desde que iniciei meu ativismo judicial tenho recebido apoio de muitos amigos, mas também há aqueles que pensam e falam que eu não deveria me manifestar como faço. A estes eu só respondo uma frase: “não se faz uma omelete sem quebrar os ovos”, porque ou você vai à luta e faz a sua parte mesmo sabendo que não agradará a todos ou você não vai. Sou a primogênita entre quatro irmãos, sendo um deles já falecido, e desde pequena fui decidida, tomando a frente das coisas. As pessoas querem e têm necessidade de se manifestar e lutar pelos seus direitos, no entanto algumas são mais retraídas e precisam de alguém que tome a frente. Assim como o ditado “a união faz a força”, se o povo se unir ninguém o escraviza, basta coragem e determinação. Eu tomo coragem toda vez que me ajoelho e peço ao nosso Deus que me dê forças e que me guie. Com Ele junto sinto que posso tudo. Assim como eu, todos possuem sua força interior, basta dar o primeiro passo, além do principal: se unir com aqueles que possuem o mesmo objetivo. Aí ninguém segura, é vitória na certa.
OP: Quantos votos você precisa fazer para se eleger deputada federal pelo PROS?
TM: Eu não tenho estimativa quanto ao número de votos para uma possível eleição no PROS, mas me disseram que por ser um partido menor serão menos votos. Em todo caso, eu não penso muito na quantidade, mas, sim, em ir à luta. Desde que me aposentei, coloquei minha vida a serviço dos propósitos de Deus e tenho muita fé. Então, combinei com Ele que farei a minha parte e o Senhor vai me levar até onde Ele quer que eu vá. Eu mostrarei do que sou capaz de fazer pela nossa Pátria.


Em evento realizado sábado (02), em Curitiba, o PROS apresentou seus pré-candidatos, entre eles Tania Maion, e lançou a pré-candidatura de Aline Sleutjes ao Senado (Foto: Divulgação)
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