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A polêmica introdução alimentar sem papinha

Método BLW consiste em oferecer ao bebê a comida em pedaços e permite que ele se sirva sozinho. Prática tem milhares de mães seguidoras em todo o mundo, mas divide opiniões. Pediatra afirma que há controvérsias na sua aplicação


calendar_month 9 de fevereiro de 2018
5 min de leitura

O bebê, a partir dos seis meses de vida, faz as refeições junto com a família, sentado à mesa, e come o que quer, o quanto quer e no seu próprio ritmo, sem nenhuma pressão por parte dos pais. Os alimentos são servidos em pedaços maiores para que ele consiga pegar e colocar sozinho na boca. Assim, aproveitando a curiosidade natural dos pequenos, os alimentos são introduzidos de maneira natural, descontraída e livre. Esse é o princípio do método BLW – Baby Led Weaning (“desmame guiado pelo bebê”, em tradução literal), criado por Gill Rapley, uma consultora em saúde da Inglaterra.

A técnica que incentiva a autonomia do bebê durante as refeições tem conquistado cada vez mais adeptos na Europa, nos Estados Unidos e, mais recentemente, também no Brasil, onde a prática está cada vez mais difundida entre as mamães.

A professora rondonense Thais Besen é um exemplo disso. Depois de amamentar a filha Rafaela até os sete meses de vida, ela começou a aplicar o método BLW, que conheceu através da blogueira e nutricionista Aryane Steinkopf Malfacini.

Thais começou a seguir pelo Instagram as dicas da nutricionista, que também aplicava o método com seu filho, e se sentiu cada vez mais incentivada a continuar. Ela acredita ser importante que a criança tenha autonomia desde pequena. “No começo o bebê vai brincar um pouco com a comida, mas depois de um tempo ele vai descobrindo novas coisas. E, além da brincadeira, desenvolve a coordenação motora e aprende a se alimentar sozinho”, diz.

Ela ressalta que para se desenvolverem os filhos devem ser estimulados a crescer e a aprender a fazer novas coisas. “O bebê deve ser incentivado a mastigar e a conhecer os alimentos em suas diferentes texturas. Quanto mais você apresentar a ele, mais ele vai conhecendo, se aproximando e experimentando”, conta a mãe.

Thais pontua que engasgos podem fazer parte do processo, mas que é preciso manter a tranquilidade e não deixar que o medo impeça o incentivo à mastigação. “O bebê não precisa de uma redinha para você colocar a fruta dentro e ele chupar ou que se gaste dinheiro com máquinas de fazer papinha”, opina, emendando: “A gente costuma pensar que se o bebê não aceitou a papinha amassada, precisa deixar mais líquida, mas na verdade pode ser exatamente o contrário porque muitos bebês nessa fase querem mesmo é pegar os alimentos com as mãos e levar à boca”.

 

Pediatra diz que o ideal é…

A recomendação oficial da Organização Mundial de Saúde é que os pais comecem a oferecer alimentos para complementar a nutrição com leite materno ou fórmula assim que os fi lhos completarem os seis meses. O pediatra José Lademir Friedrich orienta que essa introdução seja feita com as tradicionais papinhas. “O ideal é que se comece a introduzir os alimentos em forma de papinhas de frutas ou legumes. Isso é o que habitualmente todos fazem, uma introdução gradual dos alimentos começando pelo mais líquido, passando para o pastoso, até que a criança esteja preparada para receber a comida em pedações maiores”, declara.

De acordo com o pediatra, se o aleitamento materno for artificial, a partir dos quatro meses já é possível e permitida a introdução de outros alimentos. “Isso porque o leite artificial tem uma deficiência muito grande se comparado ao aleitamento materno”, enfatiza Friedrich.

Para ele, segundo as orientações atuais, se a mãe está amamentando, ela vai amamentar exclusivamente no peito até a criança completar seis meses e só a partir desse período começar a introduzir outros alimentos, porém não deixando de lado o aleitamento materno.

 

Contraindicações

Na opinião do pediatra, o método BLW é mais um dos “modismos” criados para interferir no processo de introdução alimentar das crianças. “O BLW não é novo. Pais do mundo inteiro o praticam há anos. O que acontece é que agora isso tem nome”, salienta.

O profissional afirma que há controvérsias no método porque a evolução gradual na alimentação da criança sempre acontece e é um caminho natural. “Não há vantagens em antecipar isso, até mesmo porque para o bebê começar a comer sozinho ele precisa estar junto de outra pessoa e nunca sozinho, bem postado, firme, sentado e com capacidade e coordenação para pegar os alimentos nas mãos”, frisa.

Segundo Friedrich, aqueles que defendem o método querem pular uma etapa primordial no desenvolvimento de uma criança. “Querem partir do aleitamento materno para a introdução dos alimentos sólidos sem passar pela evolução gradual da alimentação, desde os mais líquidos, pastosos, até os mais sólidos, em pedaços”, entende o pediatra.

Os adeptos ao BLW pregam que as crianças submetidas ao método de introdução alimentar aceitariam mais facilmente uma diversificação de alimentos, mas, para o pediatra rondonense, não existe esse tipo de dificuldade. “São poucas as crianças que no método tradicional não aceitam os alimentos. Aos poucos elas vão se adaptando e começam a comer”, expõe.

Friedrich alerta para o grande risco que a criança corre de engasgar consumindo alimentos em pedaços inteiros. “Mesmo com a supervisão dos pais ou responsáveis continua sendo perigoso, até mesmo porque a criança está aprendendo a manusear os alimentos e a dentição ainda não está formada para fazer a trituração dos alimentos”, destaca.

 

Confira essa matéria na integra em nossa edição impressa desta sexta-feira (09).

 
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