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Evangélicos organizam boicote contra Babilônia

calendar_month 19 de março de 2015
3 min de leitura

Divulgação

O beijo do casal lésbico Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg) e a compulsão sexual da vilã Beatriz (Gloria Pires) detonaram uma onda de revolta dos evangélicos contra Babilônia. Nas redes sociais e em grupos do WhatsApp, circulam textos, sem assinatura, que pedem o boicote à novela escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Para colocar ainda mais lenha nessa fogueira, o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, publicou artigo no site Verdade Gospel em que afirma que a Rede Globo é a maior patrocinadora da imoralidade e do homossexualismo no Brasil.

Duvido que, nos Estados Unidos, às nove e meia da noite, mostrem na TV cenas de duas mulheres se beijando. Duvido! E não tem nada de puritanismo nisso, porque lá é uma democracia. No Brasil, estão confundindo liberdade com libertinagem, ataca Silas Malafaia.

O pastor critica a Globo por mostrar de maneira sistemática homossexualismo em tudo que é novela, lembrando ainda os casais gays de Império e Amor à Vida. Querem detonar todos os valores morais da sociedade, acusa Malafaia. Soube ainda que vai ter um homofóbico nessa novela. Vão confundir preconceito com liberdade de expressão, o meu direito de discordar de alguma coisa, acrescenta ele, referindo-se ao personagem Fred (Filipe Monteiro).

O jovem homofóbico é filho do gay Carlos Alberto (Marcos Pasquim), que mantém um romance com Ivan (Marcello Melo Jr.). Fred vai praticar bullying contra Rafael (Chay Suede), que é filho de Teresa e Estela.

Apesar de considerar os temas abordados em Babilônia uma afronta à família, Malafaia garante que não pediu que os seguidores de sua igreja boicotassem a novela. Não preciso pedir isso. Me recuso a acreditar que um evangélico esteja acompanhando esse lixo, dispara.

Um dos textos divulgados nas redes sociais e no WhatsApp convoca um boicote à novela por 35 dias, para que ela seja retirada do ar. Até quando a Globo vai ditar e a todo momento perturbar a cabeça de nossos filhos? Estamos reféns da política suja e também da Rede Globo, que não fica atrás, diz um trecho do manifesto, que aponta ainda que o Ministério Público já estaria monitorando a trama.

Vale lembrar que a estreia de Salve Jorge, em 2012, despertou a ira de evangélicos, por questões religiosas o sincretismo de São Jorge, chamado de Ogum na umbanda.

Para Ricardo Linhares, um dos autores de Babilônia, as manifestações são isoladas e feitas por uma minoria ruidosa, que quer pegar carona no sucesso da novela para chamar a atenção.

Eu acredito que a maioria dos evangélicos é formada por pessoas conscientes e respeitosas, diz o autor. Vivemos num país laico e democrático, onde todos têm liberdade para expressar sua opinião. Quem quer ser respeitado, porém, precisa respeitar o seu semelhante.

Linhares afirma ainda que censura, intervenção do Ministério Público ou projetos como Estatuto da Família são atitudes antidemocráticas e inconstitucionais, que revelam tendência ditatorial. Não há mais espaço para isso na moderna sociedade brasileira, defende.

Assim como fez em Saramandaia, Linhares diz que Babilônia combate a ditadura da intolerância. Em vez de tirar os filhos da sala, os pais esclarecidos aproveitam os exemplos da trama para conversar sobre os fatos da vida, mostrando a multiplicidade de condições do ser humano e ensinando o respeito a quem pensa ou leva uma vida diferente da sua, aconselha.

 
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