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Vídeos "Problema que preocupa e choca"

“A comarca rondonense tem índices brutais envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes”, alerta promotor

Para Caio Di Rienzo, esse problema não pode ser um tabu, precisa ser debatido, desde o prefeito, secretário de Saúde, passando pelo promotor até os policiais militares

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O promotor de Justiça Caio Di Rienzo esteve no Jornal O Presente, na sexta-feira (10), para um bate-papo com os jornalistas Arno Kunzler e Ana Paula Wilmsen.

Na oportunidade, ele falou sobre a sua trajetória no Poder Judiciário e sobre a sua atuação na Comarca de Marechal Cândido Rondon.

Caio atua na 2ª Promotoria (criminal, execução penal e afins) e desde que assumiu o cargo, há cerca de 16 meses, vem promovendo mudanças a partir de um perfil de trabalho que tem colaborado para a celeridade dos processos.

Com uma desenvoltura diferenciada, ele busca, também, um envolvimento com a sociedade organizada, não somente com o propósito de melhorar índices e resultados, mas também de conscientizar, especialmente sobre dois assuntos de extrema importância: a violência contra a mulher e a violência sexual contra crianças e adolescentes.

Por sinal, durante a entrevista, Caio detalhou aspectos e falou sobre a realidade da comarca rondonense em relação a estes temas, enaltecendo números alarmantes.

Ao longo do bate-papo, o promotor citou alguns casos emblemáticos registrados em Marechal Rondon.

Também abordou uma situação de grande repercussão no Brasil e até fora dele: os atos de 8 de janeiro. Opinou, ainda, sobre o descrédito pelo qual vem passando o Poder Judiciário, nos últimos tempos, e fez um pedido enfático a todos: “acreditem na Justiça”.

CLIQUE AQUI e assista à entrevista.

Promotor Caio Di Rienzo participou de um bate-papo no estúdio de O Presente com os jornalistas Arno Kunzler e Ana Paula Wilmsen (Fotos: Sandro Mesquita/OP)

“Na região Oeste, a violência contra a mulher é muito grande. Em Marechal Rondon é um problema sério. Diariamente chegam inúmeros pedidos de medidas protetivas de urgência”

Promotor Caio Di Rienzo: “A violência contra a mulher é democrática. O rico e o pobre agridem a mulher em casa. Não há distinção. Não é uma questão social. Talvez a mulher com melhores condições fique mais constrangida de procurar ajuda na delegacia”

“A violência contra a mulher é um problema sociológico. O que estamos tentando fazer é equalizar e mostrar para as próximas gerações o que é violência doméstica e fazer um trabalho formiguinha de conscientização”

Promotor Caio Di Rienzo: “A violência sexual contra crianças é difícil de flagrante. Acontece às ocultas, no seio do lar, no interior da casa e a menina, às vezes, não fala porque o sujeito ameaça e diz que se ela contar ele vai dizer que é mentira e vai matar ela e a sua família. Direto a gente pega isso”

“A violência sexual contra crianças é o crime que mais me deixa frustrado. (…) Nas palestras que fizemos nas escolas, pegamos inúmeros casos, mas o que nos preocupa e choca é que o número que chega até nós é infinitamente menor que o real”

Caio Di Rienzo: “Existem muitas mães que ao saberem que seu companheiro abusou da sua filha ficam do lado do companheiro e não da filha. Negam, seja por vergonha ou porque acham que a filha está mentindo, não querem registrar o fato na delegacia, não querem mais abordar o assunto. Fingem, mentem. É triste”

“O pai e a mãe precisam ter muito cuidado com o que o filho ou a filha está consumindo na internet, porque há muitos sujeiros, de ‘n’ rincões do Brasil, que têm abordado crianças e adolesscentes pelo Instagram e Facebook. Começam um papinho bobo, ganham a confiança deles e quando conseguem a primeira foto, inicia a extorsão”

Caio Di Rienzo: “Esse problema (de violência sexual) não pode ser um tabu, tem que ser debatido, desde o prefeito, secretário de Saúde, passando promotor, até os policiais militares”

“Eu não vou resolver o problema de violência sexual com palestras nas escolas, o que a gente consegue é mostrar para a piazada, olha, observem comportamentos estranhos, isso é certo, isso é errado, se você souber de alguém que passa ou passou por isso, procure uma autoridade policial ou o Ministério Público”

Caio Di Rienzo: “Quem sai mais fraco de tudo isso que aconteceu recentemente (atos de 8 de janeiro) é a democracia. Mas, nos próximos anos, a tendência é melhorar”

“Temos informações de pessoas da região Oeste que ajudaram a financiar os atos de 8 de janeiro. Algumas aparentemente estavam presas, não sei se chegaram a ser soltas. Algumas estão saindo com tornozeleiras ou outras medidas cautelares”

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