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Arno Kunzler

Pau que bate em Chico

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Existe um ditado famoso que diz que “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.

É a aplicação correta de qualquer regra, pelo mesmo erro, o mesmo castigo e para todos.

Assim deveriam ser todos os tribunais, todos os diretores de instituições ou empresas, todos os pais e gerentes.

O que vale pra um, vale pra todos.

Mas, obviamente, não é assim na prática. As pessoas nem sempre conseguem agir com esse princípio, seja nos tribunais, nas instituições ou nas famílias.

Existe o que chamamos de tendência, empatia maior por um que por outro.

Tanto que em todos os lugares existem descontentes com quem comanda, seja nos governos, nos tribunais, nas empresas ou nas famílias.

Para muitos brasileiros, talvez no mundo todo, já que o advento da internet proporciona canais de comunicação para grupos direcionados, a realidade de hoje é diferente da realidade de antes.

Campanhas difamatórias são comuns em grupos fechados, muitas vezes distorcendo fatos, inventando verdades ou ignorando certos aspectos.

Assim, consegue-se fazer as pessoas reagirem, ficarem com raiva, odiarem e até agredirem quem está na mira.

O PT já fez isso com sucesso, o grupo do Bolsonaro já fez isso com sucesso. Não é invenção brasileira e nem novidade no resto do mundo.

Quase sempre nesses grupos há manipulação de informações, tratando cada fato com o viés que lhes convém.

Os grupos podem funcionar para atacar alguém, massacrar uma ideia, promover pessoas ou ideais.

Funcionam melhor para massacrar, destruir reputações.

As batalhas políticas são fortemente induzidas pela comunicação fechada, direcionada e contaminada por interesses próprios.

Sempre foi assim. Só que antes não havia a internet para impulsionar.

Se antes apenas políticos e dirigentes de futebol eram atacados, criticados e até massacrados por seus equívocos ou posições contrárias aos interesses de determinado grupo ou pessoa, agora está generalizado.

O alvo da vez são os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e os juízes que se destacam por tarefas polêmicas ou impactantes.

Nesta semana vivemos mais capítulos e que envolvem o STF e políticos.

De um lado, o direito dos políticos fazerem ataques, críticas e insinuações. De outro, o espaço do STF para agir e condenar.

É uma discussão que promete desdobramentos, mas nunca vai cessar.

Por Arno Kunzler. Ele é jornalista e fundador do Jornal O Presente, da Editora Amigos e da Editora Gralha Azul

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