O Presente
Dom João Carlos Seneme

A força paciente de Deus e a esperança do Reino

calendar_month 18 de julho de 2026
3 min de leitura

No Evangelho de Mateus deste 14º Domingo do Tempo Comum (Mt 13,24-43), Jesus apresenta três parábolas que revelam a identidade de Deus como aquele que cuida de todos. Elas fazem parte de um conjunto maior de sete parábolas, que inclui a parábola do semeador, proclamada no domingo passado, e as parábolas do tesouro escondido, da pérola preciosa e da rede de pesca, que serão lidas no próximo domingo. Em conjunto, essas sete parábolas revelam a natureza do Reino dos Céus, um dos temas centrais do Evangelho de Mateus.

O Reino dos Céus é a forma respeitosa com que Mateus se refere à presença e à ação de Deus. Onde Deus reina e age, aí está o Reino. As parábolas procuram mostrar quem é Deus e como sua presença transforma a história e a vida de cada pessoa.

Na primeira parábola, Jesus fala do trigo semeado pelo proprietário do campo. Durante a noite, porém, um inimigo semeia o joio entre o trigo. Ao perceberem isso, os trabalhadores querem arrancar imediatamente as ervas daninhas. O dono do campo, entretanto, impede essa atitude, porque, ao arrancar o joio, poderiam também arrancar o trigo ainda frágil. Determina que ambos cresçam juntos até a colheita, quando então serão separados: o trigo será recolhido, e o joio será queimado.

Jesus ensina que o Reino de Deus se desenvolve justamente num mundo onde o bem e o mal coexistem. Essa realidade não está presente apenas na sociedade, mas também no coração humano. Todos nós trazemos a possibilidade de produzir tanto trigo quanto joio. O divino semeador sabe esperar. Deus é infinitamente paciente. Ele se recusa a julgar precipitadamente e concede a cada pessoa o tempo necessário para que o trigo cresça mais forte que o joio, permitindo que a graça floresça em meio às dificuldades.

Ainda assim, podemos perguntar: como ter certeza de que o bem vencerá? Será que nossas forças não são pequenas diante do mal que nos cerca e que habita em nós?

A segunda parábola, a do grão de mostarda, responde a essa inquietação. Ela revela que, mesmo quando a presença de Deus parece pequena e quase imperceptível, sua força possui um extraordinário poder de crescimento. O grão de mostarda é uma das menores sementes conhecidas, mas se transforma em uma planta vigorosa, maior que muitas outras. Assim também acontece quando acolhemos a ação de Deus em nossa vida. O amor vivido à maneira de Cristo cresce silenciosamente até se tornar abrigo, proteção e esperança para muitos.

Na terceira parábola, Jesus antecipa outra dúvida dos ouvintes: como perceber a presença de Deus se ela é tão discreta? Então apresenta a imagem do fermento misturado em grande quantidade de farinha. Depois de incorporado à massa, o fermento desaparece, mas continua agindo até transformar toda a massa em pão.

Assim também acontece com Deus. Sua presença nem sempre é visível, mas sua ação transforma profundamente a vida humana. Os frutos dessa presença aparecem quando cultivamos o bem, promovemos a justiça, vivemos a caridade e ajudamos outras pessoas a crescerem na fé e no amor.

Por meio dessas três parábolas, Jesus revela a profundidade do mistério de Deus e da presença do seu Reino entre nós. O Reino já está presente, cresce silenciosamente e realizará plenamente sua obra no tempo de Deus. Por isso, Jesus conclui com um apelo dirigido também a nós: “Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13,43).

Por Dom João Carlos Seneme. Ele é bispo da Diocese de Toledo

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