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Fátima Baroni Tonezer

Conheça os hábitos que atrapalham sua autoestima

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Quando falamos ou ouvimos a palavra autoestima, nos vem à memória palavras como valor próprio, competência pessoal, autoconfiança, autocontrole, amor-próprio entre outras. É uma salada de palavras e conceitos que mais atrapalham do que ajudam. Isto porque a maioria das pessoas procuram autoconfiança e autoestima em qualquer lugar, menos dentro de si mesmas e assim fracassam na sua busca.

Lembrei-me de uma fábula que ouvi há muitos anos e que contava sobre os deuses do Olimpo e a criação humana. Conta a fábula que olhando os seres humanos, os deuses se gabavam do poder que eles tinham dado aos homens. Então, um deles lembrou que se um dia esse homem descobrisse como integrar ou usar isto, seria mais poderoso do que todos eles.

Seguiu-se uma discussão sobre onde eles esconderiam esse poder, esse conhecimento. Muitas sugestões e descartes depois, já que a resposta era sempre com tal capacidade que lhe dei, o homem vai inventar um jeito de chegar ao espaço, ao fundo do mar e onde mais qualquer deus pensasse. Até que já cansados de pensar, um dos deuses sugeriu, vamos esconder dentro dele mesmo, mas lembrem-se, quando o homem descobrir será muito poderoso.

A AUTOESTIMA É UMA EXPERIÊNCIA ÍNTIMA

É o que penso e sinto sobre mim mesma, não é o que o outro pensa e sente sobre mim. Sabemos que “ninguém” pode respirar por nós, comer por nós, mas esperamos que a autoconfiança e o amor-próprio venham de fora. Quem e o que pensamos ser influencia a maneira como agimos. Para lidar e mudar o rumo das coisas, de forma a olhar para mim mesma com amorosidade e compaixão, é necessário mudar alguns hábitos.

Um hábito recorrente na cultura atual é o da comparação. A comparação geralmente é ruim, pois geralmente compara o palco com os bastidores, no caso, a vida feliz do outro com as minhas dores e fracassos. Já dizia o professor Karnal: “quem vê cara, não vê corre”.

O que está por trás dos fatos e histórias de sucesso? Se é tão fácil, por que tem famosos ficando doentes, com depressão e ansiedade?

A falsa ideia de que no mundo digital vou trabalhar menos e ter mais tempo para viver, ganhando muito dinheiro, é mentirosa. Só quem já tentou entrar nesse mundo sabe a quantidade de horas necessárias para criar conteúdo, gravar vídeos, fazer dancinhas. Conseguir seguidores e criar autoridade e vender é trabalhar dobrado. A dica: faça bem-feito, o que faz sentido para você, dentro das condições que tem e se aprove pelos resultados.

Outro hábito pernicioso para a nossa saúde mental é esperar a aprovação do outro, fazer com a intenção de agradar. Estar sempre à disposição para atender as expectativas e sonhos alheios não garante aprovação. Pelo contrário, te coloca no lugar de servidor dos interesses alheios. Enquanto você se deixa de lado e agride suas próprias necessidades.

O que nos leva a outro hábito, o de colocar o outro sempre em primeiro lugar, cuidar do outro, sem tempo para si mesma, é a síndrome da boazinha. A que sempre está à disposição, mas internamente se sentindo rejeitada e abandonada. A baixa autoestima aparece aqui. Pensar e acreditar que não é capaz, que não merece ou não pode se colocar em pauta, cuidando de si mesma. É preciso quebrar a crença, pois cuidar de si mesma é essencial para que tenha saúde e perceba a necessidade do outro. Afinal, se não reconheço as minhas necessidades, o que vou estar de fato atendendo no outro?

Existem muitos outros hábitos, mas por hoje quero deixar só mais um. Guardar mágoas e ressentimentos corrói nossa alma, nos adoece. Aprender a viver no presente, olhar para o passado como sua história, que trouxe você até aqui e moldou suas habilidades e experiências, que serão úteis para o seu futuro. E viver no presente, no aqui agora.

A forma como eu interpreto os eventos do meu passado influencia a minha autoestima. Mudar a visão como esses eventos aconteceram e me afetaram, ressignificando a percepção, é um processo doloroso, mas libertador, pois me dá a possibilidade de construir um presente e um futuro diferente, de acordo com o que é importante para mim. Isto impactará nas relações com os outros e comigo mesma, e aparecerá nos comportamentos e atitudes. Uma pessoa feliz tem relações saudáveis.

Pense nisso. Na próxima semana, vamos conversar de outro hábito que atrapalha nossa autoestima. E é tão presente e avassalador, que merece um artigo só para falar dele. Lembre-se: se precisar de ajuda, peça. Se quiser, envie um direct e conversamos.

Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

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