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Fátima Baroni Tonezer

Sete passos para superar a culpa!

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A culpa de ser quem eu sou. A culpa de não ser quem o outro queria que eu fosse. Ou de não realizar o sonho que ele sonhou para si e não concretizou. Nós, humanos, colecionamos muitas culpas. Culpas por não ter aquele emprego. Culpa por não estar estudando. Culpa porque ainda não deu certo na vida. Culpa por não conseguir colocar limites e dizer sim quando queria dizer não. Culpa por erros que cometeu. Culpa por escolhas e ações dos outros. Culpa por não cumprir as expectativas que o outro criou para mim.

Enfim, a lista de culpas é infindável… variam de categoria e intensidade porque são únicas e ao mesmo tempo universais.

COMO SE LIVRAR DA CULPA DE NÃO SER?!

Essa culpa que fala de não ser o parceiro(a) ideal, o filho(a) ideal, a mãe(pai) ideal. A culpa de não ser perfeita. A receita da vida passa em dosar nossos desejos e aquilo que estamos realmente dispostos a fazer, renunciando a algumas coisas para alcançar outras. Nessa conta entra a frustração e a culpa. Frustração porque parece fácil para todo mundo, menos para mim. E essa culpa traz dor.

Para sair da culpa é importante desenvolver a habilidade de se responsabilizar pelos próprios desejos, agindo como protagonista da própria vida. E nesse cenário, a culpa aparece como uma luz amarela, que sinaliza que algo precisa ser visto, melhorado ou mudado. Um alerta, nunca uma ancora! Planejar nossa trajetória é importante. Saber que nem tudo vai sair exatamente como planejado é essencial. O planejamento não consegue contemplar eventos externos, dos quais não temos o menor controle. Mas sem planejamento, o barco fica à deriva.

COMO HUMANOS SOMOS IMPERFEITOS!

O que significa que vamos errar, não seremos alçados ao olimpo do padrão perfeito, vamos tropeçar, cair, levantar, errar e começar de novo, corrigir rotas, tentar e tentar… até conseguir.

A dica de ouro é: comece. Comece agora e continue andando. Todo mundo já começou alguma coisa. A diferença está naqueles que continuaram – sem vontade, sem resultados imediatos, sem fogos de artifício. Só continuaram andando. E no trajeto foram melhorando, ajustando, corrigindo.

Quando a culpa der as caras, não mergulhe fundo nela. Ao contrário, pergunte o que ela está trazendo, qual é o alerta. Converse com sua culpa, descubra o que incomoda e resolva. Para construir a autoestima, nos afundar no sofá da culpa não resolve.

Escolher seu caminho, colocar limites, atender suas necessidades não é egoísmo. Ao contrário, é legítimo e necessário. Uma dica para realizar isso: abandone a capa de herói. Tire a fantasia de mulher maravilha. Se a culpa quiser aparecer, use-a para o aperfeiçoamento, isto é, como motivação para não repetir o erro. A culpa como sinal de alarme significa usá-la para perceber e alinhar suas ações com suas expectativas e valores.

COMO DESATIVAR A CULPA!

O primeiro passo é admitir o erro. Se você errou, admita. Economiza tempo e sofrimento. Negar não resolve, só perpetua a dor.

Depois, assumir o erro e dizer o que está disposto a fazer para corrigir. Pedir desculpas e ajustar o comportamento e atitudes. É assim que pessoas maduras resolvem seus problemas.

Em seguida, solte a mala de sentimentos negativos. Carregar esses pesos impedem sua jornada. Aqui é a hora do perdão. Do auto perdão. Aceite seu erro, perdoe-se e siga em frente.

Um quarto passo é: reveja seus padrões. Baixe a régua da comparação. Você não precisa ser perfeita. Aliás, a perfeição não existe. E o padrão que aponta para a perfeição é mentiroso, pois é inalcançável. Seja realista, isto é, compatível com as competências que você tem, reais, possíveis de serem alcançadas. Quando estabeleço um objetivo irreal, que não é possível alcançar, na verdade estou reforçando minhas crenças de que sou incapaz, que não mereço – amor, respeito, felicidade, nada nem qualquer tipo de resultado positivo.

O quinto passo é a permissão. Dar-se permissão para realizar. Ao estabelecer padrões inatingíveis, reforçamos a crença de incompetência. Uma forma de lidar com isso é dividir um objetivo ou meta grande em pequenos passos. E ao realizar cada pequeno passo, reconhecer e valorizar. Aprenda a se permitir validar suas conquistas, as menores inclusive. Comece e continue, mesmo que no início seja estranho.

O sexto passo, preste atenção para reconhecer quando a intenção do outro é fazer você sentir culpa para manipular. Essa atitude do outro não tem a ver com um erro que você cometeu, tem a finalidade de controlar e manipular você. Reconhecer essa intenção permite que você não assuma culpa que não é sua e se concentre no que você fez. Cuidar do que é seu.

E finalmente, abrir mão da perfeição. Faça o que está ao seu alcance, com os recursos que tem no momento. Reconheça seus erros, corrija e continue andando. Toda maratona exige esforço, disciplina, capacidade para lidar com a frustração e o reconhecimento dos quilômetros que já foram vencidos. O objetivo é continuar apesar da culpa, porque ela deixa de ser ancora e passa a ser pisca alerta para problemas que podem ser evitados ou contornados.

Vamos continuar na próxima semana? Agora que você já entendeu o que é a culpa, como lidar com ela de forma a torná-la um alerta que ajuda na superação de dificuldades, vamos conversar sobre outro antídoto para te ajudar na superação e realização de suas dificuldades. 

Até a próxima.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

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