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Fátima Baroni Tonezer

Superando limites ao enfrentar a resistência!

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Nos temas da atualidade, é recorrente falar em superação de limites. O que raramente vemos associado ao assunto é a palavra resistência. Resistência é uma daquelas palavras que tem mais de um significado para nós. Geralmente, resistência é pensada do ponto de vista da Física, como resistência elétrica, ou resistência de um material na Engenharia. Neste caso, resistência é a capacidade física de um corpo qualquer se opor à passagem de corrente elétrica ou quanto um material resiste a um dado esforço, o quanto se deforma e retorna a sua forma natural. Há também a resistência humana, por exemplo, a resistência física necessária ao desempenho de atividades físicas. E, finalmente, a resistência psicológica. Você já ouviu falar sobre resistência psicológica?

OLHANDO A RESISTÊNCIA DE DENTRO

A resistência é um processo humano que acontece quando a pessoa se encontra sob ameaça. A resistência é quase como uma amiga íntima que nos habita. E muitas das nossas frustrações se devem a essa “velha senhora” que nos acompanha vida afora. Isto porque a dificuldade de superar nossos limites internos, fazer as mudanças que sonhamos, esbarra nela.

A resistência é um inimigo comum, que todos nós nos deparamos ao longo da vida. Fica visível na psicoterapia, onde muitas vezes é pauta do dia. Mas aparece em outros momentos da vida também. Ela é responsável por nossa vida não vivida. Vamos entender por quê?

O que faz parte dessa “vida não vivida”? Nossos sonhos, objetivos, desejos etc. A resistência nos mantém na vida comum, na rotina como círculo vicioso, isto é, fazer as mesmas coisas, voltar sempre ao ponto de partida, a famosa “zona de conforto”.

O MAPA DA TAL ZONA DE CONFORTO?

Um lugar conhecido que também é responsável pelas frustrações, angústias, medos, procrastinação, preguiça. Se partirmos da premissa que cada um de nós veio ao mundo para realizar algo, a zona de conforto é o “cala a boca e não se mexe”. Não vamos falar de propósito de vida, mas vamos pensar em ser quem você é, conhecedor dos seus limites e desejos.

A resistência impede que nossa vida interior se manifeste, gerando dor, frustração e angústias. Atua como uma força poderosa impedindo o próximo passo. E, ao contrário, se você quiser voltar ao degrau anterior, da fragilidade e descompromisso, seja lá com o que for, ela vai facilitar o acesso. A resistência é uma fuga de nós mesmos, das nossas coisas. É tão mais fácil fugir, a vida se torna mais suportável quando fazemos coisas inocentes como “maratonar” uma série, acompanhar os capítulos de uma novela ou saber o que está acontecendo no último BBB. Afinal, falar da vida alheia, torcer pelo outro se dar bem ou mal, é mais fácil. Mas quando o desconforto e dor não desaparecem, respondemos com mais séries e redes sociais, numa fuga infinita.

E aqui tem o “pulo do gato”: o hábito bom que você faz hoje traz benefícios no futuro. Já o hábito ruim dá recompensa imediata, mas o prejuízo vem no futuro. Sempre há escolha. A questão é que quando ficamos fugindo, em algum momento a fuga não é mais suficiente, e aí se instala a compulsão, a impulsividade, a procrastinação, o autoengano. A resistência nos impede de ser pleno, de fazer aquilo que queremos, que tem sentido para nós.

COMO QUEBRAR A RESISTÊNCIA E SAIR DA ZONA DE CONFORTO?

O professor doutor Miguel Nicolelis, médico e cientista brasileiro, tem uma frase interessante: a conveniência está suplantando a agência. O que ele quer dizer é que a conveniência, a tecnologia que facilita a nossa vida, nos acomoda ao dar a falsa impressão de que tudo está a apenas um clique de distância. Já a agência é o nosso agir, nosso fazer. Implica ação, sair do lugar, correr riscos, acertar e errar, corrigir a rota, assumir responsabilidades.

Nesse sentido, para lidar com a resistência, precisamos entender que para recomeçar ou mudar algo é preciso primeiro colocar um ponto final naquilo que precisa deixar de existir, encerrar ciclos. Vivendo os primeiros dias do segundo mês do ano, continuamos a ouvir que precisamos recomeçar, mudar. E agora muitos já estão desanimados, desmotivados com o grau de dificuldade, porque a última fórmula mágica que comprou não entregou o prometido, sem esforço e dedicação.

A grande questão para a mudança acontecer é de que ponto vou mudar? Mudar o quê? Para que e para quem? Por exemplo: você já pensou em alimentar o corpo que você quer ao invés de alimentar o corpo que você tem (e não quer)? Ah! Mas é difícil! Sim, mudar é difícil, implica esforço e determinação, renunciar ao conhecido e as recompensas imediatas, estar disposto a atravessar o desconforto e a dor da desconstrução do hábito antigo.

É fazendo que a mudança acontece. A mudança acontece um passo de cada vez. Nenhuma das grandes obras que atravessaram os séculos e nos encantam foram feitos em um dia. O imediatismo está nos adoecendo. É ele que nos causa dor. O imediatismo é uma ferramenta da resistência. Para realizar nossos objetivos é preciso paciência, perseverança, determinação e capacidade de lidar com a frustração, com a preguiça, com a procrastinação e as justificativas. E identificar e anular os adversários externos. Porque sim, eles também vão aparecer para colaborar que você desista e não realize.

A resistência, para sair vitoriosa, é desleal, mente, seduz, intimida, manipula, trai. Faz qualquer coisa, assume qualquer forma para impedir que você faça o que quer e precisa ser feito. Age para te paralisar. Para superá-la, não dê ouvidos a ela, faça assim mesmo. Sabe uma frase muito batida na internet: “tá com medo, vá com medo mesmo”. É isso, um passo de cada vez, reconhecendo cada ação na direção do seu resultado.

Reconhecer a resistência que nos habita e aprender a lidar com ela, entendendo a serviço do que ela está, isto é, de qual ganho preciso abrir mão para fazer o próximo movimento e realizar meus objetivos é um dos passos fundamentais do autoconhecimento. Vamos nos aprofundar um pouco mais na seara do autoconhecimento? Te espero na próxima semana.

 Até lá.

Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

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